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  • Klaus Scarmeloto

A Confissão de Ustrialov


Por Grover Furr Tradução por Cássio Duarte

Capítulo 11 de as Amalgamas de Trotsky . Evidência Soviética – a Confissão de Ustrialov


Ustrialov sobre os contatos de Tukhachevsky com os Japoneses


A consideração da confissão de Nikolai Ustrialov requer alguma explicação. Ustrialov foi submetido à uma interrogação da NKVD. Isso irá alertar a mente de alguns leitores da possibilidade de Ustrialov ter sido “forçado” à prestar uma falsa confissão, de que essas confissões foram fabricadas, etc.


Na realidade, não há evidência de que este seja o caso e há diversas evidências contra. Portanto, pode ser útil examinar essa questão aqui.


A confissão de Ustrialov não pôde ter sido uma tentativa de “incriminar” Tukhachevsky ou até obter mais evidências contra ele, já que pela data que foi dada – 14 de Julho de 1937 – Tukhachevsky, executado no dia 12 de Junho de 1937, estava morto por mais de um mês.


Poderia ter sido uma tentativa de “incriminar”, ou pelo menos obter mais evidências contra Bukharin e os Direitistas? Como veremos, eles são de fato mencionados na confissão. Porém, isso é impossível por variadas razões:


* As alusões de Bukharin e os Direitistas são todos boatos. Ustrialov simplesmente reportou o que um jornalista-espião Japonês que se denominou como Nakamura disse para ele. Nakamura não tinha conhecimento direto sobre os Direitistas. Ele apenas repetiu o que foi dito por outros partidos. Tal testemunho seria inútil em qualquer julgamento criminal, incluindo na URSS na década de 1930.


*Por quê a NKVD ou a repressão fabricaria material que não poderia ser utilizado? Quando, durante a Ezhovshchina ou o “Grande Terror” a NKVD fabricou confissões para incriminar falsamente pessoas inocentes. Neste caso, eles teriam fabricado um testemunho direto, forçado Ustrialov a dizer que ele tinha conhecimento direto dos desejos dos Direitistas de derrubar o governo Soviético, negociar com o Japão e a Alemanha, etc. Porém, eles não o fizeram.


* Liudmila A. Bystriantseva, a expert sobre a vida e pensamento de Ustrialov que editou e introduziu sua confissão está convencida que ela é genuína apesar do fato de que contradiz com o paradigma histórico predominante, afirmando que Tukhachevsky et al eram inocentes e foram “falsamente incriminados” por Stalin, Ezhov, ou ambos. No final deste capítulo iremos analisar o que ela diz.


* A confissão pode muito bem ser útil para a NKVD para uma investigação aprofundada. Porém, isso significaria que os investigadores estavam de fato buscando descobrir a verdade. Isso, logo, quer dizer que eles não fabricaram a confissão de Ustrialov.


* A confissão de Ustrialov é consistente com as acusações contra Tukhachevsky e contra os Direitistas. Agora temos boa evidência corroborativa, incluindo evidência não-Soviética, que essas acusações foram precisas. O paradigma prevalecente de que os Processos de Moscou e o Caso de Tukhachevsky não pode contar com essa evidência. Portanto, o paradigma prevalecente deve ser descartado.


Tudo isso sugere que a confissão é genuína. Não temos motivos para pensar que pôde ter sido uma fabricação pelos investigadores e pelos acusadores, e temos todos os motivos para pensar que não foi. A confissão em si é bastante interessante – na realidade, é bombástica. Não surpreendentemente, foi virtualmente ignorada por aqueles que estão comprometidos não com o descobrimento da verdade, mas para com o que eu chamei de o “paradigma anti-Stalin” da história Soviética.


Estes são nossos motivos para incluir aqui esta discussão um tanto quanto longa sobre a confissão de Ustrialov.


Nikolai Vasilevich Ustrialov foi um filósofo Russo que lecionava direito na Universidade de Moscou durante a Primeira Guerra Mundial. Ele foi um membro do Partido Kadet (Constitucional Democrata), o partido liderante de empresários e intelectuais. Durante a Guerra Civil ele apoiou os generais Brancos Kolchak e Denikin contra os Bolsheviks.


Eventualmente, ele se estabeleceu em Harbin, na China, onde trabalhou para a Ferrovia Trans-Manchuriana, que era propriedade conjunta da China e da URSS. Durante seus anos em exílio, ele visitou o Japão diversas vezes e encontrou com figuras governamentais Japonesas. Essas visitas tornaram-se o foco de interesse quando a ferrovia foi vendida ao Japão em 1935, quando Ustrialov retornou à URSS com outros russos.


Ao retornar à URSS, Ustrialov foi contratado para lecionar como professor de geografia econômica em duas universidades em Moscou. Claramente, as autoridades Soviéticas acreditaram que ele aceitou a Revolução Bolchevique e mostrou desejo de apoiar a URSS por razões nacionalistas.


Ustrialov foi preso no dia 6 de Junho de 1937,


В СССР работал профессором экономического географии в Московском институте транспорта и некоторое время - в Московском государственном университете. Но 6 июня 1937 года был арестован органами НКВД СССР, а 14 сентября 1937 года военной коллегией Верховного суда СССР но обвинению в "шпионаже", контрреволюционной деятельности и антисоветской агитации" (статьи 58-1, 58-8, 58-10, 58-11 УК РСФСР) приговорён к расстрелу. Пригоров приведён в исполнение в тот же день в Москве. [1]


Traduzido:


Na URSS ele trabalhou como um professor de Geografia Econômica no Instituto de Engenheiros de Transporte de Moscou e lecionou também por um tempo na Universidade Estatal de Mescou. Mas no dia 6 de Junho de 1937, ele foi preso pela NKVD da URSS, e em 14 de Setembro de 1937, foi sentenciado para fuzilamento pelo Colégio Militar da Suprema Corte da URSS por espionagem, atividade contrarrevolucionária e agitação anti-Soviética (artigos 58-1,58-8 e 58-11 do Código Penal da RSFS da Rússia). A sentença foi executada no mesmo dia em Moscou.


Em outra fonte, aprendemos que Ustrialov se declarou culpado no julgamento por espionagem para o Japão.


Судом Устрялов признан виновным в том, что "с 1928 г. являлся агентом японской разведки и приводил шпионскую работу. В 1935 г. установил контрреволюционную связь с Тухачевским, от которого знал о подготовке террористической организацией правых. Кроме того, Устрялов вел активную контрреволюционную пропаганду и распространял клевету на руководство ВКП(Б)" (из приговора, л.д. 52). В тот же день пригоров в отношении Устрялова Н.В. был приведен в исполнение (л.д. 53). ... [О]бвинение в шпионаже и иной контрреволюционной деятельности основано только на признательных показаниях Устрялова, которые он дал на предварительном следствии и подтвердил в судебном заседании.[2]

Traduzido:


Ustrialov foi declarado culpado pela corte que “desde 1928 ele foi um agente da inteligência Japonesa e realizou espionagem. Em 1935 ele estabeleceu contato contrarrevolucionário com Tukhachevsky, de quem ele aprendeu sobre a preparação de atos terroristas contra os líderes do PCUS, contra o governo Soviético e aprendeu também sobre os contatos com a organização terrorista anti-Soviética dos Direitistas. Além do mais, Ustrialov conduziu propaganda contrarrevolucionária ativa e caluniou a liderança do PCUS” (da sentença, p. 52). “A sentença contra N.V. Ustrialov foi conduzida no mesmo dia (p. 53).” … A acusação de espionagem e outras atividades contrarrevolucionárias foram baseadas exclusivamente nas confissões de Ustrialov, nas quais ele deu durante as investigações preliminares e foram confirmadas durante o julgamento.


