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  • Klaus Scarmeloto

Em Defesa de Stalin Parte I

Atualizado: Abr 18

  • Apresentamos agora o texto de abertura do livro "Em defesa de Stalin", obra esta que será dividida em várias publicações.

Por Klaus Scarmeloto Fonte: https://www.cienciasrevolucionarias.com/pagina-de-produto/em-defesa-de-stalin-textos-biogr%C3%A1ficos


Aos 140 Anos do Camarada Stalin

  • Apresentamos ao público brasileiro mais uma obra que marca a história revolucionária do pai dos povos e líder da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, Josef Stalin. Desta vez reeditamos a obra do não comunista Emil Ludwig, publicada pela finada editora Calvino, ainda na primeira metade do século XX, bem como traduzimos uma série de obras com caráter de fontes primárias, como a biografia do PCUS de STALIN, editada pelo instituto MARX-ENGELS-LENIN de Moscou.


O Início

  • Josif Vissarionovich Djugachivili, nasceu em 21 de dezembro de 1879 data mais aceita na oficialidade soviética , período que consta nas biografias produzidas pela esquerda, inclusive, na oficial escrita pelo instituto Marx Engels Lenin de Moscou. A confusão sobre o dia de seu nascimento, em geral, deve-se ao fato de que diversas foram as datas declaradas por Stalin as autoridades czaristas em épocas de repressão.

  • Stalin faleceu em 5 de março de 1953, no sítio (dacha) de Kuntsevo, em Moscou, com 73 anos de idade.

  • No decorrer da luta revolucionária, conferiram o nome de “Stalin” a Josef, termo que significa “forjado do aço”. Este nome corresponde ao processo de reconhecimento popular e militante que Stalin obteve — como muitos outros revolucionários — antes do bolchevismo tomar o poder na Rússia.

  • Apesar de filho de um sapateiro, Josif se alfabetizou em casa e depois estudou numa escola religiosa muito rigorosa, sendo um dos melhores alunos, como seminarista do famigerado Seminário de Tíflis (Tbilissi). Dali sairia chutado, por portar o 1º volume do Capital de Marx, dentro da capa da Bíblia, como disfarce de leituras. Detinha na época 18/19 anos (1898). Como nada era fácil para Josef, o futuro “Stalin”, este capítulo de sua vida é rechaçado pelos historiadores burgueses e por seus inimigos em geral, que afirmam a impossibilidade de Josif, não formado em alemão, portar o exemplar daquela obra. Entretanto, naquela época, os doutrinadores russos do marxismo (1894) utilizavam o primeiro volume afim de mobilizar trabalhadores fabris em S. Petersburgo, Moscou e Kiev e o mesmo foi feito na Geórgia.

  • Para além dos muros seminaristas, Josif se uniu a aglutinados rebeldes, a margem da lei e perseguidos pela polícia, que o recebera, por cerca de uma década atuaram, e dali surgiram partidários georgianos que compuseram o destacamento especial. Naquela época, Stalin apesar de eleito para o comitê dirigente de TBLISSI, foi preso por dirigir um jornal clandestino e teve apreendidas as suas máquinas e materiais porque o barulho do equipamento podia ser ouvido de longe.

  • Enviado a prisão na Sibéria, Stalin escapa em 1904, retornando a Tbilissi. Tão somente com 25 anos de idade e uma mente muito liberta, mobilizou um conjunto popular revolucionário considerado muito combativo, com destaque de época. Roubaram bancos, transportes de dinheiro, trens, etc., gerando fundos para a revolução de 1904-05, particularmente destinados para os bolcheviques, entretanto, também para organizações combatentes.

  • Naquele contexto, a maléfica polícia política russa investigava listas de revolucionários afim de vigiar, prender e (em último degrau) matar. Os revolucionários eram taxados de “terroristas” e “praticantes da ação ilegal”. Devido ao extermínio da Narodnaya Voliá, os membros do POSDR se cuidavam para evitar a identificação como “terroristas” e não serem assassinados, ou encerrados em torres de vigilância impenetráveis, onde literalmente apodreciam, como a fortaleza de Pedro e Paulo. A construção dessa masmorra foi feita por determinação do czar Pedro, o Grande, com a finalidade de defender esta região dos ataques das tropas suecas, que dominavam o mar Báltico durante a Grande Guerra do Norte (1700 – 1721). A data de início da construção desta fortaleza — 27 de maio de 1703 (16 de maio no calendário juliano) — é considerada a data de aniversário da cidade.

  • Durante muitos anos as suas instalações foram utilizadas como prisão política. O centro do conjunto da antiga fortaleza é a Catedral de São Pedro e São Paulo. Este templo tem sido o local de sepultamento dos imperadores russos desde o tempo do czar Pedro, o Grande.

Alguns partidos como os social-revolucionários, perderam sucessivos destacamentos de combate, criados para proteger a sua ação e atacar as estrelas do czarismo. Stalin criou então um “destacamento” bolchevique para o “trabalho especial”, capaz de eliminar os quadros operacionais da polícia e ter a habilidade de ignorar os “peixes grandes”, que seriam deixados para uma rede “maior e futura”. Este “trabalho especial” de Stalin foi sempre subestimado e até ignorado, só sendo “descoberto” décadas depois de praticado. Stalin esteve como delegado em congressos do partido em Tampere, Londres (1905) e Estocolmo (1906), encontrando Lenin e outros dirigentes nesses congressos. Em 1912, seria incluído na direção do partido bolchevique, de certa forma um reconhecimento ao seu trabalho de organização bolchevique em Tíflis, Baku, Batumi, Tchiaturi e Kutaisi. Sosso (Stalin) havia constituído aí fortes redes de militantes no melhor espírito georgiano, capazes inclusive de confrontos armados com as forças da ordem. Quadros militantes como Kamo (Simon Arsha-ki), Stepan Shahumyan, Leonid Krassin (fornecedor de bombas) entre outros, mantinham as atividades bolcheviques na Geórgia, legais e ilegais, com potencial ativo. À época da revolução de fevereiro de 1917, os bolcheviques tinham 30 mil militantes com 10 anos ou mais de organização; e uma militância de 240 mil membros no partido. Era uma força social considerável, capaz de tornar objetivo o apoio de milhões de pessoas, como se comprovou nas eleições daquele ano. E Stalin, ao contrário do que veicula um discurso anti-estalinista, era um importante quadro do partido, membro da Comissão de Organização do mesmo, com centenas de quadros que aceitavam sua liderança, sendo delegado na redação do jornal Pravda. Não há, portanto, nada de extraordinário que Stalin se houvesse tornado um dos principais dirigentes bolcheviques depois, em 1922. E que se tornasse secretário geral do partido, em 1924, por proposta de Trotsky e Zinoviev.[1]
  • Tendo em vista a trajetória de Stalin, boa parte de seus escritos de juventude retratavam tarefas clandestinas, por isso, no primeiro volume de suas obras, encontram-se suas primeiras reflexões militares à luz das obras de Marx, Engels, Lenin, que o ajudaram a colocar Clausewits sobre seus pés. Clausewitz escreveu que a guerra enquanto tal não seguia as suas próprias leis, mas tinha que “ser observada como uma parte de uma outra totalidade. Essa totalidade é a política. Clausewitz pressupunha que a “política em si” unia e equilibrava todos os interesses da administração interna, os da humanidade e tudo o mais que a razão filosófica podia expressar. A política “não é nada em si, mas uma simples administradora de todos os interesses contra outros estados.

  • Ao relacionarem a guerra e a política com as classes, a luta de classes e os interesses de classes, Marx e Engels já tinham ultrapassado Clausewitz. Mas, Marx e Engels só podiam analisar a guerra e a luta de classes no contexto dos séculos XVIII e XIX, quando a revolução proletária ainda não se encontrava na ordem do dia. Não viram a 1ª Guerra Mundial, em consequência da qual amadureceu a revolução proletária, bem como as revoluções nacionais-democráticas na Ásia, África e América Latina, conferindo uma atualidade candente à questão guerra/luta de classes/revolução.

