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  • Klaus Scarmeloto

O Antistalinismo a Serviço de Franco

Atualizado: Jul 6


Trecho do Livro A atualidade de Stalin, Disponível em <https://www.cienciasrevolucionarias.com/pagina-de-produto/a-atualidade-de-stalin-klaus-scarmeloto> Por Klaus Scarmeloto

Abaixo publicamos dois artigos que demonstram de maneira contundente como o antistalinismo ajudou os fascistas na guerra civil espanhola, mostrando arquivos descobertos na Rússia, Espanha, Embaixada espanhola no Peru, Alemanha e EUA, somados a alguns depoimentos pessoais recolhidos em livros de anarquistas, confissões de membros do POUM, e memórias de fascistas da Itália sobre os incidentes envolvendo o golpe de Franco, além das memórias de soviéticos que trabalhavam na inteligência, inclusive insuspeitos de Stalinismo. Portanto, duas linhas historiográficas existem para se compreender o papel do antistalinismo no apoio as forças fascistas na Espanha, há os que argumentam que a colaboração foi direta e os que argumentam que a colaboração foi indireta. A primeira corrente, que defende que houve colaboração direta, iniciou-se com George Sória, que depois teria confessado que esta linha de pensamento estava baseada em falsificação, no entanto, ele não demonstrou como se deu esse processo de armação, sendo, por este motivo, cedo para nós descartarmos 100% sua documentação como fonte. Já a linha mais forte entre os leninistas, hoje defendida por Grover Furr, afirma que a colaboração dos antistalinistas foi, tão somente, indireta, isto é, eles foram manipulados, mas sem consciência disso. Furr, culpa Trotsky pelos incidentes e o responsabiliza por ter enganado os militantes do chamado POUM. O Antistalinismo a Serviço de Franco

Durante a chamada "revolução ou guerra civil espanhola"os antistalinistas atuaram contra a frente popular, isto é, o governo anterior ao regime fascista de Franco que tinha realizado uma aliança com o Partido comunista da Espanha. A experiência da situação política na Espanha republicana durante a guerra, e o estudo diário dos problemas que surgiam, levam a sentença de que os antistalinistas foram, quase sempre, um dos instrumentos mais importantes que os rebeldes espanhóis utilizaram em sua luta contra o legítimo governo espanhol anterior ao franquismo. O Trotskismo espanhol danificou o combate da Segunda República Espanhola contra o fascismo, assim, constantemente, cada ato era seguido de slogans ultra-esquerdistas, por exemplo: “A burguesia não pode ser um aliado contra o fascismo”, “somente a revolução proletária pode ser uma força mobilizadora suficiente para levantar a população na retaguarda de Franco”, “o proletariado é irreconciliavelmente oposto à democracia burguesa” e assim sucessivamente. Cometendo erros clássicos do esquerdismo, tal qual achar que pode derrotar todos os inimigos de uma só vez, os antistalinistas atrapalharam devidamente todo o combate ao fascismo. Para os trotskistas, tratava-se de conciliação de classes evitar que os setores da classe média, a pequena e média burguesia, ficassem sob influência do monopolismo que, cada vez mais, arrastava-se ao fascismo.


Naquele período, os trotskistas, estavam organizados num aparelho sectário contrarrevolucionário que teve a coragem de se denominar 'Partido dos Operários da Unidade Marxista' (POUM), que era dirigido por Joaquim Maurin (que tinha antes deixado o Partido Comunista sob uma argumentação nacionalista direitista) e Andréas Nin. Na melhor das hipóteses o P.O.U.M. serviu indiretamente, ou seja, inconscientemente aos interesses fascistas, e na pior resolução atuou consciente em conluio com o fascismo, diretamente e subjetivamente, mas devemos lembrar que nesta época não se sabia de fato a extensão do mau que os fascistas eram, portanto, é necessário passar longe de uma demonização.

A primeira leva de provas abordadas serão as diretas. Em 1935, o POUM foi formado como uma oposição comunista à forma "stalinista" de comunismo promovida pela União Soviética, pelos revolucionários Andreu Nin e Joaquín Maurín. Nin foi fortemente influenciado pelo pensamento de Leon Trotsky, particularmente sua tese da Revolução Permanente. O P.O.U.M resultou da fusão da Oposição de Esquerda do Partido Comunista (Esquerda Comunista Trotskista da Espanha) e da Oposição de Direita (Bloco de Trabalhadores e Camponeses). Essa aliança ia contra a vontade de Trotsky, com quem a esquerda comunista da Espanha rompeu. A nós cabe tornar públicos os fatos nos quais a convicção se baseia, nossa tese central é de que, pode-se provar que os membros do P.O.U.M., agiram indiretamente favoráveis a todos os inimigos soviéticos, muito embora exista uma leva de evidências que tenta provar que agiam em conluiou direto. E será instrutivo descobrir se há pessoas ansiosas para defender o P.O.U.M. diante das provas que se colocam a seguir:


Papeis policiais, documentos, relatórios oficiais de interrogatórios que falam por si acusam o POUM e seus líderes de ter mantido, e de manter, relações com os rebeldes, foram apresentados a mim. Eles provam a ligação do POUM com as organizações secretas de onagem que os rebeldes mantêm no governo espanhol. Isso aparecerá antes do julgamento dos líderes trotskistas. A busca, iniciada após os distúrbios causados pelo POUM em Barcelona em maio de 1937, levou à descoberta de documentos que indiscutivelmente estabeleceram as atividades de onagem em que os principais líderes do POUM estavam engajados. Esta busca ainda está acontecendo. O promotor público da República e seu assistente-chefe têm trabalhado intensamente nos autos do caso. Em algumas semanas, a justiça será feita. Esta notícia é reconfortante para todos os amigos da Frente Popular Espanhola, pois então toda a campanha da Imprensa Fascista, alimentada pelos argumentos dos trotskistas e seus aliados, será claramente revelada como um complô contra a República Espanhola. A tentativa do POUM de desmantelar as organizações antifascistas remonta à formação da Frente Popular Espanhola. Desde a sua formação em Madrid, a 2 de Junho de 1935, o POUM, através dos seus dirigentes, Maurin, Nin e Gorkin, lutou e intrigou contra a Frente Popular que estava destinada a ter sucesso nas eleições gerais alguns meses depois e a lançar o clerical e reação agrária fora do poder. Depois dos dois anos de terror que a Espanha acabara de vivenciar, o desejo do proletariado e da pequena burguesia das minorias nacionais oprimidas era unir-se contra as forças da reação. Naquela época, o POUM tinha apenas cerca de 2.000 membros e não se atreveu a se manifestar abertamente contra as crescentes forças da Frente Popular. Mas a burguesia reacionária e a aristocracia já haviam descoberto que o POUM e suas ligações com potências estrangeiras poderiam ser transformados em um instrumento contrarrevolucionário muito útil. Devido às condições das lutas políticas na Espanha neste período, a linha divisória que separava as forças populares de centro da direita era tão distinta que as classes dominantes não podiam elas mesmas empreender o trabalho de desorganização da Frente Popular. Eles precisavam de um grupo confiável, que estaria ligado a eles por considerações especiais, como as concessões que eles poderiam fazer uma vez que tivessem alcançado o poder, para liderar uma luta contra a Frente Popular, uma luta que teria um ar de revolução. Apenas uma organização que pudesse penetrar nas fileiras da Frente Popular, adotando uma fraseologia revolucionária, poderia desempenhar esse papel sem ser exposto. O documento reproduzido a seguir, encontrado durante uma busca feita nos bairros fascistas de Barcelona, é a prova dos primeiros contatos da organização trotskista com a reação. Esta é uma carta de um advogado catalão para Gil Robles, que como Ministro da Guerra durante o governo Lerroux foi a personificação da opressão contra a classe trabalhadora.
“MEU CARO GIL ROBLES,
“Um amigo de Barcelona, o advogado José Maria Palles, que por sua posição e interesses viaja frequentemente ao exterior, onde mantém importantes ligações com o mundo internacional, me fez saber que pretende chegar a um acordo entre as organizações russas brancas e os trotskistas, que seriam capazes de colocá-los em contato com as atividades dos comunistas contra a Espanha ... ”
A seguir estão algumas das questões às quais os Russos Brancos e os Trotskistas se propõem a dar respostas exatas:
“(1) Informação sobre a seção espanhola da Terceira Internacional, sobre os dirigentes desta seção, seus assessores e seus movimentos.
“(2) Informação sobre a atividade ilegal do PC na Espanha.
“(3) Informações sobre a formação da Frente Popular e os partidos de esquerda na Espanha.”[1]

Os trotskistas gradativamente mostraram sua verdadeira face. Tendo adentrado a luta contra os governos que se sucederam até 19 de julho de 1936, eles foram obrigados, uma vez que a insurreição dos generais foi suprimida em dois terços da Espanha pelas forças populares, a retomar após um breve atraso a luta contra o Gabinete Caballero. Eles estavam comprometidos com uma política de sabotar a Frente Popular, e essa política os levaria à insurreição e à traição. O Golpe de Estado de julho de 1936 foi facilitado pelos trotskistas, e foi dirigido contra o governo da Segunda República Espanhola, cujo parcial fracasso levou à Guerra Civil Espanhola e, derrotada a República, ao estabelecimento do regime franquista, que permaneceu no poder na Espanha até 1975. A Guerra Civil Espanhola era uma guerra civil que aconteceu de 1936 a 1939. Os republicanos leais à esquerda ligados a Frente Popular pelo governo da Segunda República Espanhola, lutaram contra uma revolta dos nacionalistas, uma aliança de falangistas, monarquistas e conservadores, liderados por um grupo militar entre os quais o general Francisco Franco logo alcançou um papel preponderante. Um membro da divisão "Lenin de Huesca" do POUM afirmou o seguinte: "Estávamos acostumados a jogar futebol com os fascistas ali em baixo na planície. Eram Bons Companheiros. Eles nos convidaram a passar o fim de semana em Zaragoza e Jaca, e prometeram que nos deixariam voltar."[2]. Este depoimento confirma com exatidão a os fatos apresentados por Soria.

Os trotskystas foram, com absoluta impunidade, de provocação em provocação e, finalmente, permitiram o golpe de Barcelona, enquanto em Madrid os membros mais importantes de sua organização, trabalhando de mãos dadas com os "centros de espionagem fascistas, davam diariamente aos militares inimigos informações sobre a posição das tropas, a situação das fortificações. O escritor George Orwell lutou ao lado de membros do Partido Trabalhista Independente como parte das milícias POUM; ele contou a experiência em seu livro Homenagem à Catalunha. Da mesma forma, o filme Terra e Liberdade, dirigido por Ken Loach, conta a história de um grupo de soldados do POUM lutando na guerra na perspectiva de um membro britânico do Partido Comunista Britânico. Em particular, o filme trata de sua desilusão com as políticas da União Soviética na guerra, uma bela aula de guerra híbrida.

No decorrer de 16 de junho de 1937, um mês antes do golpe de Franco, a polícia republicana espanhola, por mandado do Ministro do interior, levou sob custódia os líderes do POUM, Nin, Gorkin e Andrade, e os acusou de traição. “As provas contra Nin em particular eram de tal natureza que as relações da organização com os rebeldes não estavam mais em dúvida. No decorrer de uma busca feita na Embaixada do Peru em Madri, foi descoberta uma massa dos documentos mais sensacionais e incriminadores”[3]. A prisão de todos eles pegou o grupo desprevenido. Assim, “os falangistas e fascistas não conseguiram destruir seus papéis antes de serem presos, pois a polícia havia trabalhado com cautela e inteligência. Eles estiveram na trilha por mais de um mês, reunindo evidências e acompanhando os acontecimentos antes de atacarem”[4].