O próprio Ustrialov foi condenado por espionagem para o Japão. Isso constituí nosso principal interesse nele aqui. É importante salientar, no entanto, que Ustrialov não confessou tudo o que seu interrogador o acusou. Especificamente, ele rejeitou a acusação que ele retornou à URSS por instrução dos Japoneses.


ВОПРОС: Вы напрасно сводите свою деятельность только к контрреволюционной пропаганде. Следствию известно, что в СССР вы приехали по прямому заданиями - вы признаете это? ОТВЕТ: Я этого не признаю. [3]


Tradução:


PERGUNTA: É inútil para você reduzir sua atividade apenas para propaganda contrarrevolucionária. A investigação está ciente que você chegou à URSS sob proposta direta da inteligência Japonesa com tarefas especiais – você admite isso?


RESPOSTA: Eu não admito isso.


Esse tipo de confissão diferenciada – confissão de culpa para algumas acusações enquanto rejeita outras – sugere um esforço por parte do réu para ser honesto em pelo menos nas acusações cujo o réu confessou culpa.


Bystriantseva argumenta de forma convincente que Ustrialov não “espionou” no senso comum da palavra, e no sentido que o interrogador da NKVD o acusou primeiramente. Porém, ela falha em apontar o óbvio: que a própria discussão de Ustrialov com o agente Japonês Nakamura (veja abaixo) constituiu uma forma de espionagem – isto é, colaboração secreta com uma potência estrangeira hostil – se não reportada para as autoridades.


O transcrito de uma de suas interrogações, de 14 de Julho de 1937, foi publicada em 1999. Aqui iremos citar apenas as seções da entrevista que são diretamente relevantes para a questão da colaboração Japonesa.


Nessa interrogação, Ustrialov delineou os conteúdos de uma conversa que ele teve com Tukhachevsky na própria casa do mesmo no outono, provavelmente em Setembro do ano de 1936. Ele então resume uma discussão de noventa minutos que ele teve no final de Dezembro de 1936 com um agente Japonês, Nakamura, que estava viajando sobre um disfarce de jornalista.


Comentaremos essas duas seções da confissão de Ustrialov separadamente. Após isso, iremos considerar as questões de autenticidade.


Parte Um. Outono de 1936: Ustrialov discute sobre sua conversa com o Marechal Tukhachevsky


ВОПРОС: Изложите содержание этой беседы? ОТВЕТ: Я постараюсь дословно нашу беседу - поскольку она мне осталась памятной. Тухачевский вначале коснулся основных проблем нашей политики и интересовался моей толькой зрения. Я ответил, что, по моему мнению, в данной исторической остановке внешняя политика Советского государства ведется по единственно возможному для нее курсу, если иметь в виду ориентацию на мир. Я почувствовал, что мой собеседованик не разделяет этой точки зрения. В очень осторожных, скулых, окольных выраженях он стал говорить, что ориентация на мир требовала бы некоторого смягчения наших отношений с Германией, ныне отравляющих всю международную атмосферу.


Я немедленно заметил, что отнюдь не мы виноваты в напряженности этих отношений. Я тревдо убежден, что, покуда фашизм в Германии у власти, никакие улучшения наших отношений не возможны. Экспансия на Восток - краеугольный камень внешнсполитической прогаммы Гитлера. "Да, но на востоке Германии лежит Польша, - бросил реплику Тухачевский. - Территориальные вопросы допускают различные варианты решений." Из дальнейших, весьма, впрочем, осторожных его высказываний, получилось, что он мыслить себе совсем иной рисунок европейского равновесия, нежели тот, который существует теперь. В его словах воскресла известная концепция так называемой "германской ориентации", о которой так много говорилось и писалось в свое время.


Было совершенно очевидно, за чей счет мыслилось в таком случае урегулирование спорных территориальных проблем "Не каждая польская кампания кончалась Рижским договором - был ведь в истории "Венский конгресс". Этот афоризм собеседника был более чем ясным намеком.


Я - "Но ведь наши противоречия с Германией не исчерпываются территориальным проблемами. Нельзя упустить из вида глубочайшие противоположности социально-политических режимов." Тухачевский - "Да, конечно, но режимы развиваются, эволюционируют. В политике нужна гибкость. Всякий конфликт есть начало соглашения." <c.253>


Я - "Однако есть основные, фундаментальные установки, которые составляют сущность политического строя. У нас эти установки определены программой правящей партим". Тухачевский - "Да, но кроме программы есть люди. Партия - это люди. В партии есть реальные политики, и им принадлежит будущее". Из дальнейших его высказываний явствовало, что он не только "теоретизирует", но и уже нащупал коекакую почву под ногами. "Реальные политики" в партии не фикция, а реальность. Не фикция - и слова о новом курсе по отношению к Германии.


Из этих слов, несколько отрывочных, но все же достаточно ясных, мне не трудно было понять основные политические устремления моего собеседника. Мне оставалось задать лишь ему один вопрос о конкретной внутриполической программе тех "реальных политиков" в партии, о которых он упоминал. На этот вопрос Тухачевский ответил, что их внутриполитическая программа исходит из необходимости сгладить остроту противоречий между Советским государством и внешним миром, хотя бы даже за счет некоторого оступления от проводимой ныне партией полической линии. Поскольку такое смягчение противоречий диктуется обстановкой - на него нужно идти. После этого ответа я окончательно понял, что под кличкой "реальных политиков" Тухачевский имеет в виду правую партийную оппозицию, бухаринско-рыковскую группу.


Tradução:


PERGUNTA: Descreve o conteúdo desta conversa.


RESPOSTA: Tentarei apresentar nossa conversa palavra por palavra até onde consigo me lembrar. Tukhachevsky primeiro tocou na questão dos principais problemas de nossas políticas e expressou interesse em meu ponto de vista. Eu o disse que, na minha opinião, na situação histórica atual, a política externa Soviética está sendo conduzida sobre a única linha possível, se tivermos em mente a orientação para a paz. Senti que minha companhia não compartilhava o mesmo ponto de vista. Em termos bem cuidadosos, lacônicos e rotundos, ele começou a dizer que a orientação para a paz necessitaria algumas mitigações em nossas relações com a Alemanha, que atualmente envenena toda a atmosfera internacional.


Eu imediatamente comentei que nós não somos os culpados pelas tensões nessas relações; que eu firmemente acreditei que enquanto o fascismo estivesse no poder na Alemanha, nenhuma melhoria entre nossas relações seria possível.


A expansão para o Leste é a base da política externa de Hitler. “Sim, mas ao Leste da Alemanha há a Polônia – respondeu Tukhachevsky. - Questões territoriais permitem uma variedade de soluções”. De suas afirmações posteriores cautelosas, ele mostrou ter uma visão muito diferente do equilíbrio Europeu da que existe atualmente. Em suas palavras, o conceito bem conhecido da tão falada “orientação Alemã” foi revivida, na qual foi muito comentada e escrita na época.


Estava claro nas custas de quem cairia em tal caso onde as questões da disputa territorial ocorreriam. “Nem toda campanha Polonesa terminou em um Tratado de Riga. A história também conhece o ‘Congresso De Viena.’”


Este aforismo pelo meu interlocutor foi uma dica mais do que clara.


Eu - “Mas nossas contradições com a Alemanha não são limitadas por questões territoriais. Não podemos perder de vista a profunda oposição de nossos regimes políticos e sociais.”


Tukhachevsky - “Sim, é claro, porém regimes se desenvolvem, eles evoluem.[4] Na política é necessário flexibilidade. Todo conflito é o início de um acordo.”


<p. 253>


Eu - “No entanto, há condições básicas e fundamentais nas quais constituem a essência do sistema político. Para nós, essas condições são definidas pelo programa do partido no poder.”


Tukhachevsky - “Sim, porém além do programa há o povo. O partido é o povo. No Partido há os políticos realistas[5], e o futuro pertence a eles.”