Não sabemos quando Stalin leu e o quê, que conhecimentos possuía destes escritos já em 1918, no início da Guerra Civil e de Intervenção. Stalin conhecia nesta época as obras de Marx e Engels, como resulta do contexto dos seus escritos até 1920. Também conhecia os acima citados artigos e discursos de Lênin de 1915 e sobre a paz de Brest. Podia por conseguinte refletir afirmações indiretas de Clausewitz, se se quiser em “segunda mão”. Lênin teve acesso às bibliotecas na Europa ocidental durante a sua emigração, enquanto Stalin, durante o período da sua luta na Rússia, na ilegalidade, em fuga, na deportação e nas prisões, teve um acesso limitado à literatura científica. Por isso é difícil fazer afirmações seguras sobre o que Stalin conhecia de literatura teórica militar neste período. No conjunto dos seus escritos até 1920 não pude encontrar nenhuma referência a Clausewitz. Nessa altura, Stalin só podia aproximar-se empiricamente da manifestação social da guerra. Com o método do materialismo dialético, que ele nesta altura já dominava, conseguia generalizar teoricamente as experiências da Guerra Civil e de Intervenção. A unidade dialética contraditória guerra/política/economia podia assimilá-la nas obras de Marx e Engels e aplicá-la nas suas análises aos acontecimentos na frente da Guerra Civil e de Intervenção. Assim, Stalin compreendeu a guerra enquanto uma totalidade na sua relação com a política e a economia, bem no sentido de Clausewitz, independentemente dos seus conhecimentos militares específicos. Isto era uma vantagem em relação a alguns militares profissionais que absolutização a normatividade própria da guerra face à política, se abstraíam da normatividade própria da política e assim corriam o perigo de cair em avaliações estratégicas manifestamente erradas. De grande importância para a teoria da guerra de Stalin foram os seus excepcionais conhecimentos sobre a questão nacional, que ele tinha adquirido e generalizado teoricamente nas suas atividades revolucionárias, principalmente no Cáucaso.[2]
  • Notório era que Stalin se esforçava para realizar as tarefas levadas a cabo entre os bolcheviques, liderados por Vladimir Ilitch Lenin (1896-1924) como principal dirigente bolchevique. Destarte, no poder (1922-1953) Stalin, assumiu o caráter de estrategista, tático e de teórico do partido, evidentemente, afirmando a sua visão de uma corrente predominante, que guiou o partido comunista da URSS, com todas as insuficiências, do período em tela (1924-1953).

Certas características do passado são difíceis de entender por pessoas jovens de hoje em dia. Graças à evolução sofisticada da mídia e outros processos de comunicação, a propaganda política e ideológica é agora apresentada como opinião do indivíduo singular. O “jornalista” ou “repórter” se disfarça de uma pessoa comum, talvez seu vizinho, que estivesse lhe dando apenas sua “humilde opinião” sobre “isso e aquilo”. Na verdade, trata-se de propaganda refinada e cuidadosamente apresentada como disfarce de opinião pessoal. Fala-se mal dessa atitude ou procedimento, dividindo o mundo em “gente do bem” e os “outros”, como se tratasse de mera “opinião pessoal”.[3]

Circundar o real para transformar o material

  • Como veremos melhor na obra de Anna Louise Strong (traduzida neste livro): um dos maiores méritos de Stalin foi codificar para si uma metodologia de captar a funcionalidade social para transforma-la. Stalin foi caracterizado por ver, ouvir, sentir e refletir a realidade, pois, somente assim, formulava dúvidas que lhe permitiam se apropriar dela, ou seja, ele primeiro aprendia com o real e depois o convertia na resolução mais justa das contradições, assim, ele transformava a realidade.

  • Dedicado e esforçado viveu toda sua vida sob a essência revolucionária e militante, por isso, era tido como intolerante com o inimigo, mas a verdade, é que, pessoalmente, Stalin era conhecido e reconhecido tanto pelo cidadão soviético quanto pelos emigrantes soviéticos por ouvir o povo: recebeu suas cartas, suas obras e as sintetizou, tão logo, forneceu respostas que levou satisfação a popular. Por isso, foi e é amado e admirado até hoje tanto na Rússia quanto no mundo todo, mesmo com o lixo revisionista e anticomunista que foi jogado em seu túmulo, cujo vento da história varreu e, tão logo, a Stalin absolveu.

  • Sempre esperto Stalin adiava seus confrontos taticamente. Acumulava forças para se preparar durante esses adiamentos. Compreendendo evidentemente os problemas da curta duração das ideias e da vida, entendendo ainda mais profundamente que nada é eterno, mesmo o bolchevismo. Stalin se sacrificou fortemente para gerar harmonia no alojamento da guerra empreendida para libertar a classe operária, que se expressou provisoriamente pelo nome de Estado socialista. Assim, teorizou sobre o fulcro de um partido de oprimidos que, ao tomar o poder, conseguia excluir a burguesia dele.

Quando excluiu a burguesia, viu-se então a braços com a reação imperialista internacional – no plano externo – e a reação doméstica das classes e camadas derrotadas. Estas queriam a qualquer preço reaver o poder. Marx chamava a atenção na Segunda Gazeta Renana para importância de criar-se uma aliança operário-camponesa que oferecesse base à revolução democrática. Stalin continuamente lutou para apoiar-se numa base ampla como essa. Continuou a teorizar e a aplicar o “quadro de forças” do camarada Lenin, com a perspectiva do plano estratégico de ação revolucionária e a ementa de suas evoluções possíveis. Com a derrota ampla das forças revolucionárias no pós-primeira guerra, Stalin e os seus viram-se pouco a pouco obrigados a “bater em retirada” dos desdobramentos internacionais e a entrincheirar-se na União Soviética como um campo fortificado. Ali, naquela sombria fase de 1936 — 41, os “stalinistas” temiam, sobretudo, uma nova invasão e a formação de um “governo dissidente”, dentro do território soviético, pelos invasores. A leitura da obra de Stalin quando no poder deve ser iluminada por esta luz. É como se Napoleão resolvesse escrever teoria no campo de batalha Waterloo, às nove horas da noite. Cai sobre a obra de Stalin uma sombra do isolamento e do cerco que ele sofria. No entanto, ao estudar seus textos sente-se a prática sócio-histórica de um grupo que ousava lutar, que ousava persistir e preparar dias melhores, refinando e reelaborando seus conceitos de estratégia, tática e arte operacional. Há, portanto, o que aprender na obra de Stalin. Nesse sentido, seus textos são parte interpretativa fundamental de uma época que já não pode ser vivida, mas que contém instruções e fórmulas que ficaram ali condensadas, capazes de servir de ponto de partida para quem tiver que vir a enfrentar situações similares. É notável – e um bom ensinamento – que Stalin e os seus tivessem ousado produzir sua interpretação da realidade e batizarem a sua “revisão do marxismo” de “doutrina marxista-leninista-estalinista”. Ao fazer sua interpretação (fato positivo), buscaram fecha-la a outros “remendos” (fato negativo), para impor a sua edição como o novo marxismo da época do imperialismo. Dessa forma, com sua ação extremamente pragmática, indicaram para os futuros dissidentes como se desfazer do próprio “estalinismo”. Stalin compreendia bem o caráter relativo do acerto e da duração de toda elaboração teórica e, portanto, do marxismo. Trata-se apenas de “um método para ação”. E não para a contemplação. A reprodução teórica, seja muito rica ou não, é aquela que homens reais, de dentro do processo da luta tem a possibilidade de elaborar. Não se pode ir à luta com a teoria que não se elaborou, mas apenas com a teoria que se logrou elaborar. A fidelidade ao objeto buscado e reconstituído faz parte da limitação da ação revolucionária como uma ação que é possível e que só pode ser praticada pela consciência possível dos seus autores e atores. [4]

A importância de defender o legado do camarada Stalin

  • Os obstáculos enfrentados diante da propagação do legado do camarada Stalin através da publicação de suas obras são, desde a década de 30 do século passado, o acrítico e contrarrevolucionário “antistalinismo”, onde numa só cruzada anticomunista unem-se, ao mesmo tempo, grandes capitalistas reacionários, magnatas da grande imprensa, fascistas, trotskistas, social-democratas, revisionistas e toda laia de oportunistas de direita e “esquerda” para atacarem Stalin e o legado da construção do socialismo na União Soviética e no mundo. Através de seus veículos de desinformação os anticomunistas espalham, por todos os cantos do mundo, as ditas “verdades absolutas” segundo a qual deve-se evitar todo e qualquer contato com o que possa cheirar a “stalinismo”. Afinal, foi o dito “stalinismo” que promoveu a “morte de milhões de pessoas em nome de uma ideia totalitária”, que “matou milhões de fome de forma arbitrária”, assim como a imposição da “coletivização forçada no campo”, que estancou o “desenvolvimento da economia”. Ou, indo pela visão da pretensa esquerda democrática e libertária (leia-se aqui trotskistas, liberais e pequeno-burgueses), foi o “stalinismo” que “desvirtuou o marxismo de seu espírito democrático e humanista” ou que “centralizou o poder nas mãos de uma cúpula burocrata que oprimia o povo e vivia de regalias”. Foi Stalin o “ditador” que estabeleceu um “regime opressor” que “não era como Marx e Engels queriam”. Afinal ele foi “irmão gêmeo de Hitler”, governando um sistema tão “totalitário e cheio de campos de concentração”, espalhando esta concepção da Albânia à Romênia, da China à Coreia Popular, do Vietnã ao Laos, isto é, onde existir as lutas pela libertação nacional estarão lá os anticomunistas para acusar os regimes como fruto do “Stalinismo” e, por isso, totalitário.

  • Não é necessário ir muito longe para averiguarmos o caráter contrarrevolucionário e dissimulado de todas estas “verdades”. Dentre os próprios antistalinistas — anticomunistas, oportunistas de “esquerda” e direita, revisionistas, pós-modernos e a socialdemocracia — estão, de um lado, aqueles que difamam Stálin, mas acabam por nos mostrar justamente o contrário, isto é, o caráter revolucionário e emancipador de seu governo — Anne Applebaum, anticomunista declarada — e, de outro lado, estão aqueles que reconhecem os méritos históricos da URSS e seu líder como essenciais para diversas conquistas do proletariado, das mulheres e na luta contra o racismo, como são os casos de Hanna Arendt (antes da Guerra Fria), Noberto Bobbio e Isaac Deustscher.

