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  • Klaus Scarmeloto

Como os Soviéticos Construíram a Vitória na Segunda Guerra Mundial



Por João Claudio Platenik Pitillo

Pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

Doutorando em História Social – UNIRIO.

Especialista em Segunda Guerra Mundial.


  • Em julho de 1943, ao fim da maior batalha de blindados da história (Batalha de Kursk) a URSS brindava sua vitória com a segurança de Moscou e a estabilidade de suas Frentes.

  • Em Kursk a URSS enfrentou 200 divisões alemãs, contabilizando cerca de 900.000 homens, enquanto os anglo-estadunidenses no mesmo período, enfrentaram na Sicília 4 divisões alemãs e algumas poucas italianas e na África defrontaram-se apenas com 200.000 homens do Eixo, enquanto os soviéticos lutavam em Stalingrado. Essa breve comparação demonstra o tamanho do desafio enfrentado pelo Exército Vermelho.

  • A vitória soviética na batalha de Stalingrado e as subsequentes operações ofensivas no Norte do Cáucaso, nos arredores de Leningrado, no Donbass e nas direções de Kursk e Kharkov, adquiriram importância mundial, tendo sido vitais para a derrocada da Wehrmacht em 1945.

  • Até novembro de 1942 o exército soviético teve inferioridade numérica e bélica nos embates com os fascistas. Sua capacidade de produção e logística era precária e a sua capacidade ofensiva deixava a desejar. Isso em uma conjuntura onde os estadunidenses e ingleses negavam-se a abrir uma segunda frente de batalha na Europa, preferindo atuar em cenários secundários na África e na Ásia. Período que o Exército Vermelho desenvolveu grandes operações para triunfar nas Batalhas de Moscou e Stalingrado.

  • Em 22 de julho de 1942 o governo inglês com a concordância dos estadunidenses decidiu renunciar à invasão do continente europeu. Em agosto o primeiro ministro inglês Winston Churchill comunicou oficialmente à Moscou o adiamento da invasão para a primavera de 1943, obrigando os soviéticos a carregar o maior fardo da Guerra por mais dois anos1

  • As operações Aliadas na África serviram muito mais aos interesses próprios dos anglo-estadunidenses do que contribuíram para a conjuntura geral da Guerra. Na batalha de El Alamein por exemplo (de 23 de Outubro a 4 de novembro de 1942), participaram cerca de 80.000 soldados do Eixo, em Stalingrado os mesmo fascistas empregaram mais de 1.000.000 de soldados. As perdas alemãs na África ficaram em torno de 55.000 homens, em Stalingrado foram entorno de 800.000 perdas.2

  • Os nazistas mobilizaram cerca de 50 divisões contra guerrilheiros comunistas e organizações clandestinas soviéticas, contra as tropas anglo-estadunidenses no fim de 1943 o Eixo usou somente 21 divisões ítalo-alemãs.

  • Em seus esforços para derrotar a URSS, a Alemanha nazista deslocou o grosso de seus homens e armas para o Leste. Além das 214 divisões, totalizando 8,5 milhões de homens, que a Alemanha tinha em junho de 1941, 153 divisões alemãs e 37 divisões de seus satélites, totalizando de 5,5 milhões de homens, foram designados para operações militares contra o Exército soviético. [3]

  • O efetivo da Alemanha e seus satélites na frente germano-soviética aumentaram durante a guerra. De dezembro de 1941 a abril de 1942, o Comando alemão foi forçado a transferir mais 39 divisões, 6 brigadas e uma grande quantidade de tropas de reserva para o Leste, tentando conter os Exército Vermelho.[4]

  • Em maio de 1942, havia 226 divisões inimigas e em novembro do mesmo ano, 266, num total de cerca de 6,2 milhões de homens na frente germano-soviética. Este foi o número máximo de homens que os inimigos concentraram contra a URSS durante a guerra, ele é superior ao efetivo que os Aliados enfrentaram em toda Europa.[5]

  • Entre 19 de novembro de 1942 e 30 de março de 1943, em vista das enormes perdas sofridas durante a campanha de inverno de 1942-1943; particularmente em Stalingrado, o inimigo foi forçado a transferir 33 divisões e 3 brigadas da Europa Ocidental para a Frente soviética. Durante os preparativos para a ofensiva de verão de 1943 os alemães conseguiram concentrar 71% de suas forças, cerca de 4,8 milhões de homens contra a URSS.[6] Podemos observar que desde 1941 o grossos das tropas do Eixo eram enviadas para à URSS, tendo a mesma resistido a essa investida avassaladora, coisa que nenhum país da Europa conseguiu.

  • Tendo a URSS conseguido manter intacta a sua capital e resguardar reservas de petróleo e minério, foi capaz de empreender uma reação que nenhum outro país invadido pelos nazistas conseguiu. Cabe salientar a capacidade organizativa do PCUS e das entidades civis no deslocamento exitoso de todo o parque industrial soviético para depois dos Urais, onde a produção soviética foi retomada e ampliada para suportar a frente de batalha e mais adiante suportar as ofensivas. Cabendo um capítulo especial para o Komsomol, que foi responsável pela mobilização e organização de milhões de jovens para todos os tipos de tarefas.

  • As estruturas civis básicas sempre funcionaram, mesmo nos dias mais difíceis, o governo soviético não permitiu que os alimentos fossem distribuídos de forma desigual nem mesmo no auge dos racionamentos, as escolas e hospitais, mesmo sob bombardeios nunca fecharam e mesmo nas regiões sob domínio inimigo o governo soviético se fazia presente de forma clandestina organizando e estimulando as ações de sabotagem.

  • O tamanho do esforço canalizado pelos fascistas contra a URSS foi sem sombra de dúvidas o maior de toda a guerra, as forças de ataque usaram do melhor e do mais moderno contra a pátria soviética e tremendamente sinistra também foram as táticas de controle e extermínio das populações soviéticas, utilizadas pelos invasores.

  • Nas áreas ocupadas, os nazistas e seus satélites sistematizaram extermínios e progons[7] como ordens básicas de ocupação. Os filiados e simpatizantes de organizações comunistas eram sumariamente executados e os demais levados para campos de extermínios ou de trabalhos forçados. As crianças e idosos eram os mais atingidos, aldeias e vilarejos tiveram suas populações exterminadas, seus pertences saqueados e enviados para a Alemanha, famílias inteiras deixaram de existir por causa dos massacres nazistas. Novas pesquisas apontam que mais de 40.000.000 de soviéticos morreu na guerra, a maioria civis.[8]

  • Com tudo, os soviéticos não se renderam, superaram todos esses desafios e a partir de medidas políticas, econômicas e militares exitosas, galgadas nos princípios socialistas puderam derrotar os fascistas e construir uma das nações mais prósperas de história.

  • 1 O Exército Soviético na II Guerra Mundial, 2ª Edição, Editora Renavan, Rio de Janeiro, 1995. P.47.

  • 2 A Verdade e a Mentira Sobre a Segunda Guerra Mundial, E Kulkov, O. RjechevskiI, e I.Tchelichev , Edições Avante, Lisboa, 1984. P.157.

  • [3] Missão Libertadora das Forças Armadas Soviéticas na Segunda Guerra Mundial, A. A. Grechko, Livraria Ciência e Paz, Rio de Janeiro, 1985. P.24

  • [4]Idem.

  • [5] Idem.

  • [6] Idem.

  • [7]Ataque violento e maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos).

  • [8] https://br.sputniknews.com/russia/201611216890981-urss-segunda-guerra-mundial-danos-perdas/ - Acessado em 26/12/2-17.

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