Em suas afirmações posteriores, estava claro que ele não estava apenas “teorizando”, mas já sentia uma certa base sobre seus pés. Os “políticos realistas” no Partido não eram ficção, e sim, realidade. O que também não era ficção foram as palavras sobre o novo curso sobre a Alemanha.


Destas palavras, mesmo que um tanto quanto deslocadas porém bem claras, não foi difícil para mim compreender as aspirações políticas básicas do meu interlocutor. Só restou para mim perguntá-lo mais uma pergunta sobre o programa doméstico específico destes “políticos realistas” no Partido que ele mencionou. Para esta questão, Tukhachevsky respondeu que o programa político interno deles era baseado na necessidade de aliviar a intensidade das contradições entre o estado Soviético e o mundo externo, mesmo custando um certo desvio da linha política atualmente sendo aplicada pelo Partido. Desde essa redução das contradições é ditada pela situação – era necessário tomar este caminho.


Após essa resposta, eu finalmente percebi que sobre o apelido “políticos realistas” Tukhachevsky tinha em mente a oposição de Direita no partido, o grupo Bukharin-Rykov.


Análise


Um ponto significante de nossos propósitos é o assunto principal da interrogação de Ustrialov foi o Marechal Tukhachevsky. Na data da interrogação, no dia 14 de Julho de 1937, Tukhachevsky e todos os sete outros líderes militares de alta patente que foram presos com ele foram julgados e executados. Qual seria o propósito de fabricar uma interrogação que implicaria uma pessoa já morta e outras figuras menores na qual algumas, como veremos, nunca foram reprimidas?


Ustrialov foi preso no dia 6 de Junho de 1937, alguns dias antes do julgamento de Tukhachevsky e o resto durante a investigação da conspiração militar. Não sabemos o que levou à prisão de Ustrialov.


Como uma tentativa de investigar as redes de espionagem Japonesas, a interrogação faz todo sentido. A NKVD também estava recolhendo mais informações sobre os Direitistas, sobre suas conexões com os militares conspiradores e outros. Bukharin já tinha começado a confessar sobre isso em sua primeira confissão no dia 2 de Junho de 1937, assim como Iagoda, Krestinsky, e outros que eventualmente iriam figurar nos Processos de Moscou em Março de 1938.


Ustrialov sabia que Bukharin e Rykov foram presos – suas prisões ocorreram no dia 27 de Ferreiro de 1937, durante o plenum de Fevereiro-Março do Comitê Central de 1937. Mas ele não poderia saber com precisão se as confissões que eles já deram eram consistentes com o quê Ustrialov reportou sobre as visões de Tukhachevsky.


Enquanto Ustrialov descrevia sua conversa com Tukhachevsky, começou professando sua lealdade à “orientação para a paz” Soviética – não há dúvidas das tentativas de reaproximação com os capitalistas Ocidentais, de entrada nas Nações Unidas, da nova Constituição, e outras reformas. Tukhachevsky imediatamente começou a questionar essa política, que também foi predicado em uma tentativa de construir uma “segurança coletiva” – um conjunto de alianças – contra a Alemanha de Hitler.


O Marechal disse que “algum grau de relaxamento” (nekotorogo smiagcheniia) da oposição Soviética à Alemanha Nazista era necessário. Ele disse que as relações hostis entre a URSS e a Alemanha Nazista estava “envenenando toda a atmosfera internacional”. Isto é, Tukhachevsky estava dizendo à Ustrialov que ele achava que toda a política anti-fascista e de segurança coletiva contra a Alemanha Nazista estava errada.


Nas palavras de Ustrialov, Tukhachevsky estava “ressuscitando” a noção de uma “orientação Alemã”. Os dois “perdedores” do Tratado de Versailles após a Primeira Guerra Mundial, a URSS e a Alemanha de Weimar, colaboraram secretamente sobre as provisões do Tratado de Rapallo. Tukhachevsky e muitos outros oficiais Soviéticos, incluindo a maioria dos que foram executados com ele, foram treinados na Alemanha. Tais laços foram exterminados na ascensão de Hitler ao poder.


Quando Ustrialov referiu ao Drang nach Osten de Hitler, a base de sua política externa desde o princípio e consagrado em seu credo Mein Kampf, Tukhachevsky respondeu que a Polônia, não a URSS, poderia satisfazer as ambições territoriais de Hitler. Ele se referiu ao Tratado de Riga (Março de 1921) na qual a Polônia adquiriu boa parte da Ucrânia e Bielorrússia à custa da nova República Russa socialista.


Para este tratado Tukhachevsky contrapôs o Congresso de Vienna no qual em 1815 o controle imperial Russo sobre a Polônia foi estabelecido com uma pseudo independência Polonesa que foi removida pelo Tsar em 1832. Em efeito, Tukhachevsky aparentou estar indicando que sobre uma nova liderança política, a URSS poderia ser novamente aliada da Alemanha e trabalharem juntas para por um fim ao estado Polonês.


Para isso, Ustrialov contestou surpreso, afirmando que as diferenças sócio-políticas entre a Alemanha e a URSS eram “profundamente contraditórias umas com as outras”. A resposta de Tukhachevsky foi que os “regimes se desenvolvem e evoluem”. Mas a única “evolução” que ele citou foi uma mudança no regime e Partido Soviético, guiada pelos “políticos realistas” (real’nye politiki). De acordo com Ustrialov, Tukhachevsky não disse nada sobre o “envolvimento” da Alemanha Nazista.


Tukhachevsky disse então que o “programa político interno” destes “políticos realistas” fluiria da “necessidade de remover a agudez das contradições entre o estado Soviético e o mundo exterior”. Considerando o que ele já tinha dito, no entanto, é claro que Tukhachevsky queria dizer que as contradições entre a Alemanha e a URSS, por outro lado, e a existência do Comintern por outro. No outono de 1936, já haviam sérias e profundas contradições entre a França e a Alemanha. Mas, todos os países capitalistas concordavam sobre suas hostilidades para com o Comintern.


O exato mesmo termo “políticos realistas” foi usado por Karl Radek no Segundo Julgamento de Moscou dos dias 23-30 de Janeiro de 1937, da mesma forma que Tukhachevsky usou no relato de Ustrialov no outono de 1936.

Radek:


Я сказал г. К, что ожидать уступок от нынешнего правительства - дело совершенно бесполезное, и что .... правительство может рассчитывать на уступки "реальных политиков в СССР", т. е. от блока, когда последний привет к власти.


Traduzido:


“Eu disse ao Sr. K que é absolutamente inútil esperar quaisquer concessões do governo atual, mas que … governo poderia contar ao receber concessões dos políticos realistas na URSS, por exemplo, do bloco, quando o mesmo chegar ao poder.


(1937 Julgamento 9)


Radek:


Это было в мае 1934 года. Осенью 1934 года, на одном дипломатическом представитель среднеевропейской державы присел ко мне и начал разговор. Он сказал: "Наши руководители (он это сказал конкретнее) знают, что господин Троцкий стремится к сближению с Германией. Наш вождь спрашивает, что означает эта мысль господина Троцкого? Может быть, это мысль эмигранта, когда ему не спится? Кто стоит за этими мыслями?"


Ясно было, что меня спрашивают об отношении блока. Я сказал ему, что реальные политики в СССР понимают значение германо-советского сближения и готовы пойти на уступки, необходимые для этого сближения. Этот председатель понял, что раз я говорил о реальных политиках, значит есть в СССР реальные политики т нереальные политики; нереальные - это советское правительство, а реальные - это троцкистско-эиновьевский блок. И понятен был смысл того, что я сказал: если блок придет к власти, он пойдет на уступки для сближения с вашим правительством и со страною, которую оно представляет.