Não diferente do padrão de atuação mundial dos trotskystas, na Espanha ficavam a reboque do inimigo. “Também foi descoberto que os líderes do POUM, em cooperação com a Quinta Coluna de Franco, haviam instalado uma estação receptora e transmissora em Madrid e a usavam para manter contato com a zona fascista”[5]. A forma de atuação dessa organização seguia um padrão sistemático, “cujo funcionamento era estritamente secreto, havia encontrado cobertura para alguns de seus membros mais importantes em algumas das embaixadas estrangeiras em Madri e havia conseguido até então mantê-los protegidos da polícia”[6]. A prova de sua existência foi documentada amplamente e “entre os documentos encontrados na Embaixada do Peru estavam planos mostrando as posições exatas das baterias antiaéreas em defesa de Madri e das baterias republicanas na Casa del Campo; planos de distribuição do exército do centro”[7], além desses utensílios foram encontrados: “mapas do estado-maior e muitos outros planos de caráter tão estritamente militar que não havia dúvida de que haviam sido tirados do quartel-general. Havia também um mapa detalhado em grande escala de Madrid, cuidadosamente anotado com ins­truções para a artilharia fascista”[8]. Assim podemos afirmar que a cumplicidade dos dirigentes trotskistas na grande organização de espionagem foi amplamente demonstrada, do qual eles nunca deixaram de fazer parte.

No dorso de um desses mapas da região de Madrid estava gravado em tinta invisível e em código, o seguinte: “Ao Generalíssimo comunique pessoalmente o seguinte: Estamos dizendo a você todas as informações que podemos coletar sobre as disposições e movimentos das tropas vermelhas; as últimas informações fornecidas por nossa estação transmissora atestam uma enorme melhoria em nossos serviços de informação”[9]. A mensagem continua:


“Temos 400 homens à nossa disposição. Esses homens estão bem armados e favoravelmente situados nas frentes de Madri, para que possam constituir a força motriz de um movimento rebelde. Sua ordem de fazer nossos homens penetrarem nas fileiras extremistas foi executada com sucesso. Devemos ter um bom homem encarregado da propaganda. No cumprimento da ordem que me deu, entre outras coisas, fui a Barcelona entrevistar os dirigentes do POUM dei-lhes todas as vossas informações e sugestões. O lapso de comunicação entre eles e você é explicado pela quebra da estação transmissora, que começou a funcionar novamente enquanto eu estava lá. Você já deve ter recebido uma resposta para a pergunta mais importante. N. pede que você providencie para que eu seja a única pessoa a se comunicar com eles além de seus’amigos estrangeiros. Eles me prometeram enviar pessoas a Madrid para melhorar o trabalho do POUM. Se for reforçado, o POUM aqui se tornará, como em Barcelona, um apoio firme e eficaz ao nosso movimento. Em breve estaremos lhe enviando algumas informações novas. A organização dos grupos de ação será acelerada”[]0].

Como se vê, o centro de operações era bem organizado e com objetivos bem delimitados. A diante segue o texto de uma carta capturada na sede do POUM em Barcelona, destinada ao líder máximo do POUM, Andrés Nin. É dele a provável nomenclatura “N”. O conteúdo da carta diz:


“Baiona, 12 de julho de 1937, ao Comitê Executivo do POUM. Confirmo minhas instruções anteriores. Por fim, a divisão acentuou-se entre os grupos dos Pirenéus mais baixos que já mencionamos. Se pudermos tirar proveito dessa dissensão, poderemos formar um novo grupo de nosso próprio partido. Os melhores do grupo, entre eles Walter e Bobinof, cuja influência é particularmente forte, discordam dos de St. Jean de Luz porque se recusam a enviar pessoas em uma missão precária antes de terem instruções completas. Devemos obter a devida autorização, embora o pessoal da Baiona só tome medidas se estiver bastante confiante nos resultados. Uma coisa é particularmente interessante: eles nos enviam material de Barcelona, e vários e todos os tipos de indicações das quais podemos reunir a distribuição do partido; prosseguiremos tentando formar um grupo absolutamente firme e decidido em todas as questões... A esposa de Franco está agora na França. Você deve se lembrar que em uma comunicação anterior foi sugerido que ela deveria ir para Barcelona. Que oportunidades isso nos daria no assunto que Bonet discutiu com Quim? Insisto, entretanto, que é vitalmente necessário apoiar material e ideologicamente este grupo que pode ser de tão grande utilidade para nós; mas para isso você deve garantir que Walter vá para Barcelona. C. já estabeleceu contato com Perpignan. Onde estou hoje, é difícil ter notícias com certeza. Você deve acusar o recebimento de tudo isso por telégrafo e me informar se pretende agir a respeito. Salut e POUM.
Assinado: “IMA.”

O documento apresentado constituía, segundo Soria, apenas uma das muitas provas da colaboração dos dirigentes do POUM com os agentes de Franco. A seguir, por exemplo, uma das declarações publicadas pelo Prefeito de Polícia de Barcelona em 20 de agosto de 1937, após a descoberta de um centro secreto do POUM na rua Bailen 158, em Barcelona. “A dona da casa, Carmen Llorenis, e sua filha Maria Antonia Salines e o alemão Walter Schwarz foram presos. Publicações secretas do POUM foram descobertas nas instalações, bem como propaganda fascista.”[11]

O comunicado infere: “está provado que os detidos cruzaram várias vezes a fronteira francesa, estiveram em contacto com os agentes de Franco”[12].

No decorrer de 23 de outubro de 1937, o Chefe da Polícia de Barcelona, tenente. Coronel Burillo, oficial do Exército Regular, que se destacou na defesa de Madri por sua notável energia e pela luta que travou contra o espírito de derrotismo, convocou uma conferência de representantes da imprensa internacional e deu-lhes o seguinte comunicado, o conteúdo dos quais seguem abaixo, e que também estabelece a cumplicidade do POUM com os rebeldes espanhóis:


“A polícia descobriu uma organização de caráter militar, que, dirigida pelo estado-maior dos rebeldes, estendeu suas atividades a todo o território da República, e especialmente à Catalunha.
“Esta organização introduziu seus agentes nos centros vitais do Exército — infantaria, artilharia, tanques — Força Aérea e Marinha. Enviou informações secretas ao inimigo sobre a preparação e planos de nossas operações militares, sobre aeródromos e posições de tropas, sobre suprimentos de munições e várias atividades militares, tanto na linha de frente quanto na retaguarda.
“Para direcionar os movimentos desses espiões que trabalham em território republicano e para fazer um uso melhor e mais rápido das informações que coletam, o ex-general Franco organizou uma seção do serviço secreto de seu estado-maior em Perpignan. Esta seção do serviço secreto em Perpignan estabelecera contato com as organizações de espionagem por meio de agentes de ligação que mantinham comunicações regulares entre Perpignan e as diferentes cidades da República. Como resultado da busca que fizemos, estamos agora em posse de uma série de papéis, com as assinaturas dos presos, contendo informações secretas de caráter militar que deveriam ser transmitidas ao inimigo.
“Os depoimentos dos presos, assim como os documentos encontrados, mostram que a organização também estava envolvida na sabotagem e que pretendia destruir importantes edifícios militares, pontes, arsenais, etc., e que estava planejando o assassinato de alguns de os principais membros do Governo e os líderes do Exército.
A busca, efetuada na casa da Roca, um dos dirigentes da organização, revelou, entre dois colchões, alguns documentos de extrema importância que, com os depoimentos da própria Roca, mostram que um dos centros mais importantes desta organização de espionagem era composta por um grande e bem organizado grupo muitos dos quais eram membros do POUM. Este grupo tinha como sinal distintivo a letra C e cada um dos seus agentes na rede de espiões era designado pela letra C e um número correspondente”.[13]

É importante comentar, que muitos tentam obstruir essa documentação, alegando que Soria, comunista francês da terceira internacional, teria confessado que se tratava de falsidade, mas Soria, limitou-se a afirmar que a falsificação residia sobre “a história do desaparecimento de Andrés Nin, o fundador do POUM, onde foi libertado da prisão por agentes fascistas. Soria então culpa o NKVD pela morte de Nin, que é o que ele descartou como uma extensão para a arena internacional dos métodos que constituíam o aspecto mais sombrio do que desde então foi chamado de stalinismo”[14].

Disso, pode-se ter certo que apesar de Soria alegar que as acusações da liderança do P.O.U.M, incluindo Nin, serem espiões fascistas não tinham provas, ele ainda culpava o P.O.U.M por tomar uma posição de ultraesquerda e minar a frente popular na Espanha, que ainda prestava serviço de fato aos fascistas. Em outras palavras, mesmo que os trotskistas e ultra-esquerdistas no P.O.U.M fossem completamente inocentes de todas as acusações e não fossem agentes da Gestapo ou de Franco, eles “apenas” ofereceram de fato, e não de jure, serviço a Franco.

Até que haja evidências mais objetivas de que Georges Soria denunciou seus artigos e os documentos que citou neles como falsificações, e também a demonstração de como esses documentos foram falsificados ou plantados, não há razão para “rejeitá-los” da consideração como evidência. Embora Soria posteriormente tenha alegado que as acusações contra a liderança do POUM foram sem fundamento e não havia nenhuma evidência para eles, ele não demonstrou isso diretamente implicando que, pelo menos, parte da obra original era falsa e / ou errada, a conclusão de que Soria admitiu que sua obra e todo o seu conteúdo eram falsificações completas não pode ser sustentada pelos fatos existentes. Soria não demonstrou a existência dessa falsidade. Ademais, a desestalinização plantou documentos e manipulou provas como anteriormente demonstrado pela calúnia dos protocolos adicionais do pacto de não agressão.