  • O biógrafo de Trotsky, Isaac Deutscher, possui todos os elementos para ser somente um combatente da “burocracia stalinista”, mas, ao contrário, reconhece os méritos históricos do responsável por liderar a nação que salvou o mundo do nazismo:

No decorrer de três décadas, o aspecto da União Soviética transformou-se completamente. O núcleo da ação Histórica do stalinismo é este: ele encontrou a Rússia que arava terra com arados de madeira e a deixou dona da Bomba atômica. Elevou a Rússia ao grau de segunda potência industrial do mundo e não se tratou apenas de uma questão de puro e simples progresso material e de organização. Não se poderia obter um resultado semelhante sem uma vasta revolução cultural, no decorrer da qual se mandou para escola um país inteiro para que recebesse uma instrução extensiva. (...) que sentido tinha condenar Stalin como teórico capitulacionistas do socialismo num só país, num momento em que a nova ordem social se expandia na Europa e na Ásia e a revolução quebrava sua casca nacional? [5]
  • Hannah Arendt, por sua vez, afirmou que o mérito de Stalin consiste no “modo completamente novo e cabal de enfrentar o conflito de nacionalidade, de organizar populações diferentes na base da igualdade nacional” algo que “todo movimento político e nacional deveria prestar atenção”[6]. Não muito diferente é a posição de Norberto Bobbio que se declarou “admirador da União Soviética e do seu líder, por ele definido como “muito sábio”[7]. No mesmo sentido afirmou Beneddeto Croce para quem a URSS era governada “por um homem dotado de gênio político”[8] e Laski acrescentava sobre “a introdução na fábrica, nos postos de trabalho de novas relações não mais fundadas no poder soberano dos proprietários dos meios de produção, o país guiado por Stalin surgira como o pioneiro de uma nova civilização”[9]. Seus méritos também foram reconhecidos por uma das lideranças do “mundo livre”, Winston Churchill, que afirmaria, antes do endurecimento causado pela Guerra Fria: “tenho grande admiração e respeito pelo valoroso povo russo e pelo marechal Stalin”[10]. Como se pode verificar, muitos foram os méritos de Stalin e, alguns deles, foram destacados por opositores do marxismo.

  • O golpe derradeiro para conclusão do processo de demonização da imagem de J. V. Stalin não foi dado por seus inimigos diretos Churchill, Roosevelt, Hearst, Hitler, etc. Na realidade, o auge do processo de difamação da imagem do grande dirigente bolchevique, foi a ocasião do relatório Secreto de Khrushchev. O revisionismo que avançou a partir de 1956, com o ataque à Stalin, forneceu um dos maiores combustíveis da Guerra Fria, a lenha de sua fogueira. Ao acatar as acusações, intelectuais e partidos comunistas de todo o mundo se deram ao luxo de esquecer quem derrotou Hitler e o nazifascismo e, também, abdicaram da analise científica da ideologia dirigente do processo histórico da luta pela melhoria de vida dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e das etnias que compunham a URSS. Entre as mentiras do Relatório, a mais grosseira afirma que a URSS estava despreparada militarmente para a guerra contra a Alemanha no decorrer da operação Barbarossa, devido a “má gestão stalinista”.

Alguns dados são eloquentes por si, se no primeiro plano quinquenal, o orçamento da defesa alcançava 5,4% das despesas totais do Estado, em 1941 o orçamento saltou para 43,3% das despesas “em setembro de 1939, por ordem de Stalin, o Politburo tomou a decisão de construir no ano de 1941 nove fábricas novas para a produção de aviões, no momento da invasão nazista, “a indústria tinha produzido 2.700 aviões modernos e 4.300 carros armados. A julgar por estes dados pode-se dizer de tudo, menos que a URSS tenha chegado despreparada para o trágico confronto.[11]
  • O argumento central do Relatório de Khrushchev, utilizado por trotskistas, anticomunistas, Socialdemocratas, revisionistas, reformistas, pós-modernos, etc., é a existência do “culto à personalidade”. O relatório aponta como causa ou fonte do culto à personalidade o narcisismo, a vaidade e a arrogância do líder soviético que exigia das massas uma prestação na forma de um culto. A propaganda anticomunista procura, a todo o custo, tornar a gratidão das massas soviéticas que demonstraram no apreço ao líder do processo de construção do socialismo, um processo de manipulação dos líderes socialistas sobre a população, que ao impor a “idolatria” aos dirigentes, esconderiam os problemas existentes, ponto de vista este adotado dos valores dominantes pelo revisionismo, que passa a combater as lideranças e o sistema socialista, posição materializada na recusa da experiência histórica da revolução proletária e o processo consequente da emancipação humana gerada pela Revolução de Outubro, acatando assim, objetivamente, a posição burguesa da condenação ao socialismo. A realidade é diversa disto, ou seja, este processo é objetivo, em épocas de guerra, crise e, sobretudo, barbárie, a personalização do poder tende a entrelaçar-se com a figura de um líder histórico. Isto ocorreu com Roosevelt, Churchill e diversos outros ícones que estiveram à frente durante as guerras dos países imperialistas. No socialismo, que nasce como superação consciente das crises e guerras imperialistas, os líderes são reconhecidos por estarem a frente de processo de transformação e, consequentemente, gratificados pelo seu povo. Sob o socialismo, há uma relação dialética entre o líder (representante máximo do Partido de vanguarda da revolução) e o povo; o primeiro serve as massas, dirige o processo revolucionário, a partir das necessidades concretas do segundo, e, também, das exigências concretas da construção socialista.

  • Como já se sabe, a revolução, em suas primeiras etapas, não é capaz de eliminar todas as leis do capitalismo e seus estigmas — algo já bem delineado por Marx[12] — nem possui forças produtivas o suficiente para colocar em vigor a premissa de Marx:

Numa fase superior da sociedade comunista, quando tiver sido eliminada a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, a oposição entre trabalho intelectual e manual; quando o trabalho tiver deixado de ser mero meio de vida e tiver se tornado a primeira necessidade vital; quando, juntamente com o desenvolvimento multifacetado dos indivíduos, suas forças produtivas também tiverem crescido e todas as fontes da riqueza coletiva jorrarem em abundância, apenas então o estreito horizonte jurídico burguês poderá ser plenamente superado e a sociedade poderá escrever em sua bandeira: “De cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades!”[13].
  • No socialismo em suas primeiras etapas “O Estado é necessário como órgão de defesa dos países socialistas contra a agressão imperialista dos países do campo capitalista”[14], o que significa que os envolvidos na organização deste órgão e, sobretudo, que desempenham a função de liderar o processo de derrota dos países colonizadores, possivelmente, serão gratificados, não só em seu território, mas em boa parte do mundo. Nos países capitalistas a personalização do poder e o culto derivado dele não é um fenômeno de exceção, mas uma regra que se reproduz de maneira bem mais acentuada, pois não só políticos são cultuados, mas celebridades fúteis, “artistas” e todos os bajulados da classe dominante que vivem do pão e circo. Basta retornar à história que ela nos dirá onde se cristaliza com maior intensidade o “culto”:

As pessoas comuns se dirigem a F. D. Roosevelt em termos ainda mais enfáticos declarando olhar para ele quase como se olha para deus (...), porém, com o início das hostilidades na Europa (...) Roosevelt impõe a reclusão em campos de concentração de todos os cidadãos americanos de origem japonesa. É uma presidência que, se por um lado goza de uma difundida devoção popular, por outro lado, faz gritar o perigo “totalitário”.[15]
  • Stalin, por sua vez, reprimiu tentativas de adulação desnecessária. Um destes acontecimentos remonta ao ano de 1938:

Sou absolutamente contra a publicação de “Histórias da infância de Stalin”. O livro abunda de inexatidões de fatos, de alterações, de exageros e louvores imerecidos. Alguns escritores amadores, escrevinhadores (talvez honestos escrevinhadores) e alguns aduladores levaram o autor a perder-se. É uma vergonha para o autor, mas um fato permanece um fato. Mas, isso não é o mais importante. O mais importante reside no fato de que o livro tem uma tendência de gravar nas mentes das crianças soviéticas (e do povo em geral) o culto à personalidade de líderes, de heróis infalíveis. Isso é perigoso e prejudicial. A teoria dos “heróis” e da “multidão” não é Bolchevique, mas uma teoria Social-Revolucionária. Os heróis fazem o povo, transformam a multidão em povo, assim dizem os Social-Revolucionários. O povo faz os heróis, assim respondem os Bolcheviques aos Social-Revolucionários. O livro joga água no moinho dos Social-Revolucionários. Não interessa que livro traga água ao moinho dos Social-Revolucionários, este livro será afogado na nossa causa comum Bolchevique.[16]
  • Outra ocasião memorável, e já difundida entre os comunistas, data-se da oposição que o próprio Stalin fez em relação a mudança da ideologia que permeia a Constituição do Estado socialista: “Quando Kaganóvitch lhe propõe substituir a expressão marxismo-leninismo pela marxismo-leninismo-stalinismo, o líder ao qual é dirigida tal homenagem responde: “vocês querem comparar o caralho com a torre de bombeiros”.[17] Durante as comemorações da vitória sobre o nazismo em ocasião da Conferência de Potsdam onde Churchill e Truman festejavam um culto a seus respectivos países e, sobretudo, as suas lideranças sobre a Berlim massacrada e destruída pela guerra, Stalin, ao contrário de seus inimigos, “sem fazer barulho, chegou de trem, ordenando até Jukov que cancelasse qualquer plano de dar-lhe as boas-vindas com uma banda militar e uma guarda de honra” [18]. No mesmo sentido ele repreende, quatro anos mais tarde, em ocasião de seu aniversário, Malenkov:

Ele [Stalin] convoca Malenkov e lhe avisa: “Não venhas na frente honrar-me de novo como uma ‘estrela’. “Mas, camarada Stalin, num aniversário desses! O povo não entenderia”. “Não te refiras ao povo. Não tenho a intenção de brigar. Nenhuma iniciativa pessoal! Entendeu?“ “É claro, camarada, mas os membros do Politburo são da opinião... “Stalin interrompe Malenkov e declara o assunto encerrado.[19]
  • Como ficou demonstrado, a tentativa de reduzir à imagem do líder soviético a um déspota narcisista, que intencionalmente manipulou toda a estrutura de um gigantesco Estado, para satisfazer a um desejo subjetivista, estabelecendo assim um processo religioso à sua figura, se desfaz diante dos fatos. Mas ainda assim, a grande indústria da propaganda imperialista conseguiu lograr êxito com essa tática.

  • O papel do Relatório Khrushchev foi indispensável para o sucesso do imperialismo, sua principal característica foi permitir aos inimigos do marxismo um canal para expressar, mundialmente, uma convergência metodológica mesmo com fundamentações e intenções distintas dentro da direita e, também, da esquerda. O impacto deste relatório era inesperado até mesmo para os percursores da Guerra Fria antissoviética e serviu, na realidade, para colocar, no poder, o embrião do processo de dissolução do bloco socialista que estava se formando: o revisionismo. Ao atacar Stalin, atacava-se Lenin e, desta forma, todo a sustentação teórica e prática da grande Revolução de Outubro. A partir, deste momento, o imperialismo e sua agência de inteligência, passaram a atuar ainda mais intensamente no combate ideológico anticomunista aproveitando-se da confusão instalada por Khrushchev. Pouco a pouco, os intelectuais que antes saudavam o heroico Uncle Joe da II Guerra Mundial, passam a compará-lo a Hitler, para assim, ampliar a criação abstrata da identidade entre a Alemanha nazista e a União Soviética, do campo de concentração nazista (konzentrationslager) com a prisão russa (Gulag). Aqui a propaganda anticomunista chega ao seu ponto primordial, explora a imagem comum entre ambos países, antros do totalitarismo, para assim vender a idílica democracia liberal burguesa como a única via possível. As comparações atuam de maneira eficiente, porque exploram as falhas do cérebro na hora de criar padrões, bastando qualquer generalidade para realizar a analogia e depois sacralizar a igualdade dos dois objetos, fazendo da mentira, por repetição, uma verdade inquestionável.

  • Tendo em vista o objetivo de desmontar o anticomunismo tanto oriundo da “esquerda” como na direita, vale a pena mencionar um pouco de uma rotina numa fábrica da época. É notório o fato de que no país de Stalin “os trabalhadores são chamados a julgar seus chefes”, a modernização promovida no período Staliniano permitiu decisões vindas de baixo, contrariando a lógica da Rússia Czarista, o poder disciplinar capitalista que cria sobretrabalho já se tornaram, pela primeira vez na história da humanidade, não absolutos! Em 1938 mais de 87 % dos trabalhadores deixaram as fábricas em que trabalhavam, sem qualquer receio de serem, necessariamente, punidos. Ao refletir este contexto prático das fábricas da URSS não é possível fundamentar a ideia de totalitarismo. Na Rússia Czarista havia vigorado o mandamento de soberania ao dono da fábrica, sendo dele a prerrogativa de legislar seus preceitos de trabalho, sendo, por isso, “totalitária” de fato, não se aplicando ao período de Stalin que já trazia em seu bojo o socialismo em construção.

As costumeiras analises do totalitarismo fazem abstração total dos lugares de produção, e já por essa razão elas se tornam unilaterais e superficiais. Se acabarmos com essa abstração total e indevida, a categoria de totalitarismo aparece em toda a sua inadequação: não nos ajuda a compreender uma sociedade que na sua fase final, [...] é uma verdadeira anarquia nos locais de trabalho, abandonados com toda tranquilidade pelos seus empregados que, mesmo quando estão presentes, parecem comprometidos numa espécie de greve branca, aliás, tolerada: é esta a impressão que dão, um pouco perplexas e um pouco admiradas, as delegações operárias e sindicais em visita a URSS dos últimos anos. Na China [...], no setor público continuavam a vigorar costumes que foram assim descritos por um jornalista ocidental: “até o último servente [...], se quiser, pode decidir não fazer absolutamente nada, ficar em casa por um ou dois anos e continuar a receber o salário no fim do mês” [...]. “Os ex-empregados do Estado [...] chegam uma hora antes” e se ausentam frequentemente [...]. E os dirigentes e os técnicos que procuram introduzir no local de trabalho disciplina e eficiência são obrigados a enfrentar não só resistência e a indignação moral dos empregados (é uma infâmia a multa dada a um operário que se ausenta para assistir a mulher!) [...]. É muito difícil descrever essas relações com base na categoria de “totalitarismo” [...], o que caracteriza o dia a dia é um regime que está muito longe do totalitarismo.[20]
  • Como se pode ver, quanto mais recuamos na história, sobretudo, na rica totalidade de fontes que ela nos oferece, a categoria de totalitarismo se dissolve na sua completa impropriedade de descrever a rotina da sociedade soviética como pertencente a mesma sistemática da Alemanha nazista, sobretudo, há um abismo colossal que separa a União Soviética de Stalin do Ocidente Liberal e do nazifascismo do Eixo. Estas análises trazem a ausência, proposital dos países liberais com o nazismo. Comparar, neste sentido, a URSS com a Alemanha é, no mínimo, fugir da história, sobretudo, porque o próprio anticomunismo nos sugere, facilmente, análises para desmontar o mito de que Gulag era um campo de Concentração. Convém mencionar que as prisões soviéticas tinham estruturas melhores que as periferias do capitalismo na atualidade, sem dúvida alguma, isto se deve a revolução, embora o objetivo das prisões e do cárcere fossem sempre o de ressocializar, tal premissa não pode ser conquistada sem uma revolução de caráter democrático, isto é, a promessa pode até ser encontrada nas pautas da revolução burguesa na França em 1789, mas sua efetivação, evidentemente, não pode ser realizada pela sociedade burguesa, mas, somente, na revolução proletária. Em 1921 na prisão moscovita de Butyrka:

Os presos podiam fazer o que quisessem na prisão. Organizavam sessões matinais de ginástica, fundaram uma orquestra e um coro, criaram um “grêmio” que dispunha de periódicos estrangeiros e boa biblioteca. Conforme a tradição (remontando aos tempos pré-revolucionários), todo preso deixava seus livros quando era solto. Um conselho dos prisioneiros designava celas para todos, algumas das quais eram muitíssimos bem supridas de tapetes no chão e tapeçarias nas paredes. Outro preso lembraria que “flanávamos pelos corredores como se fossem bulevares”. Para Berta, a vida na prisão parecia inverossímil: “Será que eles não conseguem nos prender a sério?” [21]
Em outras localizações relatos mais impressionantes vem à tona, em 1924, em Savvatievo no arquipélogo de Soloveckia, outra prisioneira fica gratificada ao encontrar na prisão um local bem longe de parecer um presídio, os prisioneiros políticos encontravam alimentos em grande quantidade, de boa qualidade em excesso e roupas à vontade. Além disto, havia também, teatro, uma biblioteca com mais de 30.000 volumes e um jardim para prática de botânica. Isto é, melhor seria morar em uma prisão na União Soviética, do que numa periferia controlada pela polícia nos Estados Unidos. A vida no “campo de concentração Soviético” mostra certa brandura acolhendo pedidos que nenhuma prisão, na atualidade, faria. A direção de Gulag, sem hesitar, permitiu que a dieta dos vegetarianos fosse cumprida à risca. Precisando de hospitais, os administradores dos campos os construíam e ainda implantavam sistemas para treinar presos como farmacêuticos e enfermeiros. Precisando de comida, estabeleciam suas fazendas coletivas, seus armazéns e seus sistemas de distribuição. Precisando de eletricidade, instalavam usinas de força. Precisando de material de construção, criavam olarias. Precisando de trabalhadores qualificados, treinaram os que tinham. Boa parte da mão-de-obra que fora kulak era analfabeta ou semi-alfabetizada, o que acarretava enormes problemas quando se lidava com projetos de relativa complexidade técnica. Assim, a administração montou escolas técnicas, que por sua vez exigiam novos edifícios e novos quadros: professores de matemática e física, bem como “instrutores políticos” para supervisionar o trabalho desses docentes.321 Na década de 1940, Vorkuta - uma cidade construída sobre o permafrost, onde todo ano as estradas tinham que ser repavimentadas e as tubulações, consertadas - já ganhara um instituto geológico, uma universidade, teatros e cinemas, teatros de marionetes, piscinas e creches. [22]
  • O Gulag, cumpria o objetivo comunista como qualquer outra instituição soviética, isto é, emancipar a civilização e a humanidade. Mesmo com o Estado de Exceção em curso, com as desordens da guerra civil em andamento, o perigo com a ascensão do nazifascismo, do cerco imperialista e o estourar da segunda guerra mundial, nada pôde impedir os soviéticos no plano interno de concretizar reabilitações dos presos políticos. As atividades em curso para isto variavam, mas sempre se ligavam desde o estimulo ao trabalho até meios de sublimação como salas cinematográficas, círculos de leitura e discussões. Vemos, portanto, o totalitarismo se transformar em uma mera dissimulação anticomunista.