Tradução:


RADEK: Isso foi em Maio de 1934. No outono de 1934, em uma recepção diplomática, um representante diplomata e um país da Europa Central que era conhecido por mim, sentou ao meu lado e começou uma conversa. Bom, ele começou essa conversa de uma maneira pouco elegante. Ele (falando Alemão): “Sinto que vou vomitar… Todo dia eu olho os jornais Alemães e eles os atacam com unhas e dentes; e quando olho jornais Soviéticos, vocês arremessam lama na Alemanha. O quê pode-se fazer sobre tais circunstâncias?” Ele disse: “Nossos líderes” (ele disse isso de forma mais explícita) “sabem que o Sr. Trotsky está se esforçando por uma reaproximação com a Alemanha. Nosso líder quer saber o quê significa essa ideia do Sr. Trotsky? Talvez é a ideia de um emigrado que dormiu mal? Quem está por trás destas ideias?”


Foi claro que estava me perguntando sobre a atitude do bloco. Não poderia supor que isso era um eco de qualquer artigo do Trotsky, pois eu li tudo o que foi escrito por ele, vi o que ele escreveu tanto na imprensa Americana e Francesa; estava totalmente informado sobre o quê Trotsky escreveu, e eu sabia que Trotsky nunca defendeu a ideia de uma reaproximação com a Alemanha na imprensa. Se este representante disse que conhecia as visões de Trotsky, isso significa que esse representante, embora não fosse, em virtude de sua posição, um homem a quem seu líder tratava confidencialmente, era consequentemente um representante que teria sido encarregado de me consultar. É claro, sua conversa comigo durou apenas alguns minutos; a atmosfera de uma recepção diplomática não é adequada para perorações longas. Tive que tomar minha decisão literalmente em um segundo e dar uma resposta, e eu disse a ele que a altercação entre dois países, mesmo que eles representem sistemas sociais diametralmente opostos é uma questão infrutífera, mas a principal atenção não deve ser prestada para essas altercações de jornais. Eu disse para ele que os políticos realistas na URSS entendem a importância de uma reaproximação entre a Alemanha e a União Soviética e estão preparados para fazer as concessões necessárias para obter essa reaproximação. Este representante entendeu que eu estava falando que com políticos realistas quis dizer que há políticos realistas e irrealistas na URSS: os políticos irrealistas eram do governo Soviético, enquanto os políticos realistas era do bloco Trotskista-Zinovievita. E ele também entendeu que eu quis dizer que: se o bloco chegar ao poder, irá fazer concessões para fazer a reaproximação com seu governo e com o país que ele representa. (1937 Processo 108-109)[6]


Radek:


И через несколько месяцев, приблизительно в ноябре 1935 года, на одном из очередных дипломатических приемов подошел ко мне военный председатель этой страны... Председательствующий: Не называйте ни фамилий, ни страны. Радек: ... и начал жаловаться на полное изменение атмосферы между обеими странами. После первых слов он сказал, что во время господина Троцкого между обеими армиями обеих стран существовали лучшие отношения. В дальнейшем он сказал, что Троцкий остался верен своим страым взглядам на необходимости советско-немецкой дружбы. После ряда его таких дальнейших высказываний он начал написать на меня, как на проводившего ранее раппальскую линию. Я ему на это ответил той же самой формулировкой, которой ответил на первый зондаж, что реальные политики в СССР знают значение советско-немецкой дружбы и готовы итти на уступки, необходимые для обеспечения этой дружбы. Он мне ответил, что надо было бы, наконец, когда-нибудь собраться, совместно поговорить подробно к конкретно о путях сближения.


Я сказал ому, что когда будет соответствующая обстановка, ч охотно проводу с ним вечер. Этот второй разговор показал мне, что начались между Троцким и соответственными кругамм Германии, руками военных кругов, или же проверка реального содержания тех переговоров, которые велись. Быть может, дело шло также о проверке, знаем ли мы то, что конкретно предлагал Троцкий.


Tradução:


RADEK: Muitos meses depois, aproximadamente em Novembro de 1935, em uma das recepções diplomáticas regulares, o representante militar daquele país…


O PRESIDENTE: Não mencione seu nome ou o país.


RADEK: … se aproximou de mim e começou a reclamar sobre a completa mudança da atmosfera entre os dois países. Após as primeiras palavras ele disse que durante a época do Sr. Trotsky as relações entre os exércitos de ambos os países era melhor.


Ele continuou dizendo que Trotsky permaneceu fiel à sua antiga opinião sobre a necessidade da amizade Soviética-Alemã. Após continuar falando neste assunto por mais um tempo, ele começou a me pressionar como alguém que tinha buscado a linha de Rappalo. Eu respondi a isso proferindo a mesma fórmula na qual eu proferi, nomeadamente, que os políticos realistas da URSS apreciam a importância da amizade Sovíética-Alemã e estão preparados para fazer as concessões necessárias para garantir tal amizade. Para isso, ele respondeu que deveríamos finalmente nos unir de alguma forma e discutir juntos os detalhes, definitivamente, sobre formas de alcançar uma reaproximação.


Eu disse para ele que quando as circunstâncias permitirem eu ficaria feliz em passar uma tarde com ele. Essa segunda conversa revelou para mim que havia uma tentativa por parte dos círculos militares de tomar as conexões na qual Trotsky estabeleceu com certos círculos na Alemanha, ou foi uma tentativa de verificar o real conteúdo das negociações que estavam sendo conduzidas. Talvez, também, foi uma tentativa de averiguar se sabíamos definitivamente o que Trotsky propôs. (1937 Processo 444-445)


Nessa declaração resumida para a corte, o Promotor Vyshinsky referiu repetidamente e sarcasticamente ao uso do termo “políticos realistas” por Radek. (1937 Processo 480)


Ustrialov concluí essa parte da interrogação com a observação que ele percebeu que isso era um plano da “oposição Direitista do Partido, o grupo Bukharin-Rikov”. Evidentemente informações suficientes sobre o programa político dos Direitistas foi publicado nesse tempo, ou pelo menos divulgado em conversas, talvez no Izvestiia na qual o Bukharin era editor e onde o próprio Ustrialov publicaria um artigo em Dezembro de 1936. O programa do bloco foi compartilhado por ambos os Trotskistas e os Direitistas. Ustrialov naturalmente iria mais pro lado dos Direitistas.


Se houvesse qualquer razão para achar que a confissão de Ustrialov fosse uma “fabricação” da NKVD, poderíamos atribuir o uso do termo “políticos realistas” para uma tentativa da NKVD de falsamente conectar a confissão, e portanto os Direitistas, com os Trotskistas do Segundo Processo de Moscou de Janeiro de 1937, na qual ocorreu apenas alguns meses antes. Porém, como vimos, não há motivo para pensar que a confissão de Ustrialov fosse uma fabricação.


Portanto, a frequência do termo “políticos realistas” representa o que Radek quis dizer com ele: uma referência codificada ao bloco dos Trotskistas, Zinovievistas, Direitistas, e outros oposicionistas que, em colaboração com o grupo de Tukhachevsky e a Aleamanha, planejaram derrubar a liderança de Stalin.


Parte Dois. Final de Dezembro de 1936: Ustrialov se encontra com um Agente Japonês


Ustrialov:


Однако вскоре я узнал гораздо более конкретные вещи, заставившие меня думать о возможно кардинальных изменениях в руководстве ВКП(б) и всей проводимой Советским государством политики: я узнал о непосредственной связи между группой Бухарина-Рыкова и Тухачевского.