No curso de suas operações de desobstrução, a polícia espanhola contatou a embaixada peruana em Madri. Ali descobriu os detalhes de um grupo de espionagem fascista bem organizado em contato com agentes nos quartéis-generais do Estado-Maior, no serviço médico militar, nos serviços de informação do ministro da Guerra, no Birô de Defesa do Ministro da Marinha e da Aeronáutica e em numerosas outras organizações governamentais. Em um dos documentos descobertos no curso do desmascaramento dessa organização, lê-se o seguinte:
“Por outro lado, o agrupamento de nossas forças para um movimento de retaguarda prossegue com certa lentidão. Não obstante, confiamos nos quatrocentos homens que estão prontos para agir. Eles estão bem armados e em posições favoráveis na frente de Madri; a infiltração de nossos homens nos anarquistas extremistas e nas fileiras do POUM está ocorrendo com sucesso. Necessitamos de um bom chefe de propaganda que se encarregue desse trabalho, independentemente de nós, para que possamos agir com maior segurança… no cumprimento de sua ordem, eu próprio fui a Barcelona entrevistar um membro dirigente do POUM. Comuniquei a ele tudo que você havia recomendado. A falta de comunicação entre você e ele é explicada pelo defeito da estação de radiotransmissão, que começou a funcionar de novo enquanto eu estava ainda lá. Você certamente terá recebido uma resposta com respeito ao problema fundamental. N, particularmente, pede a você e aos amigos estrangeiros que a pessoa indicada para se comunicar com ele seja eu próprio, única e exclusivamente. Ele me prometeu mandar novas pessoas a Madri para agilizar o trabalho do POUM. Com este reforço, o POUM se tornará, como em Barcelona, um apoio firme e efetivo ao nosso movimento.”
O 'N' referido no documento citado não era outro senão Andréas Nin, dirigente do POUM. Por isso ele foi preso, mas foi mais tarde resgatado pelos fascistas disfarçados com uniformes militares, que recorreram a essa medida na esperança de evitar que as autoridades obtivessem novas e mais completas provas de seus crimes.
A 23 de outubro, o chefe da Polícia de Barcelona, tenente-coronel Burillo. deu a representantes da imprensa um relato detalhado da descoberta de um complô similar do POUM na Catalunha.[15]

Sobre esse assunto, o serviço de inteligência soviética, entre 1939 e 1941, recebeu informações de espiões acerca da atuação do trotskysmo fora da URSS, o responsável por essa atividade era o insuspeito antistalinista declarado Pavel Sudoplatov, que foi o diretor-assistente da Inteligência Externa Soviética ­ a Primeira Diretoria de inteligência da própria NKVD da URSS. No decorrer de 1939, Lavrentii Beria, ocupava o Comissariado do Povo para Assuntos Internos, designou Sudoplatov de "Operatsia Utka", o assassinato de Leon Trotsky. Em suas memórias, sobre o Serviço de Inteligência e o Kremlin, Sudoplatov afirma o seguinte:

No interesse da situação política, as atividades de Trotsky e seus apoiadores no exterior na década de 1930 teriam sido apenas propaganda. Mas não é assim. Os trotskistas também estavam envolvidos em ações. Utilizando o apoio de pessoas ligadas à inteligência militar alemã [a 'Abwehr'], eles organizaram uma revolta contra o governo republicano em Barcelona em 1937. Dos círculos trotskistas dos serviços de inteligência especiais franceses e alemães vieram informações “indicativas” sobre as ações dos partidos comunistas em apoio à União Soviética. Sobre as conexões dos líderes da revolta trotskista em Barcelona em 1937 fomos informados por Schulze-Boysen… posteriormente, após sua prisão, a Gestapo o acusou de nos transmitir essa informação, e esse fato figurou em sua sentença de morte pelo hitlerista tribunal em seu caso. (Sudoplatov, 1997, p. 58). [16]

Essa informação se torna relevante quando combinada com os julgamentos do Tribunal militar do Reich, que constitui, portanto, mais uma evidência não soviética da atuação de Trotsky e o Trotskysmo com o nazismo. Existem inúmeras evidências advindas da rede de espionagem. A Orquestra Vermelha, como era conhecida na Alemanha, foi o nome dado pela seção III.F da Abwehr aos trabalhadores da resistência antinazista em Agosto de 1941. Referia-se principalmente a uma rede de resistência, conectados por meio de contatos pessoais, unindo centenas de oponentes do regime nazista. Isso incluiu grupos de amigos que mantiveram discussões centradas em Harro Schulze-Boysen, Adam Kuckhoff e Arvid Harnackem em Berlim, ao lado de muitos outros. Eles imprimiram e distribuíram folhetos, cartazes e adesivos proibidos, na esperança de incitar a desobediência civil. Judeus ajudados e a resistência escaparam do regime, documentaram as atrocidades dos nazistas e transmitiram a inteligência militar dos Aliados.


O texto atual do Reichskriegsgericht alemão (Tribunal Militar do Reich) contra Harro Schulze-Boysen foi publicado. Schulze-Boysen era um oficial da Luftwaffe e membro da "Orquestra Vermelha" (Rote Kapelle), grupo de espiões anti-nazistas que canalizaram inteligência para os soviéticos durante a Guerra Mundial 2.4. Em dezembro de 1942, ele e sua esposa Libertas foram condenados por espionagem por a União Soviética e executado. O parágrafo relevante é o seguinte:
No início de 1938, durante a guerra na Espanha, o réu soube no trabalho que um levante contra o governo vermelho estava sendo preparado na área de Barcelona com a ajuda do serviço secreto alemão. Ele e von Pöllnitz encaminharam esta notícia para a embaixada russa soviética em Paris. No início de 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, o acusado soube oficialmente que uma rebelião contra o governo vermelho local no território de Barcelona estava sendo preparada com a cooperação do Serviço Secreto Alemão. Estas informações, em conjunto com o de von Pöllnitz, foi por ele transmitido à embaixada russa soviética em Paris. (Haase, 1993, p. 105)[17].

Os arquivos nazistas foram capturados pelos Aliados após a Segunda Guerra Mundial e publicados nos Estados Unidos sob o título “Documentos sobre a Polícia Estrangeira Alemã”. Na realidade, trata-se da mesma sorte dos arquivos de Smolensk, aqueles que serviram de base para desmentir Conquest, Trotsky anos mais tarde na pesquisa de Getty. Aqui estamos interessados na série D, publicada em 1950, cujo terceiro volume é o que se refere à guerra civil espanhola. Lá, nas páginas 284-286, está um relatório interessante dirigido em 11 de maio por Wilhelm Faupel a Hitler. Faupel, um ex-general do exército alemão, era o embaixador nazista no quartel-general de Franco. Apenas alguns dias se passaram desde a traição e Faupel diz ao Führer.

Quanto às desordens em Barcelona, Franco informou-me que as lutas de rua tinham sido iniciadas pelos seus agentes. Como Nicolas Franco, disse-me ainda, eles tinham no total cerca de 13 agentes em Barcelona. Um deles tinha dado a informação há muito tempo que a tensão entre os anarquistas e os comunistas era tão grande em Barcelona que ele garantiria que os combates iriam começar ali. O Generalissimo disse-me que não tinha inicialmente depositado confiança nas declarações deste agente, mas que depois as tinha mandado verificar por outros, que as tinham confirmado. No início, tinha a intenção de não fazer uso desta possibilidade até uma operação militar contra a Catalunha foi iniciada. Contudo, uma vez que os Vermelhos tinham atacado recentemente em Teruel para aliviar o Governo de Euzkadi, ele tinha julgado que o momento atual era propício ao surto de desordens em Barcelona. Na verdade, o agente tinha conseguido, dentro de uns poucos dias de recepção de tais instruções, em ter tiroteio de rua iniciado por três ou quatro pessoas, e isto tinha então produzido o sucesso desejado. [18]

Não só Franco esteve envolvido na mobilização dos antistalinistas espanhois, mas “o conde Galeazzo Ciano, ministro das Relações Exteriores e genro de Mussolini, também reivindicou a provocação em Barcelona”[19]. García Conde, foi o embaixador de Franco em Roma, dizia ele em uma carta ao Ministério que “Ciano acrescentou por conta própria, e até me pediu para transmiti-la ao Generalíssimo, que o importante agora era acelerar e intensificar nossa ofensiva, aproveitando a situação da revolta na Catalunha, em cuja desordem a participação é atribuída por meio de espiões italianos a seu serviço”[20]. O presidente Roosevelt sempre se cercou de diplomatas bem relacionados, na Espanha, não foi diferente. “Em suas memórias, o embaixador americano na Espanha, Claude G. Bowers, também escreveu que a crise havia sido causada pelos anarquistas e pelo POUM… Acredita-se geralmente que muitos deles eram agentes de Franco”[21].

Hoje é comum que anarquistas e trotskistas se gabem de terem atrapalhado o processo revolucionário na Espanha. ´Por meio da tentativa de ressignificação da história a apresentam como uma daquelas revoluções que, atualmente, convencionou-se chamar de “revolução colorida” (conceito problemático, mas que será discutido em outra oportunidade). E é mais surpreendente que essa “revolução” tenha sido celebrada e dirigida nas sedes de Hitler, Mussolini e Franco. Os fascistas tinham plena consciência de que em Barcelona não havia nada com que se preocupar, que o verdadeiro inimigo estava no campo de batalha e que a tentativa de Barcelona só poderia beneficiá-los. Tudo o que prejudicou a República e a Frente Popular interessou aos fascistas. É por isso que o governo republicano e a Frente Popular — não apenas os comunistas — esmagaram a traição. García Oliver escreve em suas memórias:

A revolução não poderia derivar dessa rebelião sem cabeça. A vitória foi alcançada abafando aquela rebelião absurda. Em breve encontro, os delegados da CNT e da UGT concordaram que deveriam entrar em contato com as pessoas das barricadas e dos centros transformados em fortes. Entre em contato com eles e peça que se desarmem, parem de lutar, diga-lhes que esperem até que os problemas pendentes possam ser levantados e resolvidos nas conversas que se iniciariam na Generalitat da Catalunha. Companys assentiu, sem demonstrar entusiasmo. E foi então que falamos com os combatentes pelo rádio. Um após o outro nós da CNT e da UGT falamos: ”Cessar fogo!" era o slogan geral. Muitos foram os que apoiaram os apelos por um cessar-fogo! Muitos que, das barricadas, foram para suas casas. Eles foram falados em nome da CNT, da FAI e da Juventude Libertária. E em nome da UGT.[22]

Os comunistas estavam — e nós — concordamos com isso: não foi uma revolução, como agora afirmam os anarquistas e trotskistas, e teve de ser sufocada. O arcabouço teórico antileninista possui, na sua essência, a dissolução das questões concretas, guia-se pelo espontaneísmo que leva a se comemorar qualquer atividade protagonizada pela grande massa, pouco importando a quem seu resultado beneficia, ou seja, o que nem sempre se traduz numa emancipação revolucionária. Assim, pode-se dizer que, na guerra civil espanhola, não pecaram por excesso na destruição da quinta coluna, mas por omissão, e isso se provou fatal no longo prazo para a República. Em qualquer outro país do mundo, cabeças teriam rolado de forma fulminante; a República nem mesmo abriu inquérito para apurar os fatos.

Para dissimular sua atuação no golpe, quando a Catalunha passou as mãos dos franquistas, Mussolini outorgou a Ciano que fuzilasse os envolvidos de sua própria ação, pois os mortos não podiam falar do ocorrido (Diário, 22 de fevereiro de 1939). Foi um claro reconhecimento de que por trás do golpe estava sua mão comprida.

Em 1939, Mussolini endossara plano de Ciano para uma invasão, mas em 16 de março subitamente se acovardou. Ordenou a Ciano que suspendesse a operação, pois temia que facilitasse a criação de um estado croata independente sob protetorado alemão. No dia seguinte o embaixador alemão, Hans Georg von Mackensen, reassegurou a Ciano o desinteresse da Alemanha pela Croácia, garantia confirmada por Ribbentrop em longa carta. Mussolini então decidiu agir sobre a Albânia e, em 23 de março, ele e Ciano elaboraram uma proposta para a criação de um protetorado italiano, pedindo a Zog que a aceitasse. Porém, vendo pouca valia na posse da Albânia, o rei Vittorio Emanuele advertiu o Duce que não devia se arriscar tanto para “se apoderar de quatro rochedos.”17 Mussolini, irritado com a reação do Rei, disse a Ciano: “Se Hitler tivesse de lidar com 5. Guerra na Albânia um rei que tem merda na cabeça, nunca teria se apoderado da Áustria e da Tchecoslováquia.”18 Em 28 de março, Madrid caiu, e a Guerra Civil Espanhola terminou. Assim, estava cumprido um dos pré-requisitos para a ocupação da Albânia. Barcelona se rendera em 22 de fevereiro, e muitos italianos que combatiam pela república foram aprisionados. Ciano informou Mussolini a respeito e o Duce deu ordem para que fossem todos fuzilados, acrescentando: “Mortos não contam histórias.”[23]

A República espanhola de Franco, conivente com o crime, não quis investigar; Mussolini empreendeu a queima de arquivos para esconder as provas. Assim, era necessário silenciar, mas, paralelamente, era preciso induzir, distorcer e lubridiar.

