ENTREGA EM 30 DE NOVEMBRO

A obra aqui produzida pelo professor Vinícius da Silva Ramos, demonstra de forma clara uma das contentas mais viscerais que permeou o governo Vargas, a tentativa dos integralistas em hegemonizarem a Revolução de 1930 a partir do sentimento antiliberal. Movimento muito semelhante ao que aconteceu na Europa naquele mesmo momento em resposta a Crise de 1929 e os efeitos devastadores da Primeira Guerra Mundial. Entretanto, no Brasil os integralistas utilizaram outro desdobramento da crise capitalista como justificativa para se estabelecer, o subdesenvolvimento, algo a ser superado a partir de um “Estado forte” dirigido pelos preceitos integralistas.

 O integralismo era a tentativa de se construir um movimento fascista brasileiro. Com uma “roupagem estilizada” por contornos estritamente nacionais, que na verdade não passavam de meros detalhes, que em nada conseguiam aplacar o ranço racista, elitista, violento e conservador que pautava a referida ideologia.  Para se adequar ao processo social e política que a Revolução de 1930 intimava, as lideranças integralistas apostaram na construção de uma pauta que se mostrasse conjunta e natural ao movimento de edificação de um Estado nacional anticomunista e crítico ao capitalismo.  O professor Ramos com muita habilidade, joga luzes em um dos locais mais intensos da contenda envolvendo o integralismo, a imprensa escrita. Os jornais tiveram um papel importante durante todo o governo Vargas. Mesmo estando sob estrita censura, eles podem ser vistos como um substrato fiel das contradições políticas que aconteceram durante os 15 primeiros anos que Getúlio Vargas governou. 

A benevolência que o governo tratou o integralismo até a tentativa de golpe em 1938, nunca esteve no prelo da censura, assim como o trânsito livre que tal ideologia teve entre políticos e funcionários públicos. Sem, contudo se submeter ao integralismo, Vargas manteve o movimento próximo de seus olhos, entretanto, longe de seu coração. Os jornais aqui elencados, Correio da Manhã, de orientação mais crítica ao integralismo e O Jornal, mais complacente com tal movimento,  denotam a instabilidade que permeava o governo Vargas com as “influências externas”. Era claro naquele momento, que o Correio da Manhã, simpático aos anglo-estadunidenses, fazia um contraponto aos entusiastas do fascismo, aqui na figura do O Jornal. Esse duelo editorial muitas das vezes foi patrocinado por interesses estrangeiros e aproveitado por setores de dentro do governo Vargas portadores de interesses difusos e contraditórios. O professor Ramos narra com muita amplitude nessa obra, como essas contradições acontecem nas ruas, no meio social e nos editorias, abarcando o meio político.

As diversas fases que o integralismo passou até a sua execração da cena pública, são aqui transcritas com uma linguagem muito fácil de compreender a partir da boa seleção de matérias jornalísticas apresentadas pelo autor. Da luta contra os comunistas, passado pelas contradições com o nacionalismo de Vargas, que levaram à tentativa de golpe em 1938, o integralismo foi manchete jornalística todo o tempo. Sendo o integralismo hora adulado e hora criticado pela imprensa, para se entender como esse movimento tomou contornos históricos, faz-se necessário a leitura da obra aqui produzida pelo professor Vinícius da Silva Ramos.

Passados mais de 80 anos dos fatos aqui narrados, temos a triste constatação que o fascismo, outrora representado pelo integralismo, continua incutido nos monopólios de imprensa reinante em nosso país. Que pregam abertamente o entreguismo, a violência e o racismo contra o povo brasileiro. Para se entender como isso começou, faz-se necessário a leitura da obra muito bem redigida pelo professor Ramos. “Páginas verdes de uma imprensa marrom”, é um relato extraordinário para se compreender a ameaça que a imprensa de ontem e de hoje podem causar a soberania nacional que representa interesses que não o do povo.

 

João Claudio Platenik Pitillo

Pesquisador do Núcleo de Estudos da América-UERJ

Doutorando em História Social - UNIR

 

Vinícius Ramos - Páginas Verdes de uma Imprensa Marrom

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