ВОПРОС: От кого вы это узнали? ОТВЕТ: Об этом мне при встрече в конце 1936 года рассказал один японец. ВОПРОС: О каком японце идет речь? Где вы с ним встретились? ОТВЕТ: Вскоре после напечатания моей статьи "Самопознание социализма" в декабрьском номере (1936 год) "Известий" мне позвонило по телефону неизвестное лицо с просьбой о свидании, передав при этом привет от "харбниских знакомых". На мой вопрос, с кем я имею честь говорить, последовал ответ: "Вы меня не знаете, поэтому фамилия вам безразлична, однако мне крайне необходимо с вами лично повидаться и передать вам привет от "харбниских друзей". После некоторых колебаний я изъявил согласие на встречу, и мы договорились встретиться в тот же день около десяти часов вечера в Лосинке, неподалеку от Института НКПС. В назначенное время я пришел в условленное место. В начале одиннадцатого к институту подошла машина. Из нее вышел окутанный в шубу человек, по внешности японец. Подойдя ко мне и назвав меня по фамилии, японец отрекомендовался фамилией Накамура, заявил, что он является корреспондентом одной из токийских газет, что он следует транзитом из Японии в Европу и задержался на несколько дней в Москве. Накамура передал мне привет от Танака и выразил пожелание обменяться со мной мнениями по некоторым интересующим его вопросам. <с.254>


Бесь разговор между нами на французском языке. ВОПРОС: Обстоятельства встречи с Накамура, как вы их излагаете, с несомненностью свидетельствует о том, что подобная встреча заранее вами обусловлена при отъезде из Харбина в СССР, иначе совершенно непонятны мотивы, побудивие вас встретиться в Москве с совершенно неизвестным вам японцем. Признаете ли вы это? ОТВЕТ: Вы совершенно правы, я вовсе не собираюсь скрывать, что еще в конце 1934 года Танака при разговоре со мной Харбине предупреди меня, что в случае необходимости получения от меня консульский по тому или иному вопросу, связанному с так называемой русском проблемой, японцы попытаются искать возможностей для установления со мной связей в Москве. Я утверждаю, однако, что никакой окончательной договоренности об обстоятельствах этой встречи между нами установлено не было. ВОПРОС: Вернемся к обстоятельствам вашей встречи с Накамура. Где и о чем вы с ним разговаривали?


ОТВЕТ: Накамура пригласил меня к себе в автомобиль и в течение примерно полутора часов разъезжал со мной между Московой и Лосинкой, и все время беседовали. Вначале он говорил о моей статье в "Известиях", спросил, давно ли я сотрудичаю в этой газете и знаком ли я с Бухариным и его друзьями, на что я ответил отрицательно. Он интересовался далее, в каких кругах я вращаюсь, и снова говорил о среде реальных политиков, гораздо более ла дальновидных и провалившаяся группа Зиновьева-Каменева. На мою реплику, что теперь едва ли можно серьезно говорить о роли бухаринско-рыковской группы, он заметил, что эта группа, по его мнению, вовсе не так слаба, как кажется, и что у нее имеются немало явных и тайных сторонников в различных звеньях советского аппарата. Затем он спросил меня о настроениях советской интеллигенции и о собственной моей оценке политической положения. Я вкратце сообщит ему свою точку зрения.


ВОПРОС: Что вы сообщили Накамура? ОТВЕТ: Я изложил Накамура свою оценку существующего в стране положения под уклоном зрения моей теории "бонапартизма", - я говорил, что революция неуклонно устремляется по бонапартистскому пути, развивается этот бонапартизм особого порядка - прежде всего как принцип безраничного единовластия вождя. Затем я обратил внимание Накамура на такие мероприятия правительства, как установление званий, орденов, введения института маршалов, восстановление казачества и т.д. ... Появление "знатных людей" как бы подчеркивало создание новой знати, т.е. опять-таки наводит мысль на аналогию с эпохой Бонапарта. Я говорил, что казнь зиновьевцев - есть первое в истории русской революции применение якобинских методов борьбы с революционерами: мокрая гильотина - вместо сухой. В таком же дуже я дал оценку и другим событиям внутренней жизнии страны.


ВОПРОС: Как реагировал Накамура на изложенные вами вопросы? ОТВЕТ: Как бы в ответ на эти "бонапартистские нотки" моих замечаний, мой собеседник неожиданно для меня перешел к теме Красной армии и отметил, что, по его сведениям, у правых есть сторонники и в ее среде, точнее, в среде ее верхушки. Правые вовсе не так бессильны, как я полагаю. Японцы имеют насчет этого достоверную информацию не только собственную, но и почерпнутую из союзного им источника, столь же, как они, заинтересованного в борьбе с Коминтерном.[7] Есть основание утверждать, что надежды и планы правых вовсе не беспочвенны. И чтобы не быть голословным, он даже может назвать одно имя. представляющее в этом отношении достаточно вескии: по его данным, "господин Тухачевский - имя импонирующее: его хорошо знают политические круги всех иностранных государств, и еще русская эмиграция прочила его в "русские Наполеоны". Вместе с тем, как один из маршалов, он популярен в СССР. На мой вопрос моему собеседнику, как же мыслит он политическую программу такого право-военного блока, он развил мне ряд соображений, напоминающих изложенные выше суждения Танака, в 1934 году. В случае политического успеха, правительство бухаринско-рыковской группы, в корне изменило бы курс советской политики в сторону сближения с пожеланиями иностранных государств. В частности, Японияя ожидает от этого правительства прекращения работы Коминтерна в Китае и предоставления Японии полной свободы рук в Китае. Вместе с тем Япониия рассчитывает на значительное расширение различных концессий в пределах Советского Дальнего Востока, а возможно, даже и на полюбовное соглашение о продаже ей на приемлемых условиях северной части Сахалина. Все это радикально смягчит нынешнюю напряженность отношений между Японией и СССР. На мой вопрос о позиции такого правительства в сфере европейской внешней политики Накамура ответил, что должно произойти резкое улучшение советско-германских отношений. Изменение режима монополии внешней торговли вызовет оживление торговую экспансию в СССР. Территориально-политические трудности могут быть разрешены в значительной мере за счет Польши. Свертывание деятельности Коминтерна идет навстречу основным установкам Гитлера. Словом, здесь можно ожидать решительной перемены всей современной международной ситуации и установления мирового равновесия на новых основах. Советский Союз прочно войдет в общество "нормальных" государств, ведущих политику здорового национального эгоизма. ... Прощаясь со мной, японец мне понять, что был бы весьма заинтересован услышать от меня затронутым (в нашей беседе) вопросам. Он выразил надежду, что на почве сотрудничества моегу в "Известиях" мне удастся повидать Бухарина либо еще кого-либо из правых коммунистов, а также при их посредстве встретиться с Тухачевским. Он добавил, что через несколько месяцев на обратном пути из Европы в Японию он хотел бы снова встретиться со мной. На этом наша беседа, продолжавшаяся около полутора часов, закончилась. ВОПРОС: После вашей встречи с Накамура вы пытались связаться с Бухариным и его окружением?


<c.255> ОТВЕТ: Нет, я не связывался. Встреча с Накамура состоялась в конце декабря, а в спередине яваря 1937 года уже было известно о предстоящем процессе параллельного центра, а еще спустя месяц прошел слух об аресте Бухарина и Рыкова. Все последние события заставили меня занимать выжидательную позицию, и на этом меня застал арест.[8]


Traduzido:


[USTRIALOV]: No entanto, logo aprendi muito sobre coisas concretas que me forçaram a pensar sobre as possíveis mudanças cardinais na liderança do VKP(b) e toda a linha política do governo Soviético, e aprendi sobre a conexão direta entre o grupo Bukharin-Rikov e Tukhachevsky.


PERGUNTA: De quem você aprendeu isso?


RESPOSTA: Um homem Japonês me disse sobre isso quando eu o conheci no final de 1936.


PERGUNTA: Que homem Japonês? Onde você se encontrou com ele?