“Na época em que liderava a federação anarco-comunista em Paris, Bernardo Cremonini era confidente da POLPOL italiana. Ele foi um dos primeiros a escrever um panfleto anticomunista sobre o golpe de Barcelona. Suas teses — que eram dos fascistas italianos — se espalharam por todo o movimento libertário. O plano originário da polícia política da Itália fascista, foi o primeiro de uma série de publicações anticomunistas elaboradas por Mussolini. O antistalisnismo, portanto, sempre serviu no mínimo indiretamente aos interesses fascistas mais deploráveis. À luz do que aconteceu em Barcelona, ​​o Duce chegou a propor a publicação de um jornal anarquista que ataca violentamente o fascismo, mas cujo verdadeiro objetivo é atacar o comunismo da forma mais resoluta e vulgar”[24].

Mussolini queria uma rede de impressa que se chamasse Lotta di Classe, como o jornal de Berneri, ou Il Riscatto Libertario. O chefe da POLPOL, Di Stefano providenciou o processo.

[1] SORIA, Georges. Trotskyism in the Service of Franco. Disponível em: < https://neodemocracy.blogspot.com/2016/11/trotskyism-in-service-of-franco.html e http://neodemocracy.blogspot.com/2016/11/trotskyism-in-service-of-franco-p2.html>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [2] MATHEWS, H,L. Two Wars and More to Come. Carrick & Evans: EUA. 1938. Pag. 294. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?redir_esc=y&hl=pt-BR&id=yDBYAAAAMAAJ&focus=searchwithinvolume&q=football>. Acesso em 2 de julho de 2021. [3] SORIA, Georges. Trotskyism in the Service of Franco. Disponível em: < https://neodemocracy.blogspot.com/2016/11/trotskyism-in-service-of-franco.html e http://neodemocracy.blogspot.com/2016/11/trotskyism-in-service-of-franco-p2.html>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [4] Idem. Ibidem. [5] Idem. Ibidem. [6] Idem. Ibidem. [7] Idem. Ibidem. [8] Idem. Ibidem. [9] Idem. Ibidem. [10] Idem. Ibidem. [11] Idem. Ibidem. [12] Idem. Ibidem. [13] Idem. Ibidem. [14] Idem. Ibidem. [15] BRAR, Harpal. Trotskysmo x Leninismo. Lições da História. Caravansari, São Paulo. Pag.33. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/1GWe2hYcqxBK4zhcdeafpjW2pRSr_j4HO/view>. Acesso em 20 de fevereiro de 2021. [16] FURR, G. Leon Trotsky and the Barcelona “May Days” of 1937. Disponível em: <https://msuweb.montclair.edu/~furrg/research/gf_trotsky_maydays_0519.pdf>. Acesso em 20 de fevereiro de 2021. [17] Idem. [18] Document on German Foreign Policy, 1918-1945: séries D. Disponível em: <https://bit.ly/3sX8pX2>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [19] POUM, Traición a la República. Disponível em:<https://bit.ly/3l63gt1>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [20] Arquivo Geral do Ministério das Relações Exteriores, série renovada de Barcelona, 1106/10). Apud in: POUM, Traición a la República. <https://bit.ly/3l63gt1>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [21] BOWERS, C. My Mission to Spain: Watching the Rehearsal for World War II. Apud in: POUM, Traición a la República. <https://bit.ly/3l63gt1>. Acesso em 20 de fevereiro de 2020. [22] GARCIA, Oliver. El eco de los passos. Ruedo Ibérico de edciones e publicaciones. Pág. 425. Disponível em: <http://www.fondation-besnard.org/IMG/pdf/Garcia_Oliver_El_eco_de_los_paso> Acesso em 20 de fevereiro de 2021. [23] MOSELEY, Ray. O conde Ciano. A Sombra de Mussoline. Editora: globo, São Paulo. Pag. 71. [24] CANALI, M. Le spie del regime. Biblioteca Storica Bolonha, 2004, página 170


Anexo: Leon Trotsky e as "Jornadas de Maio de 1937"

Por Grover Furr

Tradução do Inglês por Thiago Ribeiro Original: <https://thiago-mackandall.medium.com/leon-trotsky-e-as-jornadas-de-maio-de-1937-em-barcelona-1c9a9ef3efe9>



Resumo: Durante as últimas décadas evidências chegaram à luz, provando que Leon Trotsky mentiu muito para encobrir suas conspirações contra o regime de Stalin na URSS. Referências aos estudos que revelam na obra de Trotsky falsidades e conspirações estão incluídas no artigo. O presente artigo demonstra como esta evidência muda a compreensão convencional do assassinato de alguns trotskistas nas mãos do NKVD soviético e de comunistas espanhóis, durante a Guerra Civil Espanhola. Uma breve cronologia das Jornadas de Maio de 1937 em Barcelona foi anexada. O presente artigo foi traduzido do inglês por Thiago Mackandall. O original pode ser encontrado aqui. As referência podem ser obtidas no original. Durante as últimas décadas, surgiram evidências que provam que Leon Trotsky mentiu muito para encobrir suas conspirações contra o regime de Stalin na URSS. Em 1980 e nos anos subsequentes Pierre Broué, o principal historiador trotskista do mundo na época, descobriu que Trotsky aprovava o “bloco de direitistas e trotskistas”, cuja existência foi a acusação mais importante nos julgamentos de Moscou, e havia mantido contatos clandestinos com apoiadores, com os quais alegou publicamente ter rompido os laços. Arch Getty descobriu que Trotsky havia contatado especificamente, entre outros, Karl Radek, enquanto ele e Radek continuavam a se atacar em público. Essas descobertas provam que Trotsky mentiu indiscriminadamente em seu depoimento à Comissão Dewey em 1937. [1] O presente artigo demonstra como essa evidência muda a compreensão convencional dos assassinatos de alguns trotskistas durante a Guerra Civil Espanhola nas mãos do NKVD soviético e dos comunistas espanhóis, por causa de seus papéis na revolta das “Jornadas de Maio” de 1937 contra o governo Republicano, e também por causa da colaboração de trotskistas e do próprio Trotsky com os fascistas contra a União Soviética. Este artigo apresenta quatro pontos principais: 1- Agentes alemães e franquistas estiveram de fato envolvidos no início da revolta das “Jornadas de Maio de Barcelona”, de 3 a 7 de maio de 1937, contra o governo Republicano. 2- Um ou mais representantes de Trotsky estiveram envolvidos no planejamento, no início e no apoio vigoroso à revolta das Jornadas de Maio de Barcelona em 1937. 3- A descoberta na URSS da conspiração militar conhecida como “Caso Tukhachevsky” foi a faísca que desencadeou o ataque soviético determinado contra os trotskistas na Espanha. 4- Ao ocultar de seus seguidores a verdade sobre suas próprias conspirações, Leon Trotsky os colocou em grave perigo. Andres Nin, Erwin Wolf e Kurt Landau acreditaram nas repetidas afirmações de Trotsky de que ele era inocente das acusações feitas contra ele nos Julgamentos de Moscou. Suas atividades na Espanha garantiram seus assassinatos nas mãos dos comunistas, que os consideravam colaboradores fascistas porque acreditavam que Trotsky o era.

  1. O PAPEL ALEMÃO NA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO

Entre 1939 e 1941, Pavel Sudoplatov foi o diretor assistente da Inteligência Externa Soviética - a Primeira Diretoria (de Inteligência) do NKVD da URSS. Em algum momento de 1939, Lavrentii Beria, Comissário do Povo para Assuntos Internos, colocou Sudoplatov no comando da “Operatsia Utka”, o assassinato de Leon Trotsky. [2] Em suas memórias, The Intelligence Service and the Kremlin, Sudoplatov afirma o seguinte: No interesse da situação política, as atividades de Trotsky e seus apoiadores no exterior na década de 1930 teriam sido apenas propaganda. Mas não é bem assim. Os trotskistas eram também envolvidos em ações. Recorrendo ao apoio de pessoas ligadas à inteligência militar alemã [a ‘Abwehr’], eles organizaram uma revolta contra o governo Republicano em Barcelona em 1937. Dos círculos trotskistas dos serviços de inteligência especiais franceses e alemães vieram informações “indicativas” sobre as ações dos partidos comunistas em apoio à União Soviética. A respeito das conexões dos líderes da revolta trotskista em Barcelona em 1937, fomos informados por Schulze-Boysen … Posteriormente, após sua prisão, a Gestapo o acusou de nos transmitir essa informação, e esse fato figurou em sua sentença de morte por um tribunal hitlerista em seu caso. (Sudoplatov, 1997, p. 58)[3]