  • As prisões, assim como as relações sociais, são reflexos de uma ideologia, o sistema carcerário soviético não pode ser julgado sem que se considere a ideologia no comando. O sistema soviético dirigido por Stalin, pode até ser acusado de trazer prejuízos em algumas ocasiões pelos imperativos do desenvolvimento das forças produtivas, como foi o caso da ilha Nazino. Ao contrário do que acontece nos países imperialistas, nas residuais colônias e semicolônias, o terror na prisão na URSS, foi um fenômeno de exceção, que a propaganda anticomunista tenta a todo o custo transformar em regra, mas infelizmente, as excepcionalidades só confirmam as rotinas. Mas, há de se ter em mente, que para os dias de hoje, as prisões soviéticas soam excessivamente revolucionárias, atingindo objetivos úteis para a nação e promovendo o bem-estar social que nunca foi conquistado em nenhuma prisão dos países capitalistas e, sobretudo, nas, ainda existentes, semicolônias do Imperialismo.

O sistema carcerário reproduz as relações da sociedade que o exprime. Na URSS, dentro e fora do Gulag, vemos fundamentalmente, em ação uma força em função da superação do atraso secular, tornada mais urgente ainda pela proximidade de uma guerra que, por declaração explicita do Mein Kampf, quer ser de escravização e de aniquilamento. Nesse quadro, o terror da URSS se entrelaça com a emancipação de nacionalidades oprimidas, bem como uma forte mobilidade social com acesso a instrução a cultura, e até a postos de responsabilidade e de direção por parte de extratos sociais até aquele momento totalmente marginalizados. A preocupação produtivista e pedagógica e a mobilidade conexa se fazem notar, para bem e para o mal até dentro do gulag. O Universo Concentracionário nazista reflete, ao contrário, a Hierarquia em base racial que caracteriza o Estado racial já existente e império racial a edificar. Neste caso, o comportamento concreto dos indivíduos detidos desempenha um papel irrelevante ou bastante marginal. Portanto, a preocupação pedagógica não teria sentido. Em conclusão. O Detido no Gulag é um potencial “camarada” obrigado a participar em condições de particular dureza no esforço produtivo dentro do país e, depois, de 1937 é um potencial “cidadão”, embora se tenha tornado sutil a linha de demarcação do inimigo do povo e do Membro da quinta coluna, que a guerra total no horizonte, ou já em curso, impõe que se neutralize; o detido no Lager nazista é, em primeiro lugar, o Untermensch marcado para sempre pela colocação ou degeneração racial. [23]
  • Quaisquer comparações entre estas duas realidades não são apenas desonestas, mas completamente descabidas; não se sustentam ao estudo científico da história do século XX. Esses são alguns dos exemplos de como se estruturou os principais pontos de apoio da propaganda anticomunista para — a partir do seu gigantesco aparato midiático mundial —, buscar desacreditar o socialismo pela calunia e difamação da figura de J. V. Stalin, concentrando assim o ataque ao marxismo-leninismo, ao materialismo histórico e a rica experiência histórica da primeira revolução proletária da humanidade e o grande processo de emancipação iniciado em outubro de 1917, que levou a dezenas de povos a se levantar contra o colonialismo e o imperialismo para lutar pela libertação nacional e pela independência.

  • Como aponta Ludo Martens, “a obra de Stalin é de uma candente atualidade para todos os povos que se encontram engajados no combate por sua libertação da dominação imperialista”.[24] O estudo criterioso da obra de J. V. Stalin, longe de ser tarefa meramente acadêmica, nem tampouco fonte para pinçar citações isoladas para defender posições dogmáticas, é uma necessidade imperativa a todos aqueles que se pretendem marxista-leninistas. Se apropriar da rica experiência da Revolução Russa e da produção teórica de um dos seus dirigentes mais destacados, compreender a luta ideológica travada entre os bolcheviques e outras correntes danosas à luta do proletariado, a organização do partido revolucionário de novo tipo, do processo de tomada do poder, da construção da economia socialista, da luta contra o nazifascismo, em suma, nas páginas das obras de Stalin se encontram um registro histórico das questões candentes do movimento revolucionário russo desde o seu surgimento até o início da segunda metade do XX.


O homem que a burguesia odeia com razão

  • Em sua obra, por meio de suas conversas com Stalin, Emil Ludwig descreve um homem totalmente oposto a todos os dados biográficos atuais que tentam tornar Stalin um monstro, paranoico que, por ser degenerado, haveria de ter matado milhões, ainda que ao mesmo tempo fosse responsável pelo crescimento da população soviética.

  • A obra de Ludwig é promissora justamente por se tratar de uma obra que, ao mesmo tempo que desfaz os mitos ocidentais acerca de Stalin, goza de prestígio justamente por ser escrita por um não comunista. No entanto, se por um lado a obra desmente com argumentos e fatos concretos as biografias ocidentais de Stalin, sobretudo aquelas que costumam compara-lo a Hitler, também faz demasiadas considerações não científicas, isto é, opiniões do autor, que são frutos de observação subjetiva das aparências dos grandes quadros históricos, o que se faz presente, sobretudo, quando enxerga em Trotsky qualidades que nunca a ele pertenceram.

  • Mesmo com possíveis problemas, a obra merece destaque por seu testemunho inigualável, porque sem defender os preceitos comunistas, o autor consegue mostrar o quão admirável é a construção do socialismo do primeiro Estado operário existente, e como sua tendência realmente emancipou muitos trabalhadores e camponeses tanto em seu território, como inspirou cartas de direitos em todo o mundo. É inevitável não se atrair por um país que desenvolve uma grande potência sem sequer explorar outros povos como é o caso do ocidente.

  • Cumpre ressaltar que a obra de Ludwig segue o contra fluxo geral de sua época, e também nada na contramaré se comparada as atuais obras sobre Stalin. É verdade que o Georgiano já era muito atacado em vida, sobretudo pela imprensa burguesa e pelos nazifascistas

  • Há de se salientar evidentemente que não se faz necessário ser comunista para reconhecer a importância da revolução russa, do papel que ela cumpriu para o mundo de inspiração para todos os trabalhadores vítimas do capital, basta ser honesto, e este é o caso da obra de Emil Ludwig. Embora não se procure esconder, em momento algum, elogios aos algozes de Stalin, em nada se compromete o valor e o peso de um não comunista elogiar a URSS, seu líder e sua história, que, por ser verdadeira, pode ser reconhecida por todos que carreguem consigo o germe da veracidade. Ainda, neste sentido, os relatos históricos, que reconhecem tais valores como reais, advindo de não comunistas, ou ainda, de liberais, ganham peso grande a se considerar, isto é, não é necessário ser comunista para reconhecer que o governo de um país comunista preza seu povo e o bem-estar dele, basta ser integro, sincero e verdadeiro. Neste sentido, não há nada de mais completo que a Obra de Ludwig, que sequer se omitiu de elogiar os algozes de Stalin, diante do mesmo. O surpreendente, é que as narrativas ocidentais, burguesas e reacionárias, podem objetar que quem o fizera, morto seria, no entanto, Ludwig nos prova o oposto, isto é, que Stalin não só tolerava o debate democrático como lidava com ele da maneira mais equitativa possível, sem silenciar seus oponentes, ou desafetos.

  • Ludwig, embora traga dados não científicos que devem ser filtrados pelos leninistas ao ler sua obra, cumpre papel de suma importância ao dissociar Stalin dos nazistas, tanto em teoria, como na prática, e sobretudo, enquanto metodologia para ação, sua principal base é rigorosa analise dos sistemas institucionais soviéticos e dos nazifascistas, o resultado não poderia ser outro, senão a total distinção entre ambos. Enquanto os soviéticos olhavam para o futuro e davam direitos as mulheres, aos negros e aos trabalhadores, o ocidente e o nazifascismo seguiam caminhos totalmente opostos e opressores escravizando tanto os trabalhadores, como as mulheres, os povos de cor colonizados.

  • Certamente, trata-se de leitura fundamental a todos que se pretendem leninistas, e se o próprio Lenin, em seu estudo Imperialismo: fase superior do capitalismo, utiliza-se com maior frequência de fontes não marxistas para provar que as leis gerais do capitalismo tomaram outra forma, cumpre ressaltar que é porque esse método possui mais força probatória, e que certamente trará, ao leninismo, uma boa forma de trabalhar e refutar todos aqueles que pretendem defender, ainda que não diretamente, o imperialismo. Portanto, a leitura de Ludwig certamente permitirá construir caminhos para combater as versões pró-imperialistas de difamações a Stalin.