RESPOSTA: Logo após meu artigo “A Autoconsciência do Socialismo” apareceu no volume de Dezembro do ano de 1936 do Izvestia, uma pessoa desconhecida por mim me contactou pelo telefone e pediu uma reunião, me dando saudações dos “conhecidos de Harbin”. Quando perguntei com quem tinha a honra de falar, o mesmo respondeu: “Você não me conhece, então meu nome é irrelevante, mas é essencial para mim que eu me encontre pessoalmente com você e transmita para você as saudações dos “amigos de Harbin”.


Após alguma hesitação eu consenti para uma reunião e nós concordamos para nos encontrar no mesmo dia por volta das dez da noite em Losinka [provavelmente um parque com esse nome], não muito distante do Instituto do Comissariado Popular de Transportes. Na hora marcada eu cheguei no local. Logo após as 10 da noite, um automóvel se aproximou do Instituto. Dele, saiu um homem de aparência Japonesa, usando um casado de pele. O homem Japonês se aproximou de mim, me chamou pelo meu nome, disse que seu nome era Nakamura, e afirmou que ele era um correspondente de um dos jornais de Tóquio e que estava transitando do Japão para a Europa, e estava há vários dias em Moscou.


Nakamura me deu as saudações de Tanaka e expressou o desejo de trocar visões comigo sobre algumas questões que o interessava.


<p. 254>


Toda nossa conversa aconteceu em Francês.


PERGUNTA: As circunstâncias de sua reunião com Nakamura, como você as descreve, mostra de forma inquestionável que essa reunião tinha sido organizada por vocês dois quando você saiu de Harbin para a URSS. Caso contrário, os motivos que o levaram a ir se encontrar com um homem Japonês completamente desconhecido em Moscou são incompreensíveis. Você admite isso?


RESPOSTA: Você certamente está correto, eu não tenho a intenção de forma alguma ocultar o fato que no final de 1934, durante uma conversa comigo em Harbin, Tanaka me avisou que se tornasse essencial receber uma consulta minha sobre uma questão ou outra conectada com a tão falada questão Russa, os Japoneses tentariam buscar a possibilidade de estabelecer contato comigo em Moscou. Eu afirmo, no entanto, que nenhum acordo final sobre as circunstâncias desta reunião entre nós foi fechada.


PERGUNTA: Retornemos sobre as circunstâncias de seu encontro com Nakamura. Onde e sobre o quê você conversou com ele?


RESPOSTA: Nakamura me convidou para sentar em seu automóvel e por uma hora e meia nós dirigimos entre Moscou e Losinka, falando durante todo o trajeto. No início, ele falou sobre meu artigo no “Izvestiia”, perguntou se eu já tinha trabalhado por muito tempo neste jornal e se eu estava familiarizado com Bukharin e seus amigos. Para isso, respondi negativamente. Ele ainda estava interessado em aprender sobre os círculos que eu frequentava, e novamente, falou sobre o meio do grupo Bukharin-Rikov, no qual ele chamou de o grupo dos políticos realistas, que possuem uma visão bem mais ampla e tinha um apoio social maior que o grupo Zinoviev-Kamenev que recentemente falharam. Respondi que agora era dificilmente possível de falar seriamente sobre qualquer papel no grupo Bukharin-Rikov, ele observou que este grupo, em sua opinião, não era tão fraco quanto aparentava, e que tinha apoiadores evidentes e secretos em diferentes conexões do aparato Soviético. Então, ele me perguntou sobre o estado da intelectualidade Soviética e sobre minha própria avaliação da situação política. Eu brevemente o informei sobre meu ponto de vista.


PERGUNTA: O quê disse para Nakamura?


RESPOSTA: Eu expliquei para Nakamura minha avaliação da situação do país da minha perspectiva da teoria do “Bonapartismo”. Eu disse que a revolução estava seguindo o caminho Bonapartista de maneira estável, que este Bonapartismo de um certo tipo estava se desenvolvendo – sobre tudo o princípio de poder pessoal ilimitado do líder.


Então, eu dirigi a atenção de Nakamura para tais medidas do governo como o estabelecimento de títulos, prêmios, a instituição da classificação de Marechal, o reestabelecimento dos Cossacos, etc. … A emergência de “pessoas notáveis” como foi enfatizado a criação de uma nova aristocracia, que novamente lembrava da analogia da época de Bonaparte. Eu disse que a execução dos Zinovievitas foi o primeiro exemplo na história da Revolução Russa da aceitação dos métodos Jacobinos na lutra com os revolucionários: a guilhotina “molhada” ao invés de “seca”. Neste espírito, dei a ele minha avaliação sobre outros exemplos da vida interna do país.


PERGUNTA: Como Nakamura reagiu às questões que você pôs?


RESPOSTA: Como resposta para tais “colocações Bonapartistas” de minha fala, meu interlocutor, de maneira inesperada para mim, começou a falar sobre o assunto do Exército Vermelho e mencionou que, de acordo com sua informação, os Direitistas tinha apoio dentro de suas patentes também, mais precisamente no meio do alto escalão, que os Direitistas não eram tão impotentes quanto eu acreditei. Os Japoneses tinham informações confiáveis sobre isso, não apenas deles mesmos, mas também obtidas de uma fonte aliada, aliados tão interessados quanto eles na luta contra o Comintern.[9] Havia razões para afirmar que as esperanças e planos dos Direitistas não eram de todo infundados. E, para não ser muito vago, ele poderia até nomear alguém que era, em relação a isso, bastante notável. De acordo com sua informação, o “Senhor Tukhachevsky” tinha simpatias políticas próximas com o grupo dos comunistas Direitistas, e Tukhachevsky era uma figura importante, muito conhecida aos círculos políticos de todos os governos estrangeiros, e que até a emigração Russa previu que fosse um “Napoleão Russo”. Ademais, como um dos marechais, ele era popular na URSS.


Para minha questão sobre como ele imaginou o programa político de tal bloco Direitista Militar, ele desenvolveu para mim uma série de concepções que lembrou-me dos julgamentos expressados por Tanaka em 1934.


No evento de um sucesso político, o governo do grupo de Bukharin-Rikov iria mudar fundamentalmente o curso das políticas Soviéticas para o lado da aproximação dos interesses de estados estrangeiros. Em particular, o Japão esperava que este governo daria ao Japão total liberdade de ação na China. Ao mesmo tempo, o Japão estava esperando a expansão significativa de várias concessões no Extremo Leste Soviético, possivelmente até um acordo amistoso sobre a venda do mesmo em termos aceitáveis da parte norte de Sakhalin. Tudo isso iria apaziguar radicalmente as relações atuais tensas entre o Japão e a URSS.


Para minha questão sobre a posição de tal governo na esfera das políticas externas na Europa, Nakamura respondeu que uma melhora aguda nas relações Soviético-Alemãs ocorreriam. Uma mudança no sistema do monopólio do comércio exterior iria revigorar as relações comerciais entre ambos os países e a expansão comercial Alemã na URSS. As dificuldades territoriais e políticas poderiam ser decididas, até um ponto significante, nas custas da Polônia. O descomissionamento das atividades do Comintern atingiria as condições básicas de Hitler. Aqui, poderíamos esperar uma virada decisiva em toda a situação internacional contemporânea e o estabelecimento de um equilíbrio pacífico em uma nova base. A União Soviética iria entrar firmemente na sociedade de estados “normais” que executaria políticas de um saudável egoísmo nacional.



Enquanto ele me dizia adeus, o homem Japonês deu a entender que ele estaria muito interessado em ouvir meus pensamentos de forma mais detalhada e concreta sobre as questões que ele tocou em nossa conversa. Ele expressou a expectativa que sobre a base de minha colaboração no “Izvestiia”, eu teria êxito em me encontrar com Bukharin ou algum outro comunista Direitista, e também com a ajuda deles, iria me encontrar com Tukhachevsky. Ele adicionou que em alguns meses em sua volta da Europa para o Japão, ele gostaria de se encontrar comigo novamente. Nessa nota, nossa conversa que durou aproximadamente uma hora e meia, terminou.