O texto do Reichskriegsgericht alemão (Tribunal Militar do Reich) contra Harro Schulze-Boysen foi publicado. Schulze-Boysen era um oficial da Luftwaffe e membro da “Orquestra Vermelha” (Rote Kapelle), grupo de espiões antinazistas que canalizaram inteligência para os soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial. [4] Em dezembro de 1942, ele e sua esposa Libertas foram condenados por espionagem para União Soviética e executados. O parágrafo relevante é o seguinte: No início de 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, o acusado soube oficialmente que uma rebelião contra o governo vermelho local no território de Barcelona estava sendo preparada com a cooperação do Serviço Secreto Alemão. Esta informação, junto com a de von Pöllnitz, foi transmitida por ele à embaixada russa soviética em Paris. (Haase, 1993, p. 105) “Pöllnitz” era Gisella von Pöllnitz, uma recruta recente da rede de espionagem anti-nazista da “Orquestra Vermelha”, que trabalhava para a United Press e que passou o relatório à embaixada soviética. O tribunal alemão errou algumas coisas: o ano era 1937, não 1938, e a embaixada soviética era em Berlim, não em Paris, pois Pöllnitz foi presa pela Gestapo. Ela logo foi solta. (Brysac, 2000, p. 237) Na época em que escreveu suas memórias, na década de 1990, Sudoplatov lamentou muitas das coisas que havia feito no serviço secreto soviético. Mesmo assim, ele ainda insistia que os trotskistas estavam envolvidos com os nazistas na revolta das jornadas de maio de 1937 em Barcelona. A informação do Tribunal Militar Alemão fornece uma confirmação independente da declaração de Sudoplatov e confirma as suspeitas comunistas de que a inteligência alemã estava envolvida no planejamento da revolta de Barcelona de maio de 1937. De acordo com o general Wilhelm Faupel, embaixador alemão na Espanha, o próprio Franco afirmou que seus agentes foram também envolvido na instigação dessa revolta. Quanto às desordens em Barcelona, Franco me informou que as brigas de rua haviam sido iniciadas por seus agentes. Como Nicolás Franco [5] me disse mais tarde, eles tinham ao todo cerca de 13 agentes em Barcelona. … um agente tinha conseguido, poucos dias depois de receber essas instruções, fazer com que três ou quatro pessoas iniciassem tiroteios nas ruas e isso produziu o resultado desejado. (Craig, 1951. №254, p. 286) A revolta das Jornadas de Maio de Barcelona foi um levante contra o governo Republicano, durante o tempo de guerra, por anarquistas e socialistas anti-soviéticos, incluindo o pró-Trotsky POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista). [6] O relatório de Faupel e o documento do Tribunal Militar Alemão mostram que Franco e seu aliados alemães naturalmente consideraram essa revolta muito favorável a eles próprios. 2. O PAPEL DOS TROTSKISTAS NA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO Na época do Segundo Julgamento de Moscou, o do “Centro Trotskista Anti-Soviético”, que ocorreu em Moscou de 23 a 30 de janeiro de 1937, a Alemanha de Hitler apoiava maciçamente as forças de Franco contra a República Espanhola, enquanto a URSS era o único apoiador significativo dos Republicanos. Durante o julgamento, a Guerra Civil Espanhola foi diretamente mencionada duas vezes. Na sessão da noite de 28 de janeiro, no decorrer de sua síntese, Andrei Vyshinsky mencionou a mensagem comovente de Stalin a José Diaz, presidente do Partido Comunista Espanhol, na qual Stalin caracterizou a causa da República Espanhola como “a causa comum de toda a humanidade.” (Relatório, 1937, pp. 508–509; Protsess. 1937, p. 206) Karl Radek foi um dos réus trotskistas mais proeminentes. Ele tinha sido um dos principais apoiadores de Trotsky dentro da liderança soviética desde o início dos anos 1920. [7] Como outros apoiadores de Trotsky, Radek havia “capitulado” publicamente — prometeu abandonar sua lealdade a Trotsky e apoiar as políticas de Stalin — mas secretamente permaneceu um trotskista ativo. Ele e o outro réu de alto escalão no julgamento de janeiro de 1937, Yuri Piatakov, tinham ficado sabendo por Trotsky sobre sua colaboração com o Estado-Maior Alemão e decidiram que eles não poderiam manter sua lealdade a Trotsky. Durante o julgamento, Radek apelou diretamente aos “elementos trotskistas” em outros países, citando a Espanha: Devemos dizer aos elementos trotskistas na França, Espanha e outros países - e estes existem - que a experiência da revolução russa mostrou que o trotskismo é um destruidor do movimento operário. Devemos adverti-los de que, se não aprenderem com nossa experiência, pagarão com as suas cabeças. (Report, 1937, p. 550; Protsess, 1937, p. 231) No Plenário do Comitê Central de fevereiro-março de 1937 em Moscou, Stalin fez dois discursos. No primeiro deles, Stalin expressou intensa hostilidade a Trotsky e seus seguidores, como era de se esperar. A restauração do capitalismo, a liquidação das fazendas coletivas e fazendas estatais, a restauração do sistema de exploração, uma aliança com as forças fascistas da Alemanha e do Japão para aproximar a guerra contra a União Soviética, uma luta pela guerra e contra a política de paz, o desmembramento territorial da União Soviética, entrega da Ucrânia aos alemães e as províncias marítimas aos japoneses, a preparação da derrota militar da União Soviética se Estados inimigos a atacassem e, como meio de alcançar essas tarefas, a sabotagem, o diversionismo, o terrorismo individual contra os líderes do governo soviético, a espionagem em benefício das forças fascistas japonesas e alemãs - tal era a plataforma política do trotskismo atual que foi apresentada por Piatakov, Radek e Sokolnikov. (Stalin, 1937, p. 17) Stalin e a liderança soviética consideraram a colaboração de Trotsky com a Alemanha e o Japão um fato comprovado e agiram de acordo. Graças à divulgação de documentos dos antigos arquivos soviéticos, agora possuímos muitas evidências de que Trotsky estava de fato conspirando com os alemães e japoneses. (Furr, 2017) Em um discurso em 3 de março de 1937, no Plenário do Comitê Central, Stalin mencionou especificamente a nova Quarta Internacional de Trotsky como uma ameaça contínua: Tomemos, por exemplo, a Quarta Internacional contrarrevolucionária trotskista, dois terços da qual é composta de espiões e agentes subversivos. Isso não é uma reserva? Não está claro que esta Internacional de espiões selecionará forças para fazer o trabalho de espionagem e destruição dos trotskistas? (Stalin, 1937, p. 34) Enfatizando o grave dano que um pequeno número de espiões e sabotadores, mesmo sem uma base na classe trabalhadora, poderia causar, Stalin, no entanto, pediu “uma abordagem individual e diferenciada” ao lidar com pessoas que tiveram simpatias trotskistas no passado. Mas aqui está a questão - como realizar na prática a tarefa de esmagar e desenraizar os agentes teuto-japoneses do trotskismo. Isso significa que devemos atacar e desarraigar não apenas os verdadeiros trotskistas, mas também aqueles que em algum momento vacilaram em direção ao trotskismo, e então há muito tempo se afastaram do trotskismo; não apenas aqueles que são realmente agentes trotskistas da destruição, mas também aqueles que uma vez passaram por uma rua por onde um ou outro trotskista já havia passado? De qualquer forma, essas vozes foram ouvidas aqui no plenário. Podemos considerar tal interpretação da resolução a ser correta? Não, não podemos considerá-la correta. Nesta questão, como em todas as outras questões, deve haver uma abordagem individual e diferenciada. Você não deve medir todos com o mesmo padrão. Tal abordagem abrangente só pode prejudicar a causa da luta contra os verdadeiros destruidores e espiões trotskistas. (Stalin, 1937, pp. 44–45) Stalin passou a minimizar a importância dos trotskistas como força: … se, apesar disso, os sabotadores trotskistas ainda têm uma ou outra reserva em torno de nosso Partido, é porque a política incorreta de alguns de nossos camaradas sobre a questão da expulsão do Partido e reintegração dos expulsos, a atitude cruel de alguns de nossos camaradas em relação ao destino de membros individuais do Partido e trabalhadores individuais do Partido, artificialmente engendra um número de pessoas descontentes e amarguradas, e assim cria essas reservas para os trotskistas. (Stalin, 1937, pp. 60–61) No início de março de 1937, Stalin estava falando veementemente contra qualquer tipo de atmosfera de “caça às bruxas” contra os trotskistas, enquanto ao mesmo tempo alertava sua audiência sobre o perigo dos trotskistas como espiões e sabotadores - perigo reforçado pelo testemunho dos réus no julgamento de janeiro de 1937. Poucos meses depois, tudo mudou dramaticamente sob o impacto de dois conjuntos de eventos que Stalin e a liderança soviética viram como ligados um ao outro e às conspirações admitidas pelos réus do julgamento de janeiro de 1937. O primeiro deles foi a revolta das Jornadas de Maio em Barcelona. Os soviéticos concluíram que agentes de Franco, Hitler e Trotsky estavam profundamente implicados nisso. O segundo foi o “Caso Tukhachevsky”. Tratava-se da investigação, prisão, interrogatório, julgamento e execução de oito comandantes militares soviéticos de alto escalão que confessaram conspirar contra a União Soviética em aliança com a Alemanha de Hitler e com Trotsky. 3. A REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO EM BARCELONA POUM e outros republicanos marcham em Barcelona, ​​Espanha, 1936No início de maio de 1937, eclodiu uma revolta armada contra o governo Republicano catalão, liderada por anarquistas e pelo POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista). O POUM é descrito de forma breve e precisa por John Costello e Oleg Tsarev: … o grupo revolucionário catalão de marxistas que declarou guerra a Stalin, acusando o ditador soviético de trair a Revolução ao estabelecer “o regime burocrático de um traidor envenenado”. Instados por seu líder Andrés Nin, os marxistas radicais espanhóis convidaram Trotsky para morar em Barcelona, proclamando a necessidade de derrubar a “democracia burguesa” da administração da Frente Popular da República Espanhola, apoiada pelos comunistas. (Costello & Tsarev, 1993, p. 280) [8] Um dos líderes do POUM foi Andres Nin, um ex-secretário de Trotsky. [9] Nin havia “capitulado” publicamente - rompido com Trotsky. No entanto, os soviéticos teriam sido tolos em acreditar que essa aparente ruptura foi sincera ou completa. O falecido Pierre Broué, o historiador trotskista mais proeminente de sua época, apontou que o próprio Nin considerava falsas as “capitulações” de todos os outros trotskistas. Broué escreveu: Lev Sedov chamou o grupo Smirnov de “ex-capituladores” ou de “capituladores trotskistas”. Todos sabiam, a partir de 1929, que as pessoas do grupo Smirnov não capitularam realmente, mas tentavam enganar o aparato, e eram capazes de se organizar como Oposição dentro do partido: o fato era tão conhecido que Andrés Nin, o espanhol deportado da União Soviética em agosto de 1930 explicou isso abertamente a seus camaradas alemães da Die permanente Revolution, que publicaram sua declaração sem nenhum problema aparente. (Broué, 1990, p. 104) [10] O pesquisador americano Arch Getty encontrou evidências documentais no Harvard’s Trotsky Archive de que os rompimentos de Trotsky com Radek, Sokolnikov e Preobrazhensky eram estratagemas para disfarçar uma conspiração secreta contínua entre eles. Os soviéticos teriam naturalmente suspeitado que o rompimento de Nin com Trotsky também era um disfarce para uma colaboração contínua. 