A Metodologia de Stalin

  • Na obra uma curta biografia, biografia oficial do PCUS sobre Stalin, vemos a trajetória das principais obras e posições de Stalin ao longo de sua vida, que servem tanto de resumo para seus principais estudos como guia que nos permite redescobrir a verdade revolucionária sobre o período pioneiro do socialismo científico, conhece-la é uma tarefa coletiva que incumbe a todos os comunistas do mundo.

  • Esta verdade revolucionária é resgatada por nós para resultar na confrontação das fontes, dos testemunhos e das análises burguesas. A contribuição dos marxista-leninistas soviéticos, os únicos que podem ter acesso a determinadas fontes e testemunhos, será fundamental, o seu trabalho é hoje feito nas mais difíceis condições.

  • Um complemento de suma importância a esta biografia do PCUS, faz-se com o texto de Anna Louise Strong sobre Stalin e seu método de governo. Anna, como já mencionado, demonstra a metodologia de Stalin que consiste em ouvir, aprender e só assim ensinar as massas, similar ao processo de resolução justa das contradições mais tarde explorado pelo camarada Mao Zedong. No entanto, Stalin não teve a chance de sistematizar essa metodologia e outras que lhe conferem o caráter de originalidade: o método para impedir as guerras de Tipo mundial, e, por fim, como elevar o paradigma marxista a fases cada vez mais superiores, tarefa levada a cabo pelo maoísmo, pela ideia Juche posteriormente como demonstra a história.

  • Muito embora tenha sido o único revolucionário bolchevique a perceber a perspicácia de Lenin que, para combater o imperialismo, fez o marxismo, pelo bolchevismo, chegar ao leninismo, portanto, a fase superior da doutrina marxista, Stalin, não teve tempo de fazer o mesmo que Lenin e acabou reduzindo a si mesmo como um dos seus discípulos. Logo, é de suma relevância extrair isto de seus escritos e completa-lo sempre tendo em mente que a elevação da teoria é o único caminho que permite a manutenção revolucionária e deve ser realizada porque a dinâmica da realidade de cada formação social exige esse processo o tempo todo, na medida em que fornece novas questões sem resposta nas teorias precedentes. Sobre este ponto cumpre salientar: Marx, Engels jamais pretenderam explicar como se faz uma revolução em cada formação social concreta, mas sim o que permite a execução de uma revolução em suas leis gerais. Assim, sendo mais específico, o socialismo científico procurou dizer o que fazer, mas jamais poderia responder à questão de como fazer concretamente a revolução em cada país, isto porque cada formação social possui suas particularidades. O bolchevismo criado por Lenin e Stalin, foi original, justamente, porque deu respostas a pergunta: “como fazer uma revolução na formação social russa?”, e, para isto, criaram uma nova ideologia e, portanto, um novo paradigma político. Dessa forma, a primeira etapa do processo revolucionário, consistiu em responder essa indagação e a criação de uma linha teórica que se convencionou chamar de bolchevismo, entre janeiro de 1905 a outubro de 1917. O bolchevismo, entretanto, após a revolução de outubro, foi elevado pelo LENINISMO, sistematizado sabiamente por Josef Stalin. E conseguiu, aos poucos, responder a seguinte questão: como elevar a revolução russa as demais republicas exploradas pelo império Czarista? Da resposta a esta pergunta, nasceu a UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS.

  • Assim, o Leninismo, já em vias de sistematização, pôde ser útil a todos os povos eslavos. E pôde também os defender da fúria expansionista do terceiro reich. O leninismo, logo em seguida, aumentou a capacidade do socialismo científico sobre o que fazer para realizar uma revolução, novamente, entretanto, sem a pretensão de responder à questão de como chegar neste resultado em todos os países, já que também pôde perceber que isto dependeria das condições particulares de cada formação social. Como Lenin teria instruído ao povo Chinês:

“vocês têm diante de si uma tarefa que até agora os comunistas ainda não haviam enfrentado em nenhuma parte do mundo: se apoiando na teoria e na prática do comunismo, vocês tiveram que adaptá-las a condições particulares inexistentes nos países europeus e tornar-se capazes de aplicar teoria e prática às condições específicas, nas quais a maioria da população é formada por camponeses, e nas quais a tarefa é a luta não apenas contra o capitalismo, mas também contra os resquícios da Idade Média”.[25] E novamente: “vocês têm que encontrar formas específicas para esta aliança dos primeiros proletários do mundo com as massas trabalhadoras e exploradas do Oriente, cujas condições de vida são, em muitos casos, medievais”.[26]
  • Disso compreenderam que a forma da luta de classes levará o socialismo a vencer num ou em poucos países, o que foi pouco explorado na obra de Marx e Engels. O paradigma leninista deu novas respostas e mais explicações em relação ao paradigma de Marx e Engels, sua elevação não resguarda qualquer tipo de refutação.

  • Dentro desse contexto, o camarada Stalin nunca cometeu os erros do qual é constantemente acusado pelo trotskismo, pelo nazifascismo, pela socialdemocracia, pelos monopolistas, pelos teóricos do atual movimento identitário, ou ainda, pelo pós-modernismo, em suma, pelas expressões, em maior ou menor medida, da ideologia burguesa, mas, infelizmente, não pôde sistematizar a tempo as diversas originalidades de sua própria obra.

  • Assim, após a vitória exclusivamente soviética da segunda guer­ra mundial, uma vitória, sobretudo, comunista, nasceu a necessidade de se teorizar os novos aportes que permitiram tal façanha, qual a teorização mais atual que possibilitou aquele conjunto de ações vitoriosas e, portanto, na descrição desse processo demonstrar como se eleva novamente a teoria, a partir do substrato capaz de lançar as bases de um novo paradigma que já se encontravam na obra de Stalin. Se o leninismo significou a fase superior do marxismo, estava na hora de fazer o mesmo com o Leninismo. Stalin não pôde faze-lo, e penso, que estes motivos abaixo ajudam a entender o porquê:

  • 1) Porque não conseguiu em tempo hábil extrair a partir de seu nome de guerra “STALIN” ─ que significa forjado no aço ─ um conceito que definisse a fase superior do leninismo e que lhe fizesse justiça sobre o arcabouço teórico inédito por ele criado;

  • 2) Não conseguiu, também, extrair um conceito derivado do seu nome de guerra que pudesse definir o povo soviético nacionalmente;

  • 3) Devido ao significado reacionário, trotskista e revisionista atribuído ao termo “stalinismo”, Stalin perdia grande tempo em seus escritos para explicar que ele era a continuação do paradigma de Lenin, e isto não permitiu que ele pudesse colocar a questão de como superar seu próprio mestre e nem uma possível ressignificação do termo “Stalinismo” ou uma “derivação”;

  • 4) Pela existência de uma oposição inculta, incrédula e capitulacionista, que era a quinta coluna fundida já a CIA, após 1945, tornou-se muito difícil a realização deste debate, que era travado pela burocracia de membros como Kruschev que ocupavam Stalin com pedidos pessoais e reuniões excessivamente desnecessárias para propor desonestidades combatidas por Stalin, como o pedido absurdo de Kruschev de absolvição de seu filho e o fuzilamento dos envolvidos no julgamento dele, o que Stalin negou e isso lhe custou a vida, como sugere Bill Bland ;

  • 5) Stalin se limitou a discípulo de Lenin, e isto não lhe permitiu revelar a extensão total de sua originalidade;

  • 6) Acreditou que o leninismo como estava, era suficiente para garantir a estabilidade do futuro da transição ao socialismo e do partido na URSS quando, na realidade, elevações teóricas, principalmente diante de avanços reais, são um aglomerado de motivos para estimular o nascimento de um novo paradigma;

  • 7) Não teve tempo de perceber que o culto à personalidade, aquele que lhe fazia sair a público toda semana para dissuadi-lo, na realidade, era um movimento espontaneísta de energia das massas que deveria ser direcionado pelo partido para a elevação da teoria leninista. Todos estes elementos constituem uma lacuna que, possivelmente, se preenchida, teria impedido o retrocesso na URSS.

  • Esta lacuna cessou a criação de uma etapa superior do leninismo em termos de ideologia na URSS. Assim, infelizmente, por si só, sem se elevar, e parir um herdeiro, o leninismo não estava totalmente apto tanto a se defender e a criar hegemonia, porque não possuía uma ideologia derivada ou filha que viesse a construir mais pilares para resistir aos ataques, e, assim, impedir o revisionismo de entrar no poder.

  • O leninismo ao fim da era Stalin foi insuficiente na criação de uma ideologia hegemônica no partido que viesse para barrar qualquer tentativa de desestabilização nacional em termos ideológicos, por isso, nas condições em que se encontrava, não deu a substância para impedir o oportunismo de se apossar do partido. Podemos refletir e criticar Stalin pelo contexto descrito, mas a realidade é que a história não pede licença ao pensamento e nem a ação. Logo, estava na hora de elevar o leninismo a uma fase superior, para protege-lo com novos princípios e reforços, afim de formar a ideologia dos cidadãos forjados do aço, com a moral erguida por quem foi capaz de vencer praticamente sem apoio a segunda guerra, e encher o partido com novos quadros enfatizados por este espírito e assim toma-lo.