PERGUNTA: Após sua conversa com Nakamura, você tentou entrar em contato com Bukharin e seu círculo?


<p. 255>


RESPOSTA: Não, não tentei. O encontro com Nakamura ocorreu no final de Dezembro do ano de 1936, e no meio de Janeiro de 1937, já sabíamos sobre o próximo julgamento do centro paralelo [o Segundo Processo de Moscou de 23-30 de Janeiro de 1937], e um mês após isso, veio o rumor das prisões de Bukharin e Rikov. Todos estes eventos me impeliram de tomar uma posição de esperar, e durante este período, ocorreu minha prisão.


Usrialov acreditava que havia uma conexão entre sua publicação de um artigo filosófico no Izvestiia em Dezembro de 1936 e ele ser contactado por um agente Japonês e subsequentemente se encontrar com ele no final daquele mês. Nessa época, Bukharin era editor do Izvestiia e estava publicando artigos de antigos opositores bem conhecidos. Ustrialov foi um membro líder do Partido Kadet (Constitucional Democrata), o principal partido capitalista na época da Revolução, e o antigo ministro no Governo Branco Russo do Almirante Kolchak. Ele retornou à URSS quando a partilha Soviética da Ferrovia Trans-Manchuriana foi vendida ao Japão em 1935.


Apesar que nesta época ele tinha “aceitado” o regime Soviético como um patriota Russo, ele também era conhecido politicamente como um direitista, fundador do movimento Smenovekhista de intelectuais Russos exilados que acreditavam que o regime Soviético “evoluiria” em algo menos radical. Em essência, essa era a perspectiva política que contou na evolução da Revolução Russa em algo semelhante à linha da Revolução Francesa. Ustrialov viu em Stalin o “novo Napoleão”, ou “Cesarismo”, como ele colocou.


Harbin, a cidade na Província de Heilongjiang, ocupada pelos Japoneses desde Fevereiro de 1932, era o maior assentamento de Russos Brancos no mundo e possuía uma abundância de agentes e espiões de todo o mundo. [10] Ustrialov viveu ali entre 1920, quando ainda era um posto avançado do Exército Branco quando resistiam à Revolução Bolchevique, e 1935, quando empregados Russos da ferrovia foi permitida a repatriação para a URSS caso eles desejassem, como Ustrialov escolheu.


Neste curso da segunda parte desta interrogação, Ustrialov admitiu que ele foi contactado por Tanaka, quem Bystriantseva identifica como um membro da Dieta (Parlamento) do Japão, um expert em assuntos Russos, e como tal, um agente do governo Japonês. Ustrialov conhecia Tanaka já em 1926.


Tanaka contou a Ustrialov em 1934 em Harbin que o governo Japonês tentaria reestabelecer contato com ele em Moscou para pedir conselhos sobre o “tão falado problema Russo”. Nakamura, o correspondente Japonês e, obviamente, o agente de inteligência, contactou Ustrialov e encontrou com ele no final de Dezembro de 1936, deu uma introdução - “saudações - dos “amigos de Harbin” e, quando eles se encontraram pessoalmente, de Tanaka. “Amigos de Harbin” poderia ser ou emigrados Russos anti-Soviéticos que se recusaram a repatriar ou os próprios Japoneses.


Ustrialov concordou em se encontrar com ele de maneira clandestina. Ustrialov também não voluntariou essa informação, mas apenas divulgou quando seu interrogador sugeriu que ele já sabia disso. Nos olhos da NKVD e da acusação, isso daria outra marca contra ele. Cidadãos deveriam relatar para as autoridades apropriadas de quaisquer tentativas de suspeitos agentes de potências estrangeiras de contactá-los. A conversa de noventa minutos também ocorreu no veículo de Tanaka. Isso obviamente foi uma tentativa de sigilo, também.


A falha em contactar o governo Soviético neste ponto para informá-los da tentativa de um agente Japonês óbvio de entrar em contato com ele certamente pôs Ustrialov fora da lei. O governo Soviético trataria isso como um acordo entre Ustrialov e o espião Japonês. Ustrialov não notificou o governo, porém, evidentemente foi encontrado de qualquer forma. Ele de fato foi condenado e executado em Setembro de 1937 por espionagem para o Japão.


Nakamura perguntou sobre Bukharin “e seus amigos”, mostrando bastante interesse neles, e os chamou de “políticos realistas, que possuem uma visão bem mais ampla e tinha um apoio social maior que o grupo Zinoviev-Kamenev que recentemente falharam.” Ele disse que eles “não eram tão fracos quanto aparentavam”, e disse que eles tinham muito apoio tanto aberto quanto secreto dentro de diferentes áreas do Partido Soviético e seus aparatos.


Nakamura, então, revelou que o apoio para a oposição de Direita existia nos altos escalões do Exército Vermelho, dizendo que os Japoneses sabiam disso não apenas por suas próprias fontes como de “outro aliado anti-Comintern”. Com certeza, falava da Alemanha. O “pacto anti-Comintern” entre a Alemanha e o Japão foi formado em Novembro de 1936, e nenhum outro país se uniu ao pacto até Julho de 1937 (a Itália de Mussolini não se uniu até Novembro de 1937). Temos muitas evidências da colaboração de Tukhachevsky et al. com a Alemanha. Uma pequena fração dela, a nota de Masny-Benes, é discutida de maneira breve no volume presente.


Nakamura nomeou Tukhachevsky como um dos que eram bastante simpáticos com os Direitistas. Ele delineou o programa político dos Direitistas da mesma forma que Tanaka fez em 1934. De acordo com Nakamura, o grupo Bukharin-Rikov iria, se eles chegassem ao poder, mudar de forma aguda a política Soviética das seguintes formas:


* Cessar o trabalho do Comintern na China. Isso significaria tirar todo o apoio do Partido Comunista Chinês de Mao Tse-tung.


* Deixar o Japão ter uma “mão livre” na China, transformando-a em uma colônia Japonesa.


* Dar ao Japão “concessões significantes” no Extremo Leste Soviético, incluindo, talvez, vendê-los de volta a parte norte da ilha Sakhalin.


* Expandir o comércio com a Alemanha e seus comércios na URSS.


* Parar o suporte ao Comintern. Isso presumivelmente significaria em países do Eixo e pro-Alemanha pelo menos, a menos que ele quis dizer “eliminá-lo completamente”.


* Entrar em algum tipo de aliança com a Alemanha contra a Polônia.


Este esboço do programa dos Direitistas corresponde de maneira próxima daquele dado brevemente por Bukharin em sua primeira confissão no dia 2 de Junho de 1937, e isso emerge do testemunho de Bukharin, Rikov, e outros réus no Processo de Moscou de Março de 1938. Isso significaria que a URSS iria então, nas palavras de Ustrialov, “entrar na sociedade de estados ‘normais’”, promovendo interesses nacionais, ao invés de interesses internacionalistas e de classe.


Nakamura expressou o desejo de que Ustrialov possa se encontrar com Bukharin e outros Direitistas e, esperançosamente, com a ajuda deles, se encontrar com Tukhachevsky novamente. Isso confirma que o governo Japonês acreditava nas possibilidades de uma tomada do poder Direitista-Militar estavam ainda bem vivas em Dezembro de 1936. E isso é consistente com a informação sobre as conversas de Trauttmansdorff-Mastny poucas semanas depois no início de 1937. Temos muitas evidências que nesta época Hitler ainda esperava que os Direitistas e os militares ainda pudessem tomar o poder. [11]


Análise de Bystriantseva


Em sua introdução ao texto desta interrogação, Bystriantseva, uma expert sobre a vida e obras de Ustrialov, admite que não é capaz estabelecer que as observações nela foram forçadas sobre Ustrialov pelos interrogadores. Apesar de quaisquer dúvidas que ela tenha, ela leva a entrevista à sério de qualquer forma e, em suas outras observações, assume que Ustrialov de fato expressa suas próprias opiniões.