4. O POUM E TROTSKY O POUM não era tecnicamente um partido trotskista. No entanto, foi associado de forma bastante próxima a Trotsky e os trotskistas que muitos o considerariam assim . *O POUM foi formado a partir de um grupo trotskista e do “Bloc Obrer i Camperol” afiliado à oposição de direita. *O jornal do POUM La Batalla condenou o primeiro Julgamento de Moscou de agosto de 1936: Somos socialistas revolucionários, marxistas. Em nome do socialismo e da classe operária revolucionária, protestamos contra o crime monstruoso que acaba de ser perpetrado em Moscou. A descrição do primeiro julgamento de Moscou como “crime monstruoso” sinalizou que os líderes do POUM tiraram suas análises diretamente de Trotsky. *La Batalla também elogiou Trotsky ao lado de Lenin, ignorando Stalin propositalmente. Trotsky é para nós, junto com Lênin, uma das grandes figuras da revolução de outubro e um grande escritor socialista revolucionário. Insultado, perseguido, expressamos nossa solidariedade a ele, sem esconder, ao mesmo tempo, nosso desacordo com algumas de suas opiniões. (Alba & Schwartz, 1988, p. 132) *A pedido de Nin, o POUM votou para convidar Trotsky para vir morar na Espanha. De acordo com Alba e Schwartz: Já em agosto [1936], ele [Nin] havia proposto à executiva do P.O.U.M. que, como Trotsky estava exilado na Noruega e não tinha para onde ir, tendo sido rejeitado por muitos países, o P.O.U.M. deveria sugerir à Generalitat de Catalunya que lhe fosse oferecido asilo na Catalunha. … [A] executiva acatou a sugestão … (166) [11] *Enquanto morava na URSS, Nin havia apoiado Trotsky e sido membro da Oposição de Esquerda. Depois de retornar à Espanha, Nin foi a figura chave na formação do grupo trotskista espanhol, a Izquierda Comunista de España. *O grupo de “autodefesa” do POUM matou o agente soviético Narvich. (Alba & Schwartz, 1988, p. 234) [12] Esses fatos podem ser encontrados no livro de Alba e Schwartz Spanish Marxism versus Soviet Communism. Uma História do P.O.U.M. Esta é uma obra muito anti-Stalin em que os autores se esforçam para criticar os comunistas e os soviéticos a cada passo, e insistem na natureza “não-trotskista” do POUM. No entanto, o POUM era “não trotskista” apenas no sentido formal. Se alguém puder imaginar um partido como o descrito acima e, em seguida, substituir “Stalin” por “Trotsky”, pode ver que esses são os tipos de características que teriam qualificado um partido não comunista como sendo “stalinista” ou uma “frente comunista”. Da mesma forma, o POUM poderia ser caracterizado como “trotskista” ou “frente trotskista”. De acordo com Broué, os apoiadores de Trotsky relataram a ele em 1936 que a maioria dos “militantes” do POUM em Barcelona eram na verdade trotskistas. (Broué, 1982, p. 77) Não é de admirar, então, que Trotsky despachou Erwin Wolf como seu emissário para a Espanha. Outra razão para associar o POUM a Trotsky foi seu envolvimento nas Jornadas de Maio de 1937 em Barcelona. Essa revolta contra a República durante sua guerra contra os fascistas foi exatamente o que os réus trotskistas no segundo Julgamento de Moscou de janeiro de 1937 admitiram que, juntos com os alemães e sob a liderança de Trotsky, havia planejado no caso de uma invasão da URSS. Pyatakov: Por volta do final de 1935, Radek recebeu uma longa carta com instruções de Trotsky … a questão do derrotismo, das atividades militares de sabotagem, de infligir golpes contundentes durante a guerra tanto na retaguarda quanto no exército foi aqui colocada à queima-roupa. .. Em caso de ataque militar, as forças destrutivas das organizações trotskistas que atuariam no país deveriam ser coordenadas com as forças de fora, sob a orientação do fascismo alemão. A atividade diversionista e destruidora que está sendo conduzida pela organização trotskista-zinovievista dentro da União Soviética deverá ser realizada sob as instruções de Trotsky, que serão acordadas com o Estado-Maior alemão. (Report, 1937, pp. 55–56; 65) Agora sabemos que agentes alemães e franquistas estiveram envolvidos na instigação da revolta das Jornadas de Maio junto com o POUM e outros. Os soviéticos e os comunistas espanhóis sabiam disso então. 5. O QUE AS LIDERANÇAS TROTSKISTAS ESTAVAM FAZENDO NA ESPANHA? Vários trotskistas proeminentes foram para a Espanha, incluindo Erwin Wolf e Kurt Landau. Paul Preston é um historiador contemporâneo e imparcial da Guerra Civil Espanhola. O relato de Preston sobre os desaparecimentos de Wolf e Landau é o seguinte: Em setembro de 1937, Orlov conseguiu eliminar Erwin Wolff, que se tornara secretário de Trotsky na Noruega. Em 1936, Wolff desempenhou um papel fundamental na refutação das acusações feitas nos Julgamentos de Moscou e foi uma figura central no Secretariado Internacional que foi o predecessor da Quarta Internacional [organização de Trotsky]. Ele veio para a Espanha para trabalhar com o grupo bolchevique-leninista de Grandino Munis. Em Barcelona, ele foi preso por atividade subversiva em 27 de julho de 1937, libertado no dia seguinte, mas imediatamente preso novamente. Ele foi oficialmente liberado em 13 de setembro, mas nunca foi visto novamente. Outro trotskista proeminente que desapareceu dez dias depois foi o austríaco Kurt Landau. Um antigo colaborador de Trotsky, Landau tinha uma longa história de militância anti-Stalinista na Áustria, Alemanha, França e Espanha … Na Espanha, ele trabalhou em estreita colaboração com Andres Nin e conduziu a ligação entre o POUM e jornalistas e escritores estrangeiros... Ele havia ultrajado os soviéticos com seu panfleto Espanha 1936, Alemanha 1918, publicado em dezembro de 1936, que comparava o esmagamento dos trabalhadores revolucionários da Alemanha pelos Freikorps em 1918 à hostilidade stalinista à CNT e ao POUM na Espanha. Em consequência, ele foi difamado pela propaganda soviética como “o líder de um bando de terroristas” e como agente de ligação entre a Gestapo e o POUM. Kurt Landau conseguiu permanecer em liberdade até 23 de setembro de 1937, quando foi sequestrado por agentes soviéticos de seu esconderijo. Como Rein [13] e Wolff, ele nunca mais foi visto. (Preston, 2012, pp. 418–419) Landau havia rompido publicamente com Trotsky. No entanto, Nin havia escrito que tais declarações de ex-oposicionistas eram falsas. Durante os Julgamentos de Moscou, Radek, Piatakov, Khristian Rakovsky e outros confirmaram isso. Os soviéticos também teriam considerado o rompimento público de Landau com Trotsky uma farsa. Os escritos de Landau mostram que ele permaneceu ideológica e politicamente sob a forte influência das ideias e escritos de Trotsky. [14] O biógrafo de Landau, Hans Schafranek, mostra que Landau foi à Espanha para apoiar os trotskistas e outras forças semelhantes, principalmente o POUM, em uma tentativa de fazer uma revolução contra o governo Republicano. Erwin Wolf foi para a Espanha como emissário do Secretariado Internacional da IV Internacional, a organização de Trotsky e, portanto, como emissário do próprio Trotsky. Wolf e Landau sabiam que os soviéticos consideravam Trotsky um colaborador fascista e, portanto, os considerariam da mesma maneira. 6. CONHECIMENTO PRÉVIO SOBRE A REVOLTA PLANEJADA Costello e Tsarev tiveram acesso privilegiado aos relatórios enviados a Moscou por Alexander Orlov, chefe do NKVD soviético na República Espanhola. [15] Costello e Tsarev resumem uma parte de um dos relatórios de Orlov da seguinte forma: Os agentes de Orlov já haviam penetrado na liderança da Federação dos Anarquistas Espanhóis e no POUM. Seus infiltrados reportaram à sede do NKVD sobre os preparativos que os dois grupos estavam fazendo para uma insurreição armada. Isso não era nada novo ou surpreendente para Orlov … Após uma visita a Barcelona, ele relatou a Moscou em dezembro de 1936 “que um levante militar está sendo preparado pelos trotskistas (POUM) em Barcelona para o início de janeiro com o propósito de penetração ativa na organização fascista exposta na fábrica Hispano Suiza”. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281) Em um relatório datado de 22 de fevereiro de 1937, Orlov escreveu: Há algum tempo tem havido uma associação entre o POUM e a Federação dos Anarquistas Espanhóis tomando forma, que é direcionada à atividade antissoviética associada ao último julgamento trotskista. (Costello & Tsarev, 1993, p. 469 n. 41) Esta é uma referência ao Segundo Julgamento de Moscou de janeiro de 1937, durante o qual Karl Radek advertiu os trotskistas na Espanha a se retirarem. Costello e Tsarev relacionam esta revolta planejada com a relatada por Schulze-Boysen: Essa foi a mesma insurreição independentemente relatada ao Centro pela embaixada soviética em Berlim, após receber uma denúncia anônima de seu agente Harro Schulze-Boysen. A partir de contatos no Estado-Maior da Luftwaffe, ele revelou que agentes alemães também haviam se infiltrado nos círculos trotskistas em Barcelona com a intenção de encorajar o golpe. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281) Em um relatório a Moscou datado de março de 1937, Orlov especifica para a inteligência do NKVD algumas das atividades anticomunistas planejadas pelo POUM: No momento, várias pessoas foram confirmadas pelo Comitê [Comitê Central do POUM] para o trabalho terrorista. O controle da organização juvenil do POUM foi atribuído primeiro a Tedor Sans, segundo a Mendez, e terceiro a outro chefe da organização chamado Lorenzo. Todos eles têm experiência em atividades terroristas e participaram de vários ataques armados….Ficou estabelecido que o grupo de Blanco [membro da diretoria da organização juvenil do POUM] estava preparando um ato terrorista contra o ex-secretário da Komsomol [organização juvenil comunista] da cidade de Córdoba, Ramon Gorrero, e não conseguiram apenas porque Blanco foi morto no front. (Costello & Tsarev, 1993, p. 469 n.42) Quando a revolta finalmente estourou em maio de 1937, Orlov relatou a Moscou que o planejamento havia demorado muito. Há muito se sabe que os FAP [Fascistas, Anarquistas, POUMistas] estão se preparando para um golpe na Catalunha, provocando-o através de uma variedade de meios. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281) Os comunistas espanhóis e o NKVD soviético certamente teriam interpretado a presença de trotskistas importantes como Wolf e Landau como uma evidência adicional de que o levante do Primeiro de Maio havia sido planejado com antecedência e que os trotskistas estavam no planejamento. [16] 7. ANDRÉS NIN Andrés Nin (1892–1937)Nin e Trotsky trocaram palavras duras sobre a estratégia de Nin como fundador e líder do POUM. No entanto, o mesmo aconteceu com Trotsky e Radek, entre outros, e Nin afirmou em 1930 que tal desentendimento público era um disfarce para a colaboração contínua. Nin permaneceu leal à interpretação de Trotsky sobre a União Soviética, Stalin, o papel soviético na Espanha, e leal a Trotsky pessoalmente. Os soviéticos teriam naturalmente presumido que Nin ainda era um agente trotskista. O relato de Paul Preston é o mais recente e objetivo desses eventos. Segundo Preston, Nin e outros membros da executiva do POUM foram presos em 16 de junho de 1937, em Barcelona. Nin foi interrogado quatro vezes, mas não fez qualquer confissão de conspiração com os fascistas. Quando Nin se recusou a confessar e foi inútil para um julgamento, Alexander Orlov, chefe do NKVD na Espanha, decidiu matá-lo. Ele foi baleado, provavelmente em 24 de julho. [17] (Preston, 2012, p. 417; Costello & Tsarev, 1993, pp. 291, 470) 8. O CASO TUKHACHEVSKY Marechal russo Mikhail Tukhachevsky (1893–1937), por volta de 1935.Após a revolta das Jornadas de Maio, mas antes da prisão e subsequente assassinato de Nin, veio à tona o “Caso Tukhachevsky” na URSS. O marechal Tukhachevsky e outros oficiais de alto escalão admitiram ter conspirado com os alemães para instigar uma guerra civil dentro da URSS no caso de um ataque alemão. Tukhachevsky também confessou ter dado planos operacionais do Exército Vermelho aos alemães. Ao mesmo tempo que Tukhachevsky e outros confessavam, tanto Genrikh Iagoda, ex-chefe do NKVD, quanto Nikolai Bukharin confessaram ter envolvimento semelhante com Trotsky na conspiração para derrubar o governo soviético. [18] Eles também admitiram conspirar com os alemães para instigar uma guerra civil dentro da URSS [19] — essencialmente o que os rebeldes realmente fizeram na revolta das Jornadas de Maio. Era lógico para os soviéticos presumir que o POUM era trotskista não apenas por seu apoio a Trotsky e oposição aos comunistas (= “stalinistas”, para eles), mas também em sua determinação de apunhalar a República pelas costas durante o tempo de guerra, como os trotskistas, figuras militares e direitistas como Bukharin haviam admitido que planejavam fazer dentro da União Soviética. Em uma sessão ampliada do Soviete Militar, realizada de 1º a 4 de junho para discutir a conspiração de Tukhachevsky, Stalin afirmou que Tukhachevsky e o resto “tentaram fazer da URSS outra Espanha”. [20] Stalin estava se referindo às descrições de Piatakov e de Radek sobre o plano de Trotsky para sabotar o Exército Vermelho no caso de uma invasão por uma ou mais potências imperialistas. Ele queria dizer: criar uma guerra civil - fazer o que o POUM, os trotskistas e outros fizeram nas Jornadas de Maio em Barcelona. A revolta de Barcelona parecia ser exatamente o tipo de “punhalada pelas costas” em tempo de guerra que os réus do Julgamento de 1937 confessaram ter planejado, a mando de Trotsky, contra a URSS em caso de guerra com a Alemanha e / ou Japão. Hoje, temos uma grande quantidade de evidências de que Tukhachevsky e os outros líderes militares julgados, condenados e executados com ele eram de fato culpados. Em 1º de junho de 1937, o marechal Mikhail Tukhachevsky escreveu à mão uma longa declaração na qual admitia conspirar contra a União Soviética com o Estado-Maior alemão. Tukhachevsky afirmou que os comandantes discutiram o planejamento de sua revolta com Trotsky.