  • Já se refletia no povo a vontade de mudança nas inúmeras homenagens espontaneístas, tal qual na ocasião em que o povo soviético sugeriu inserir na constituição soviética o termo “Marxismo-Leninismo-Stalinismo”, tema que depois se tornou uma famosa conversa entre Stalin e Kaganovitch ─ presente em suas memórias e comentado anteriormente neste texto ─, que foram interpretadas como culto à personalidade pelo próprio camarada Koba e, portanto, descartadas. Infelizmente, Stalin não percebeu ou não pôde por falta de tempo criar condições de aproveitar o valor dessas manifestações e converte-las (ou direcioná-las) em motivação para a criação da fase superior do Leninismo. Isso evitaria a linha kreuchevista de obter sucesso, por exemplo, porque já havia uma identidade nas ações do povo com o homem “forjado do aço” que deveria servir de base para a criação de uma nova ideologia, com formulações ainda mais originais e revolucionárias.

  • Por conseguinte, um problema possível que Stalin não pôde enfrentar, independentemente dos motivos, ao contrário do que dizem os seus algozes, foi o de se limitar a mero sistematizador e discípulo de Lenin, por isso, e pelos motivos já apontados, não cunhou a fase superior do leninismo como uma nova ideologia que, teórica e praticamente, pudesse, entre outras coisas mais, defender como vanguarda o próprio Leninismo na URSS dos ataques revisionistas, isto é, como se fosse seu filho ou seu herdeiro direto e guardião.

  • Não há qualquer dúvida de que aqueles que querem defender os ideais do socialismo científico e do comunismo, deverão pelo menos fazer o mesmo que Lenin fez para defender marxismo, isto é, criar uma elevação teórica do marxismo e sua defesa a partir de uma nova ideologia de reforço que configure um novo paradigma e forneça mais explicações a problemas novos não enfrentados pelas gerações anteriores, o que não pode se resumir a um problema de aplicação do leninismo como muito é comum se verificar entre os leninistas.

  • Todas as organizações comunistas e revolucionárias pelo mun­do estão obrigadas, sob pena de duras derrotas, a reexaminar as impressões e os julgamentos que formularam depois de 1956 sobre a obra de Stalin e defendê-la com a criação de ideologias anti-imperialistas e comunistas novas, que deem respostas emancipadoras aos problemas mais atuais enfrentados pela classe trabalhadora ─ sendo o ataque a Stalin um deles ─ em suas respectivas formações sociais particulares e locais.

  • Jamais se deve reduzir as derrotas da classe trabalhadora mundial e dos partidos comunistas, a uma questão de aplicação do marxismo-leninismo, pois, embora o desconhecimento, ou o oportunismo, acarretem em consequências graves, e exemplos disto na história não faltam, apenas ter razão nunca foi o suficiente.

  • Acima de tudo, os revolucionários devem se comprometer com uma defesa eficiente do marxismo-leninismo, devem protege-lo e reivindicar o seu lugar na história como guardião da civilização, mas, também, como uma ideologia predecessora necessária a criação de um novo aporte ideológico capaz de atuar sobre os problemas novos.

  • Ninguém fugirá a esta sorte depois de mais de 50 anos de denúncias imbecis contra o “stalinismo”, com a desestalinização que é o processo de restauração do capitalismo que tenta dar fim a todas os feitos de Stalin, e, também, de Lênin, de igual modo, tornou-se, desde Kruschev, persona non grata na atual e ocupada União Soviética.

  • Com o enterro de Stalin, e com enterro da vontade criadora de ideologias que defendam o leninismo, também desaparece, pouco a pouco, da face da terra meios de combate ao nazifascismo que ressurgente junto do ocidente imperialista.

  • Esta curta leva de coletâneas biográficas, vem concebida como um relato da vida e obra de Stálin e, ao mesmo tempo, com uma homenagem aos seus 140 anos, justamente, para lhe fazer justiça, mostramos como a história o Absolveu e deve ser respeitada.

  • E nesta pequena edição, que será dividida em vários volumes, estamos com o propósito de abordar frontalmente os ataques contra Stalin a que estamos mais habituados: tais como o suposto “testamento de Lenin”, a coletivização falsamente chamada de imposta, a burocracia esmagadora, o aniquilamento da velha guarda bolchevique, as grandes purgas, a industrialização forçada, a aliança com Hitler, a sua incompetência na guerra, etc. Nela cumpre desmontar certas “verdades” sobre Stalin, aquelas que são sintetizadas milhares de vezes em frases da imprensa, nos cursos de “História”, nas entrevistas que, por assim dizer, entraram como mensagem subliminar no subconsciente, e jamais abordam a totalidade de fontes que poderiam lhes negar a razão de suas hipóteses e, portanto, erradicar-lhes o fundamento teórico acerca de uma das figuras mais importantes do século XX.

  • Nesta obra vemos um Stalin, totalmente, avesso a imagem comumente divulgada, sobretudo, pelo anticomunismo de esquerda, vemos aqui um Stalin contra o patriarcado, favorável aos direitos humanos, contra o subjugar da raça negra e a opressão de tipo nacional e colonial. Algo que é amplamente reconhecido na obra de WEB DU BOIS, também aqui traduzida sobre Stalin, por uma das maiores autoridades do movimento negro Estadunidense. Durante anos os revisionistas lançaram-se para derrotar Stalin. Uma vez que, Stalin, pilar central de defesa do leninismo, estivesse derrotado, Lenin cairia liquidado num só golpe. Khruchov voou sobre Stalin. Gorbatchov o mesmo fez, levou aos longos anos da sua glasnost uma forte agressão contra o leninismo, e para hoje confessar abertamente que viveu motivado pela queda do comunismo. Quem reparou que a destruição das estátuas de Lenin não foi antecedida de uma publicidade política contra a sua obra? A propaganda contra Stalin foi a integração que faltava para matar Lenin. Uma vez atacadas, denegridas e demolidas todas as ideias políticas de Stalin constatamos, simplesmente, que se tinha posto fim no mesmo momento às ideias de Lenin[27].

  • Bill Bland, nos brinda com uma bela análise de quando teria começado o processo que corroborou com a queda da URSS. Sua tese é de que o revisionismo era majoritário antes mesmo da morte de Stalin, e que este revisionismo o levou a morte, prendeu seu filho e, também, obrigou sua filha a capitular contra seu pai para se manter viva.. Khruschev, mesmo antes do relatório secreto começou sua obra destruidora intercedendo a Stalin que salvasse seu filho das penas pela capitulação ao nazifascismo. Para se vingar de Stalin, Kruschev realizou sua artimanha e por diversas vezes se gabou de tê-lo matado. Afirmava que criticava os equívocos de Stalin com o objetivo de restaurar o leninismo na sua ideia original a fim aperfeiçoar o sistema comunista. Gorbatchov fez as mesmas promessas demagógicas para desorientar as forças de esquerda.

  • Hoje temos de reconhecer a prova do crime: sob o pretexto de retornar a Lenin e do mais habitual “retorno a Marx” aconteceu o retorno ao czar e ao reacionarismo. Esse reformismo com a desculpa de “aperfeiçoar o comunismo”, restaurou boa parte do capitalismo selvagem e deixou a URSS ocupada. A esquerda anticomunista leu algumas obras cristalizadas pela adoração às atividades da CIA e dos serviços secretos ocidentais. Sabem, os imperialistas, que a guerra hibrida é um ramo à parte e extremamente importante da guerra total mundial que deixou de existir também graças a Stalin. A difamação, a dispersão, o entorpecente mental a pilhagem, a exploração de antagonismos, a exacerbação das contradições, a demonização do inquerido, a imputação de crimes ao adversário são táticas comuns dos serviços secretos ocidentais. “Democraticamente”, desde 1945, o imperialismo financia meios exorbitantes nas guerras hibridas anticomunistas, guerras militares, guerras clandestinas, guerras políticas e guerras psicológicas, e atualmente, guerras cibernéticas e controle das emoções.

  • Não é evidente que a campanha anti-Stalin esteve no centro de todos os combates ideológicos contra o socialismo? Os porta-vozes oficiais da máquina de guerra americana, Kissinger e Brzezinski, enaltecem as obras de Soljenítsine e de Conquest, que por curiosidade são autores queridos entre os sociais-democratas, os trotskistas e os anarquistas. Em vez de “descobrir a verdade sobre Stalin”, não seria melhor se esses especialistas do anticomunismo revelassem os meandros da guerra hibrida e política conduzida pela CIA?

  • Não é por mero acaso que, em quase todas as publicações burguesas e pequeno-burguesas da atualidade, encontramos calúnias e mentiras que se podiam ler durante a guerra na imprensa nazista.

  • É um sinal de que a luta de classes à escala mundial é sempre áspera e de que a grande burguesia convoca suas tropas para a defesa, sem medida, da sua “democracia.