Ela afirma:


Хочется подчеркнуть, казалось бы, общеизвестное, но слишком часто нарушаемое правило: анализ документа предполагает обязательное знание не только всей деятельности Н.В. Устрялова, но и его целостного мировоззрения. (24 col. 2)



Можно сказать, что данный протокол является последним разговором, беседой Устрялова с будущим поколением. (248 col. 2)


Traduzido:


Desejo enfatizar uma regra que parece que deveria ser geralmente compreendida mas é frequentemente quebrada: a análise deste documento pressupõe o conhecimento obrigatório não apenas de toda a atividade de N.V. Ustrialov como também toda sua visão de mundo como um todo.



Pode ser dito que seu transcrito representa a conversa final, por Ustrialov com a geração futura.


Isso argumenta fortemente pela autenticidade das confissões de Ustrialov de duas formas. Primeiro, como poderia um interrogador da NKVD conhecer os pontos de vista de Ustrialov tão bem para que ele pudesse forjar ou “roteirizar” o transcrito de uma interrogação para soar genuína para uma expert como Bystriantseva? E outro ponto, a própria Bystriantseva é uma expert na obra e ponto de vista de Ustrialov, e ela ainda admite que é incapaz de concluir que o transcrito da entrevista com Tukhachevsky foi forjada.


Bystriantseva obviamente crê que a interrogação não foi falsificada. Ela escreve que ela considera essa interrogação como os “últimos pensamentos, esperanças palavras para o futuro” de Ustrialov. As palavras dela são mais evidências que a interrogação é genuína, e que as opiniões atribuídas à Ustrialov nelas são, de fato, suas.


Porém, se a interrogação não foi forjada nestas partes onde Ustrialov expressa suas visões políticas e filosóficas, então isto é uma evidência adicional forte de que o resto da interrogação seja verdadeira também, incluindo as seções que nos interessam.


Em outro lugar no artigo, Bystriantseva observa que no transcrito o amigo de Ustrialov, o jurista Nikolai Pavlovich Sheremet’evskii, é chamado de Nikolai Borisovich – um erro no qual o próprio Ustrialov não poderia fazer se tratando de um amigo. Ela, de forma inegável, está correta que Ustrialov não faria tal erro. Porém, isso é um erro que o datilógrafo trabalhando com uma transcrição abreviada poderia facilmente ter cometido. Não prova nada por si só.


A prima de Ustrialov Ekaterina Grigor’evna Shaposhnikova de fato ensinou o idioma Russo para a filha de Tukhachevsky, como Ustrialov afirma no transcrito. Bystriantseva observa que a negação do filho de Shaposhnikova que o encontro ocorreu não possui importância.


Ustrialov afirma que sua prima Shaposhnikova era “uma mulher de idade com uns cinquenta anos” e completamente apolítica. Como Bystriantseva sugere, Ustrialov inegavelmente disse isso para manter a suspeita longe dela. De fato, Shaposhnikova nasceu em 1896 e não teria mais de quarenta e um na época do encontro com Tukhachevsky. Ela de fato escapou do aprisionamento e viveu até 1983. Em qualquer evento, esse detalhe aparenta ser genuíno.


Bystriantseva também publicou notas sobre as “audiências de reabilitação” sobre o caso de Ustrialov em 1988. Essa foi uma época quando as reabilitações das “vítimas do Stalinismo” avançavam em uma taxa alta e em números grandes. Mas o acusador militar falhou em recomendar a reabilitação de Ustrialov baseado na evidência que ele tinha. Os documentos revelaram que a investigação de reabilitação prévia em 1955-56 também falhou em alcançar qualquer resultado conclusivo, e deixou inúmeras perguntas sem resposta. Esse estudo prévio confirmou que Ustrialov foi um líder membro do Partido Kadet e foi pessoalmente apontado por Lenin como um inimigo do regime Soviético. Ustrialov certamente foi um oponente explícito do regime Soviético neste período.


Ustrialov confessou também ter tido contato extenso com a inteligência Japonesa. Em efeito, isso fez dele um agente Japonês. As comissões de reabilitações da era de Khruschev e no início da era de Gorbachev devem ter considerado isso em suas decisões de não reabilitá-lo. Apesar de Ustrialov ter sido finalmente reabilitado no dia 17 de Outubro de 1989, os materiais que Bystriantseva cita sugere que estes pontos não foram clarificados até mesmo na época. Pro final do período de Gorbachev, quase toda aplicação de reabilitação estava sendo aceita.


O estudo de reabilitação mais antigo do arquivo do caso criminal de Ustrialov revela que Ustrialov confirma sua culpa em seu julgamento, enquanto ele afirma que nenhum outro material inculpatório foi apresentado no julgamento fora suas próprias confissões na investigação preliminar e novamente no seu julgamento no dia 14 de Setembro de 1937.[12] Esperaríamos que a acusação declararia os fundamentos na qual a suspeita de “atividade contrarrevolucionária” foi baseada – isto é, quais circunstâncias despertaram o interesse da NKVD e levaram ao aprisionamento de Ustrialov.


Ustrialov nomeou vários de seus amigos nos quais, ele disse, “expuseram seus pontos de vista contrarrevolucionários”. Alguns deles foram reprimidos entre 1937 e 1940, porém outros, evidentemente não foram reprimidos de qualquer forma e viveram até os anos 50, 60, 70 e até 80.


Названные Устряловым (Устряловым ли?) фамилии не были тайной для органов (и мы считаем необходимым особо подчеркнуть, что большая часть из этих лиц не только не пострадала, но и продолжала работать, получая награды от советского правительства). (248 col. 1-2)


Traduzido:


Os nomes dados por Ustrialov – se realmente foi ele – não eram desconhecidos pelos “órgãos” (e consideramos essencial enfatizar especialmente o fato que a maioria dessas pessoas não apenas não foram reprimidas, como até continuaram a trabalhar e receber prêmios do governo Soviético)


Isso sugere que os nomes dados não foram sugeridos pelos interrogadores para encontrar um pretexto para prender e reprimir essas pessoas. A única conclusão lógica que permanece é que Ustrialov de fato os nomeou por conta própria.


A declaração de Ustrialov é consistente com as confissões de Tukhachevsky; com as confissões pré-julgamento que temos de Bukharin e Krestinsky; e com o testemunho do Processo de Moscou de Março de 1938. Ambos Tukhachevsky e Nakamura referiram aos Direitistas, ou o grupo Bukharin-Rikov, como os “políticos realistas”. Radek disse que ele usou o mesmo termo para o bloco dos Direitistas e Trotskistas em suas discussões com adido militar Alemão General K. (evidentemente, o General Ernst Köstring).


Neste contexto, parecer ter poucas razões para duvidar da autenticidade do documento Arao, já que ele obviamente é compatível com o conhecimento de Nakamura da orientação política de Tukhachevsky contra o governo Soviético e favorável ao Eixo.[13] A confissão de Ustrialov também argumenta em favor dele ser genuíno.


A Evidência de Ustrialov e os Processos de Moscou


A relevância da confissão de Ustrialov de nossa avaliação dos Processos de Moscou, incluindo as acusações feitas neles da colaboração de Trotsky com os Alemães e Japoneses, são bem claras. O bloco dos Direitistas e Trotskistas foram acusados de trabalhar com Tukhachevsky e seus co-conspiradores militares e confessaram isso.


No capítulo passado, reproduzimos passagens de um testemunho de Rozengol’ts, Rikov, Grinko, Kretisnky e Bukharin sobre a conspiração de Tukhachevsky. Nelas, os réus do Terceiro Processo de Moscou admitem a colaboração com Tukhachevsky e seu grupo de militares, e indicam que Trotskty também estava envolvido nes