Em 1932, em mais de uma ocasião, conversei com Feld’man, criticando a direção do exército e a política do Partido. Feld’man expressou grande apreensão sobre as políticas do Partido em relação ao campo. Eu disse a ele que isso deveria nos alertar, trabalhadores militares, para ficarmos em guarda e sugeri a ele que organizasse um grupo militar, compartilhando as visões dos direitistas, que pudesse discutir esses assuntos e dar os passos necessários. Feld’man concordou e assim foi iniciada a criação da conspiração trotskista militar antissoviética. Eu disse a Feld’man que já havia estabelecido ligações com Enukidze, que representava a liderança dos direitistas. Com o retorno do Extremo Oriente de Putna e Gorbachev - Eu acho que isso foi em 1933 - eu falei separadamente com os dois. Putna admitiu rapidamente que já estava em contato com Trotsky e Smirnov. Sugeri-lhe que se juntasse às fileiras da conspiração militar-trotskista, dizendo-lhe que tinha instruções diretas de Trotsky. Putna concordou imediatamente. Mais tarde, após sua nomeação como adido militar, ele foi convidado a manter a ligação entre Trotsky e o centro da conspiração militar-trotskista anti-soviética. Se não me engano, também por volta dessa época, conversei com I.N. Smirnov, [21] que me disse que ele, por ordem de Trotsky, estava tentando desorganizar os preparativos para a mobilização da indústria na área de cartuchos. Por volta dessa época, 1933/1934, Romm me visitou em Moscou e disse-me que precisava transmitir as novas instruções de Trotsky. Trotsky apontou que não era mais viável restringir nossas atividades ao simples recrutamento e organização de quadros, … que o fascismo alemão prestaria ajuda aos trotskistas em sua luta contra a liderança de Stalin e que a conspiração militar deve fornecer dados de inteligência ao Estado-Maior alemão, bem como trabalhar em conjunto com o Estado-Maior japonês, realizando atividades perturbadoras no exército, preparar atos diversionistas e terroristas contra membros do governo. Essas instruções de Trotsky eu comuniquei ao centro de nossa conspiração. Recrutei Eideman em 1932. Ao receber instruções de Trotsky sobre atividades de destruição e espionagem, Eideman pediu que recebesse instruções sobre sua atividade em Osoaviakhim. Durante o inverno de 1935/1936, Pyatakov me disse que Trotsky agora nos pedia para garantir a [futura] derrota da URSS na guerra, mesmo que isso significasse entregar a Ucrânia aos alemães e o Primor’ye aos japoneses. Pyatakov afirmou que Trotsky levaria a cabo uma luta decisiva para infiltrar seu pessoal no Comintern. Pyatakov afirmou que tais condições significariam a restauração do capitalismo no país. Ao recebermos as instruções de Trotsky sobre o desencadeamento de uma campanha de atividades de sabotagem, espionagem, diversionismo e atividades terroristas, o centro da conspiração … emitiu várias instruções aos membros da conspiração, com base nas diretrizes de Trotsky. O centro da conspiração militar trotskista anti-soviética executou toda a sua atividade de destruição e trabalho diversionário exclusivamente de acordo com uma cadeia de comando, dentro dos órgãos de administração existentes dentro do RKKA … Yakir questionou se, era mais correto, ou não, que o centro militar-trotskista anti-soviético se unisse aos direitistas ou trotskistas. No outono de 1935, Putna veio ao meu escritório e entregou uma nota de Sedov, em nome de Trotsky, insistindo que eu atraísse com mais energia os quadros trotskistas para a conspiração militar … Além disso, Putna me disse que Trotsky havia estabelecido ligações diretas com o governo de Hitler e o Estado-Maior Alemão, e que o centro da conspiração trotskista militar anti-soviética deveria se encarregar de preparar derrotas nas frentes em que o Exército Alemão operaria. No final de janeiro de 1936, tive que viajar para Londres para assistir ao funeral do rei britânico. Durante o cortejo fúnebre, primeiro a pé e depois no trem, o general Rundstedt - chefe da delegação militar do governo alemão - falou comigo. Era óbvio que o Estado-Maior alemão já havia sido informado por Trotsky. Como já indiquei na primeira seção, durante os exercícios militares estratégicos realizados em abril de 1936, sobre a questão da posição operacional de nossos exércitos, troquei opiniões com Yakir e Uborevich. Levando em consideração a diretriz de Trotsky de se preparar para a derrota naquela frente onde os alemães atacariam … Propus a Yakir tornar a tarefa alemã mais fácil por meio de táticas de destruição de diversionismo … [22] Nem Steven J. Main, que traduziu e publicou esta declaração de Tukhachevsky, nem ninguém tem qualquer evidência de que as confissões de Tukhachevsky não eram genuínas. No entanto, não é aceitável, nem “politicamente correto”, usar essas confissões como prova, porque uma verdadeira conspiração alemã e trotskista, além disso, que incluísse os réus do Caso Tukhachevsky, ameaçaria desmantelar o “paradigma anti-Stalin”, a falsa noção de que Stalin “incriminou” todos os réus. Esse paradigma é virtualmente sacrossanto na historiografia trotskista e anticomunista. 9. A CONFISSÃO DE NIKOLAI BUKHARIN ACUSANDO TROTSKY Nikolai Bukharin, Em 2 de junho de 1937, um dia depois de Tukhachevsky fazer essas confissões, Nikolai Bukharin, que estava preso desde o final de fevereiro de 1937, também confessou saber do trabalho de Trotsky com os alemães. Falei com PYATAKOV, TOMSKY e RYKOV, com SOKOL’NIKOV E KAMENEV. Tive uma conversa com PYATAKOV no Comissariado do Povo da Indústria Pesada (aproximadamente no verão de 1932). Tudo começou com uma troca de opiniões sobre a posição geral do país. PYATAKOV me informou sobre seu encontro em Berlim com SEDOV sobre o fato de que a TROTSKY estava insistindo em uma transição para métodos terroristas de luta contra a liderança de Stalin e na necessidade de consolidar todas as forças antissoviéticas na luta pela derrubada da “burocracia Stalinista.”… PYATAKOV insinuava o terror, mas era muito cético em relação a este método de luta, considerando-o uma consequência específica da fúria e amargura de Trotsky, com pouca lógica política … No verão de 1934, eu estava no apartamento de RADEK quando RADEK me informou sobre as diretrizes políticas internacionais de Trotsky. RADEK disse que Trotsky, insistindo no terrorismo, mesmo assim considerava que a chance básica de o bloco chegar ao poder era a derrota da URSS na guerra com a Alemanha e o Japão, e nesse sentido expôs a ideia de um acordo com os alemães e o Japão à custa de concessões territoriais (a Ucrânia para os alemães, o Extremo Oriente para os japoneses). Não protestei contra a ideia de um acordo com a Alemanha e o Japão, mas não concordei com Trotsky quanto à natureza e extensão das concessões … Insisti que a impetuosidade de Trotsky poderia levar a comprometer completamente suas organizações, assim como as organizações de todos os aliados de Trotsky, incluindo os Direitistas … No verão de 1935, eu estava sentado na varanda da dacha de Radek quando, de repente, três alemães chegaram de carro. RADEK recomendou-me a eles como professores fascistas alemães … Posteriormente, RADEK me disse que um dos alemães era BAUM, e que ele havia negociado com ele antes, por instruções de Trotsky, e que ele, RADEK, havia informado BAUM sobre o Bloco trotskista-zinovievista e sobre o dos Direitistas, mas que não queria conversar com BAUM na presença de outras pessoas … Lembro-me de mais uma conversa importante em que RADEK insinuou que havia recebido algum tipo de novas diretrizes de Trotsky com relação à política interna e externa. Lembro que fiquei aborrecido em geral com o modo como Trotsky emitiu ordens de vários tipos, com as quais os trotskistas se relacionavam como se fossem os comandos militares de um general. RADEK deu a entender que se tratava de algum tipo de novas negociações de Trotsky com a Alemanha ou a Inglaterra, mas se limitou a falar sobre as diretrizes de Trotsky sobre sabotagem … Além dessas … conversas, houve reuniões mais curtas e acidentais, onde trocamos pontos de vista brevemente. Destes, os exemplos mais importantes foram os seguintes: 1. RADEK me informou que a TROTSKY sempre insistiu no terror … [23] Podemos ter quase certeza de que Bukharin estava dizendo a verdade. Bukharin passou a maior parte de seu testemunho durante o Terceiro Julgamento de Moscou de março de 1938 negando certas acusações feitas contra ele pela promotoria - algo que ele nunca teria feito se, por exemplo, sua família tivesse sido ameaçada. Mesmo assim, Bukharin afirmou sua participação no bloco trotskista de direita e as confissões descritas acima. Stephen F. Cohen, uma autoridade mundial e defensor de Bukharin, concluiu em 2003 que Bukharin não foi torturado. [24] Agora possuímos uma grande quantidade de evidências que confirmam a realidade da conspiração militar-trotskista, incluindo sua conivência com o Estado-Maior Alemão. Para dar dois exemplos: *Em 2012, Vladimir Bobrov e eu publicamos a carta do marechal Semion Budyonny ao marechal Voroshilov de 26 de junho de 1937. Nela, Budyonny, um dos juízes no julgamento de Tukhachevsky e os outros sete comandantes em 11 de junho de 1937, resumia as confissões no julgamento, incluindo as admissões dos réus à colaboração com Trotsky e os alemães. (Furr & Bobrov, 2012) *Em maio de 2018, as autoridades russas divulgaram a transcrição oficial de 172 páginas do Julgamento de Tukhachevsky. Em seus depoimentos, todos os réus confessam sua culpa. Entre muitas outras coisas, Vitalii Primakov, um dos réus, confessou que Trotsky o designou, Primakov, para organizar um levante armado em Leningrado em caso de guerra. Tukhachevsky e Vitovt Putna confessaram serem aliados em sua conspiração com os nazistas e com Trotsky. [25] Os acusados implicaram Trotsky muitas vezes durante seu depoimento. Eles confirmaram a existência do bloco de oposicionistas, incluindo os trotskistas. Sabemos que esse bloco existiu pelas próprias cartas de Trotsky e Sedov, encontradas no Harvard’s Trotsky Archive por Pierre Broué e sua equipe de pesquisadores. (Broué, 1980) 10. OS PROCESSOS DE MOSCOU NÃO FORAM UMA CONSPIRAÇÃO O POUM repetiu a linha de Trotsky de que os Julgamentos de Moscou eram armações contra homens inocentes. Trotsky afirmou que os réus os Julgamentos de Moscou, Tukhachevsky e Bukharin, foram torturados e suas confissões foram forjadas e falsas. Essa linha foi adotada por Khrushchev, Gorbachev e anticomunistas da Guerra Fria, que a repetem até hoje. No entanto, nunca houve qualquer evidência para apoiar essa visão. Ao contrário, agora temos muitas evidências que corroboram o testemunho dos Julgamentos de Moscou, incluindo a descoberta de que Trotsky mentiu sobre eles. Esta