No Segundo volume de nossa empreitada, que visa denunciar os inimigos do marxismo-leninismo, uma avaliação historiográfica, e cronológica, mais profunda será realizada do Trotskysmo. No primeiro volume, o aspecto ideológico ganhou a cena. Neste volume, que continua o trabalho do anterior, procurou-se denunciar do nascimento até o presente momento o estrago causado pelo trotskysmo. Em parceria com a sociedade de amizade hispano-soviética, buscamos denunciar precisamente os males de vossos lacaios servos do império.  
 

Passados cem anos desde a Revolução de Outubro, é importante perguntar: como o trotskismo — ou, melhor, seus fundamentos ideológicos — está influenciando atualmente o desenvolvimento da luta de classes e a organização das massas trabalhadoras para tal luta? Para responder a essa pergunta, devemos delimitar os traços característicos do trotskismo, investigar sua presença no comunismo atual e avaliar seu papel.


É claro que hoje os trotskistas organizados têm uma influência maior entre as massas do que os defensores do marxismo-leninismo. É uma realidade oposta àquela de meados do século XX, quando seu peso político era desprezível em relação ao que os partidos comunistas ganharam desde a Revolução de Outubro até a vitória sobre o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial e a formação de um todo campo dos países socialistas.


E essa vantagem atual do trotskismo organizado, mais ou menos ortodoxo, sobre o marxismo-leninismo é ainda maior se adicionarmos a ela a massa de ativistas e intelectuais que compartilham uma das teses centrais dessa corrente: a oposição à política soviética nos tempos de Stalin, a "teoria da revolução permanente", oposição a todos os estados existentes (sejam imperialistas, socialistas, soberanos ou súditos) ou partidarismo na organização da classe trabalhadora.


É evidente que o maior retrocesso experimentado pelo proletariado ao longo de sua história coincidiu com a maior influência sobre ele pelos trotskistas. No passado ainda recente, eles argumentaram que a destruição do "stalinismo", isto é, dos partidos marxista-leninistas, abriria o caminho para a revolução operária internacional. Agora que isso praticamente aconteceu e eles podem influenciar as massas com a maior liberdade, eles ainda estão ocupados atacando o "stalinismo" dos movimentos progressistas em vez de aproveitarem sua vantagem para conduzir o proletariado a uma revolução vitoriosa. O que está crescendo, entretanto, é o neoliberalismo, o militarismo e a reação, enquanto as forças operárias e democráticas geralmente permanecem na defensiva, quando não recuam.


É claro que os partidos abertamente trotskistas não são os únicos nem os principais responsáveis pela atual involução, inevitável a partir do momento em que as forças comunistas não conseguem sair de sua crise, mesmo aos poucos. E é aqui que devemos concentrar nossa atenção e examinar se a antiga capacidade da teoria e prática marxista-leninista de conduzir a classe trabalhadora à vitória sobre a burguesia não está sendo neutralizada pelos erros de seus atuais apoiadores. Para corrigi-los, é necessário determinar em que medida esses erros podem ter um caráter trotskista, embora paradoxalmente sejam cometidos em nome de Lenin, de Stalin e de sua luta contra o trotskismo e o reformismo.


Este livro pretende contribuir para esclarecer esta questão, recordando algumas características importantes do trotskismo a fim de avaliar a sua semelhança com as posições políticas adotadas por alguns marxista-leninistas desde o início da crise do movimento comunista internacional em meados do século XX até aos nossos dias. Há que perguntar se as posições que os comunistas estão a tomar perante as massas sobre os sindicatos atuais, sobre Syriza e Podemos, sobre a Síria e Venezuela, sobre os estados que eram ou ainda são socialistas, etc., estão de acordo com o que Marx, Engels e Lênin defendiam, ou melhor, se se desviam do que Trotsky defendia.


Apreender o que significa o trotskismo não é uma tarefa fácil. Seus partidários afirmam que é sinônimo de marxismo. Mas este último se tornou a liderança hegemônica do movimento operário europeu no final do século 19 e levou-o aos seus maiores sucessos em meados do século 20, enquanto o trotskismo nunca foi mais do que uma corrente minoritária entre o reformismo e o leninismo. Contudo, a opinião majoritária dos contemporâneos de Trotsky nas fileiras do bolchevismo não deve ter sido a de quando lhe viraram as costas em todos os seus desacordos com Lenin e, após a morte de Lenin, com a liderança do CP(b) da URSS.


Trotsky e alguns dos seus seguidores reconhecem que ele estava errado sobre a opinião de Lenin sobre a forma como o partido dos trabalhadores deveria ser organizado, embora sustentem que Lenin acabou por concordar com ele na questão da "revolução permanente", ou seja, sobre a estratégia e tática da revolução. Em suma, segundo eles, o seu erro seria mais prático do que teórico, quase nada, se tivermos em conta que o imperativo central do marxismo não é interpretar o mundo, mas transformá-lo através de uma prática revolucionária!


Mas mencionar esses dois aspectos muito gerais não é suficiente para lançar luz sobre os erros de Trotsky, hoje talvez inconscientemente compartilhados por muitos de seus detratores. Para isso, é necessário relembrar um pouco mais detalhadamente a história das discrepâncias entre os bolcheviques e os trotskistas.


O bolchevismo foi o bastião do marxismo mais autêntico e revolucionário após a morte de Marx e Engels. Foi assim devido à sua coesão teórica e também porque foi creditado pelos seus sucessos práticos que marcaram um antes e um depois na história de toda a humanidade. Quando Lenin iniciou a sua atividade política, já estava plenamente identificado com o marxismo e nesta concepção do mundo ele permaneceu para o resto da sua vida, lutando incansavelmente para o infundir em todo o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores Russos (POSDR).


Em vez disso, Trotsky desperta politicamente num círculo de socialistas, defendendo veementemente o populismo e atacando sarcasticamente o marxismo, numa altura em que o populismo já se tinha desviado para a conciliação com o czarismo e tinha sido desmascarado perante o movimento operário por Plekhanov, Lênin e outros marxistas. E, quando alguns anos mais tarde Trotsky tomou partido pelo marxismo, depressa se entusiasmou com o trabalho do líder socialista alemão não-marxista, F. Lassalle. Foram tempos em que a social-democracia revolucionária russa foi forçada a defender o marxismo ortodoxo para salvar o partido da deriva revisionista que os jovens líderes "economistas", seguidores do movimento operário espontâneo, estavam-lhe a dar. Alguns objetarão que as origens de uma personalidade não a caracterizam necessariamente para toda a vida, que todos têm o direito de cometer erros e de mudar, etc., e tudo isto é bem verdade. Mas, é, também, necessário verificar até que ponto, subsequentemente, esta retificação e mudança tem lugar. No caso de Trotsky, encontramos critérios persistentes que são fundamentalmente consistentes com os defeitos do populismo e do Lassalleanismo.

A crise atual do movimento comunista, infelizmente, reavivou esses critérios entre aqueles que procuram reorganizá-lo sobre as bases ideológicas do marxismo-leninismo. Após décadas de revisionismo reformista, o espírito revolucionário deve ser recuperado e as intenções que vão nessa direção são boas. Mas não bastam, pois já se sabe que o caminho para o inferno está repleto de boas intenções. É essencial que essas boas intenções se traduzam também em uma política consistente com os princípios do marxismo-leninismo. Caso contrário, eles resultarão em uma fraseologia revolucionária enganosa que decompõe as forças proletárias e fortalece a burguesia.

 

EM DEFESA DO MARXISMO LENINISMO 2 - HISTÓRIA CRÍTICA DO TROTSKYSMO

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