  • As campanhas antistalinistas promovidas pelas “democráticas” economias ocidentais em 1989-1991 são mais fatais e mentirosas que as conduzidas nos anos 30 pelos nazistas. Assim, já não há as grandes realizações comunistas dos anos 30 para fazer contrapeso às calúnias. Já não há forças políticas significativas para tomar a defesa da experiência soviética sob Stálin. Quando a burguesia clama a derrota definitiva do comunismo, está a se aproveitar da falência do revisionismo para reafirmar o seu ódio à obra grandiosa realizada por Lenin e Stalin. Mas, ao fazê-lo, está a pensar mais no futuro do que no passado.

  • A burguesia quer fazer crer que o marxismo-leninismo está definitivamente enterrado porque percebe perfeitamente a atualidade e a vitalidade da análise comunista. A burguesia dispõe de uma grande abundância de quadros capazes de fazer avaliações científicas sobre a evolução do mundo. Também encara a possibilidade de crises maiores, revoltas de amplitude planetária e guerras de todo gênero. Após o restabelecimento do capitalismo na Europa de Leste e na União Soviética, todas as contradições do sistema imperialista mundial se exacerbaram.

  • Face aos abismos do desemprego, da miséria, da exploração e da guerra que se abrem diante das massas trabalhadoras do mundo inteiro, o marxismo-leninismo poderá mostrar o caminho da salvação. Sem o marxismo-leninismo é impossível fornecer às massas trabalhadoras do mundo capitalista e aos povos oprimidos do Terceiro Mundo as armas da sua libertação. Todo o chinfrim sobre o fim do comunismo visa apenas desarmar as massas oprimidas do mundo inteiro para as grandes lutas futuras. A defesa da obra de Stalin, que é no essencial a defesa do marxismo-leninismo, é uma tarefa atual e urgente para enfrentar a realidade da luta de classes sob a nova ordem imperialista mundial. A obra de Stalin é de uma candente atualidade, tanto nos antigos países socialistas como nos países que mantêm a sua orientação socialista, tanto nos países do Terceiro Mundo como nos países imperialistas[28].


Notas

  1. [1] NASCIMENTO, W.B. Apud in “Stalin Obras Completas Volume 1”. Editora Raízes da América, São Paulo. 2015. Pag. 9,10 [2]URICH, Huar. Contribuições de Stáline para a Ciência Militar e Política Soviética:<http://www.hist-socialismo.com/docs/Huar_Staline_Militar_%20I.pdf>. Acesso em 20 de Dezembro. [3] NASCIMENTO, W.B. Apud in “Stalin Obras Completas Volume 1”. Editora Raízes da América, São Paulo. 2015. Pag. 11. [4] idem. Pag. 14. [5] DEUTSCHER, 1972, pag. 167, 169. Apud LOSURDO, Domenico. Stalin: História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. P. 10. [6] ARENDT, 1986, pag, 99. idem. 12. [7] BOBBIO. 1997, pág. 89. Idem P. 11. [8] CROCE, 1993, vol. II, pp, 33, 34 e 178. Apud: idem. [9] LASKI, 1948, pág. 39, 42. Apud in: idemaRio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 13. [10] CHURCHILL, 1974, pág. 7290. Apud LOSURDO, Domenico. Stalin: História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 15. [11] LOSURDO, Domenico. Stalin: História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 22. [12] O fato de que os trabalhadores queiram criar as condições da produção coletiva em escala social e, de início, em seu próprio país, portanto, em escala nacional, significa apenas que eles trabalham para subverter as atuais condições de produção e não têm nenhuma relação com a fundação de sociedades cooperativas subvencionadas pelo Estado! No que diz respeito às atuais sociedades cooperativas, elas só têm valor na medida em que são criações dos trabalhadores e independentes, não sendo protegidas nem pelos governos nem pelos burgueses. Nosso objeto aqui é uma sociedade comunista, não como ela se desenvolveu a partir de suas próprias bases, mas, ao contrário, como ela acaba de sair da sociedade capitalista, portanto trazendo de nascença as marcas econômicas, morais e espirituais herdadas da velha sociedade de cujo ventre ela saiu. (...) Entre a sociedade capitalista e a comunista, situa-se o período da transformação revolucionária de uma na outra. A ele corresponde também um período político de transição, cujo Estado não pode ser senão a ditadura revolucionária do proletariado. (...)Aqui impera, é evidente, o mesmo princípio que regula a troca de mercadorias, na medida em que esta é troca de equivalentes. Conteúdo e forma são alterados, porque, sob as novas condições, ninguém pode dar nada além de seu trabalho e, por outro lado, nada pode ser apropriado pelos indivíduos fora dos meios individuais de consumo. No entanto, no que diz respeito à distribuição desses meios entre os produtores individuais, vale o mesmo princípio que rege a troca entre mercadorias equivalentes, segundo o qual uma quantidade igual de trabalho em uma forma é trocada por uma quantidade igual de trabalho em outra forma. Por isso, aqui, o igual direito é ainda, de acordo com seu princípio, o direito burguês, embora princípio e prática deixem de se engalfinhar, enquanto na troca de mercadorias a troca de equivalentes existe apenas em média, não para o caso individual. Apesar desse progresso, esse igual direito continua marcado por uma limitação burguesa. O direito dos produtores é proporcional a seus fornecimentos de trabalho; a igualdade consiste, aqui, em medir de acordo com um padrão igual de medida: o trabalho. Mas um trabalhador supera o outro física ou mentalmente e fornece, portanto, mais trabalho no mesmo tempo ou pode trabalhar por mais tempo; e o trabalho, para servir de medida, ou tem de ser determinado de acordo com sua extensão ou sua intensidade, ou deixa de ser padrão de medida. Esse igual direito é direito desigual para trabalho desigual. Ele não reconhece nenhuma distinção de classe, pois cada indivíduo é apenas trabalhador tanto quanto o outro; mas reconhece tacitamente a desigualdade dos talentos individuais como privilégios naturais e, por conseguinte, a desigual capacidade dos trabalhadores. Segundo seu conteúdo, portanto, ele é, como todo direito, um direito da desigualdade. O direito, por sua natureza, só pode consistir na aplicação de um padrão igual de medida; mas os indivíduos desiguais (e eles não seriam indivíduos diferentes se não fossem desiguais) só podem ser medidos segundo um padrão igual de medida quando observados do mesmo ponto de vista, quando tomados apenas por um aspecto determinado, por exemplo, quando, no caso em questão, são considerados apenas como trabalhadores e neles não se vê nada além disso, todos os outros aspectos são desconsiderados. Além disso: um trabalhador é casado, o outro não; um tem mais filhos do que o outro etc. etc. Pelo mesmo trabalho e, assim, com a mesma participação no fundo social de consumo, um recebe, de fato, mais do que o outro, um é mais rico do que o outro etc. A fim de evitar todas essas distorções, o direito teria de ser não igual, mas antes desigual. Mas essas distorções são inevitáveis na primeira fase da sociedade comunista, tal como ela surge, depois de um longo trabalho de parto, da sociedade capitalista. O direito nunca pode ultrapassar a forma econômica e o desenvolvimento cultural, por ela condicionado, da sociedade. MARX, Karl. Crítica ao Programa de Gotha. São Paulo: Boitempo Editorial, 2012. Pag. 27,28, 36. [13] Idem. Pág. 28. [14] A função econômica ativa do Estado socialista é condição necessária para a utilização das leis econômicas pela sociedade socialista, no interesse dos trabalhadores. Desenvolvendo as teses de Marx, Engels e Lenin elaborou a teoria do Estado socialista. O socialismo, como fase primeira e inferior do comunismo, representa uma sociedade tal como. “Apenas acabou de sair da sociedade capitalista e que, por isso, em todos os sentidos, no econômico, moral e intelectual, conserva ainda os estigmas da velha sociedade, de cujas entranhas saiu.” Manual de Economia Política da Academia de Ciências Econômicas da URSS. Instituto de Economia. Rio de Janeiro. Editora: Vitória, 1961. Pág. 480. [15] LOSURDO, Domenico. Stalin: História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 42-43. [16] Carta de J. V. Stalin. Sobre publicações para crianças, dirigida ao Comitê Central da Juventude Comunista de Toda a União. 16 de fev. de 1938. [17] LOSURDO, Domenico. Stalin: História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 42-43. [18] IDEM. Pág. 44. [19]Ibidem. [20]Ibidem. [21] APPLEBAUM, Anne. GULAG Uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos. São Paulo: Ediouro. Pag. 37. [22] IDEM. Pag. 92. [23] LOSURDO, Domênico. Stalin História Crítica de uma Lenda Negra. Rio de Janeiro: Revan, 2010. Pág. 166. MARTENS, Ludo. Stalin: Um Novo Olhar. Rio de Janeiro: Revan, 2003. Pág. 24. [25]. V. I. Lenin, “Diretiva ao Segundo Congresso de Toda Rússia, das Organizações Comunistas dos Povos do Oriente”, Edições em Línguas Estrangeiras, Moscou, 1954, página 24. [26]. Ibid., página 25. [27] MARTENS, Ludo. Stálin: um novo olhar. Rio de Janeiro: Revan, 2015. Pag. 15 [28]Idem.








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