evidência mostra que os réus nos Julgamentos de Moscou testemunharam o que escolheram testemunhar e não foram “forçados” pelo NKVD ou pelo Ministério Público. [26] Portanto, não há fundamentos racionais para não aceitar as confissões dos réus nesses julgamentos como prova. Os únicos motivos para rejeitá-los são o preconceito político. Vista em seu contexto histórico, a repentina e inesperada campanha soviética e comunista contra os trotskistas faz sentido. O relato de Sudoplatov mostra que os soviéticos tinham evidências do envolvimento trotskista e alemão na instigação da revolta das “Jornadas de Maio de Barcelona”. A carta de Faupel mostra que o embaixador alemão acreditava que os agentes de Franco também estavam envolvidos. A declaração do Tribunal Militar Alemão mostra que o serviço secreto alemão esteve envolvido na instigação da revolta e que os comunistas souberam disso através das ações ousadas dos agentes comunistas von Pöllnitz e Schulze-Boysen. O POUM agia como um partido trotskista. Os rebeldes pareciam estar fazendo exatamente o que os trotskistas confessaram que há muito planejavam fazer na URSS: revoltar-se contra o governo em tempo de guerra para garantir sua derrota. Os réus trotskistas disseram que Trotsky tinha algum tipo de entendimento com os alemães (bem como com os japoneses). Além disso, agora temos evidências conclusivas que confirmam a colaboração de Trotsky com os alemães e japoneses. Este é o contexto em que ocorreu o sequestro, interrogatório e assassinato de Nin. É lógico supor que o NKVD e os comunistas espanhóis sequestraram Nin para descobrir o que ele sabia sobre a colaboração nazista / franquista / POUM, e se isso se devia à infiltração nazista ou se fazia parte da própria colaboração de Trotsky com a inteligência alemã. 11. ERWIN WOLF Um dos assessores mais próximos e de maior confiança de Leon Trotsky, Erwin Wolf chegou na Espanha diretamente de Trotsky, que havia se mudado para a Noruega. Georges Vereeken diz que Wolf estava indo para a Espanha não para lutar, mas como representante do “Secretariado Internacional”, o movimento político de Trotsky. (Vereeken, 1976, p. 171). Wolf era a ligação de Trotsky com os trotskistas na Espanha, inclusive com Andrés Nin, com quem trabalhou intimamente. Boris Volodarsky escreve: Na segunda metade de julho [1937], logo após a prisão da liderança do POUM, Moulin (Hans Freund) organizou uma reunião na qual convidou vários trotskistas proeminentes que ainda estavam em liberdade … Os presentes na reunião foram Erwin Wolf, que estava na Espanha com seu próprio nome, posando como correspondente estrangeiro de vários jornais britânicos, a esposa de Wolf e um espanhol a quem Thalmann [Paul Thalmann, um trotskista suíço] chama de “Munez” em suas memórias, “um verdadeiro líder da os trotskistas espanhóis.”[27] Certamente era Grandiso Munis. A agenda da reunião urgente era discutir a situação política e as chances de um levante revolucionário após as jornadas de maio e as subsequentes prisões. (Volodarsky, 2015, pp. 263–264) Depois que Wolf e sua esposa foram presos tentando deixar a Espanha, eles ficaram detidos em dois lugares diferentes. De acordo com Volodarsky, Thalmann observou que quando ele próprio foi preso “seus investigadores sempre fizeram as mesmas perguntas: quando ele esteve na Alemanha pela última vez? Quando ele conheceu Trotsky na Noruega? Onde estava o trotskista Moulin? ” (Volodarsky, 2015, p. 265). Libertado, preso novamente, solto novamente e mais uma vez preso, Wolf foi finalmente libertado pela polícia espanhola em 13 de setembro de 1937, e imediatamente sequestrado, Boris Volodarsky presume, por pessoas que agiam por “Moscou”, ou seja, o NKVD na Espanha sob o comando de Alexander Orlov (266). 12. KURT LANDAU Kurt Landau (1903–1937)Em abril de 1930, Landau foi um dos membros fundadores do “Bureau Internacional” de Trotsky. De acordo com sua esposa Katia, Landau acreditava na versão de Trotsky sobre o Julgamento de Moscou de 1936, assim como ela. Graças à descoberta de Pierre Broué no Harvard’s Trotsky Archive, sabemos que Trotsky estava mentindo. Trotsky e seus apoiadores soviéticos haviam de fato estado em um “bloco” político clandestino com zinovievistas, direitistas e outros oposicionistas. (Broué, 1980) Landau supostamente rompeu com Trotsky em 1931. No entanto, sua determinação em defender os réus do Julgamento de Moscou de 1936 é o que se esperaria de um trotskista. Os soviéticos teriam suspeitado que Landau e Trotsky haviam encenado uma briga falsa e trocado insultos como uma cortina de fumaça, assim como Karl Radek e Yuri Piatakov haviam feito. Landau mudou-se para a Catalunha em novembro de 1936 com Katia. Lá, ele “rapidamente conquistou uma influência substancial junto aos líderes do POUM ao qual se juntou”. (Volodarsky, 2015, p. 273) Segundo Hans Schafranek e Pierre Broué, Landau claramente trabalhou em estreita colaboração com Nin. [Landau] contribuiu para La Batalla, [o jornal do POUM] e coordenou as relações internacionais do POUM, especialmente em conexão com a preparação da conferência internacional em Barcelona planejada pela liderança do POUM. Ele ainda imaginava “um novo Zimmerwald” do qual o POUM seria o eixo. (Broué, 2008; Schafranek, 1980, p. 80, 85, 86 n.112) 13. UMA NOVA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE? Tanto Wolf quanto Landau consideraram as Jornadas de Maio como o prelúdio de uma revolução do tipo bolchevique. Landau escreveu que o objetivo era derrubar a República Espanhola burguesa, que ele chamou de “a contra-revolução democrática”. (Schafranek, 1988, p. 475) Os trotskistas viram a República Espanhola através das lentes da revolução de 1917, sendo o governo socialista republicano como o governo socialista de Kerensky, os comunistas espanhóis e soviéticos como os mencheviques e eles próprios como os verdadeiros leninistas, ou Bolcheviques. Eles até formaram um “governo provisório” em 5 de maio. (471) No julgamento do POUM de outubro de 1938, Nin e Landau foram acusados de serem agentes da Gestapo. (Volodarsky, 2015, p. 278) Os trotskistas no Segundo (janeiro de 1937) e no Terceiro (março de 1938) Julgamentos de Moscou confessaram que Trotsky estava colaborando com os alemães. O mesmo aconteceu com os réus do Caso Tukhachevsky de maio-junho de 1937. Era lógico que os soviéticos e os comunistas em geral suspeitassem que Nin e Landau, trabalhando para Trotsky, também eram agentes alemães. 14. TROTSKY E OS ASSASSINATOS DE NIN, WOLF E LANDAU Os soviéticos sabiam o que Trotsky estava fazendo. Eles sabiam que os réus do Julgamento de Moscou eram culpados pelo menos pelo que haviam confessado. No entanto, Trotsky negou isso publicamente, e os trotskistas acreditaram nele. Eles não sabiam que não era Stalin, mas Trotsky que mentia, em defesa de sua conspiração. A evidência de que Trotsky mentiu exige que rejeitemos o entendimento convencional da repressão aos trotskistas na Espanha. O ataque soviético aos trotskistas não foi paranoico nem criminoso. Os soviéticos não tinham como saber quanto das atividades conspiratórias de Trotsky Wolf, Nin e outros sabiam. Wolf viera para a Espanha diretamente de Trotsky [que estava] na Noruega, presumivelmente com as instruções de Trotsky. Seria prudente para os soviéticos presumir que Nin e Landau também o haviam feito. Não sabemos se Nin, Wolf e Landau sabiam da colaboração de Trotsky com os alemães. Durante seu encontro secreto na Noruega em dezembro de 1935, Trotsky deixou claro para Pyatakov que seus planos reais deveriam ser mantidos em segredo de seus seguidores. No entanto, os soviéticos teriam presumido que estavam cumprindo as ordens de Trotsky. Isso foi o suficiente para torná-los agentes alemães aos olhos dos soviéticos. Foi Trotsky, não Stalin, quem condenou esses homens. Nin, Wolf e Landau foram para a Espanha ou como representantes diretos de Trotsky - Wolf certamente, Nin provavelmente, Landau possivelmente também - ou para ajudar com a agenda trotskista de minar a política Republicana soviética e espanhola na esperança de liderar uma revolução contra o governo Republicano Espanhol. Nin, Wolf e Landau sabiam que Trotsky estava mentindo para o mundo como, por exemplo, Radek e Piatakov sabiam? Lilia Estrina, uma das associadas mais próximas de Leon Sedov, filho de Trotsky e sua principal assistente política, disse a Pierre Broué que nenhum dos assistentes de Sedov sabia sobre os contatos de Trotsky dentro da URSS, e que apenas Sedov e Trotsky sabiam desses detalhes. (Furr, 2015, pp. 75–76) Pelo que sabemos, apenas os co-conspiradores mais próximos de Trotsky dentro da URSS sabiam do conluio com a Alemanha e o Japão. Claro, depois do Julgamento de Moscou de janeiro de 1937, o mundo também sabia. No entanto, os seguidores de Trotsky fora da URSS escolheram acreditar nas negações de Trotsky. Landau acreditava nas alegações de Trotsky de que as acusações contra os réus do Julgamento de Moscou de 1936 eram falsas. É possível que Wolf soubesse mais, já que trabalhava diretamente com Trotsky. No entanto, parece improvável que Nin, Wolf ou Landau soubessem a verdade sobre a colaboração de Trotsky com fascistas dentro da União Soviética e com a Alemanha e o Japão. Suas ações sugerem que eles acreditavam que essa era uma acusação cínica e caluniosa. Mas o NKVD soviético sabia que essas acusações eram verdadeiras. A fortuna política de Trotsky baseava-se inteiramente em sua credibilidade como um leninista de princípios. Seus seguidores políticos acreditavam que Trotsky era honesto e verdadeiro, e que Stalin e seu regime eram os falsificadores. Hoje podemos provar que muitas das acusações feitas contra Trotsky nos julgamentos de Moscou eram verdadeiras. Se isso fosse conhecido na época, muitos dos seguidores de Trotsky o teriam abandonado. Trotsky sabia disso. Em sua declaração de 19–20 de dezembro de 1936, ao então chefe do NKVD Nikolai Ezhov, Yuri Piatakov descreveu o que Trotsky lhe disse durante seu encontro secreto na Noruega em dezembro de 1935: … que nem tudo o que ele ia dizer deveria ser relatado aos seus seguidores na URSS. Ele mencionou mais uma vez a diferença entre a preparação de um golpe de Estado e uma revolta em massa e, neste contexto, muito do que ele estava a dizer não deve apenas não ser tornado público (e, portanto, não deveria estar surpreso que muito disso contradiz o que é dito em seus ‘Boletins’), mas também não deve ser divulgado a círculos mais amplos de seus apoiadores na URSS [28] (TsA FSB 1936–1937, LD 264) Os soviéticos sabiam que Wolf era o representante de Trotsky na Espanha. Eles sabiam ou presumiam que Nin e Landau também eram representantes de Trotsky. Era razoável acreditar que eles ou outros como eles estavam em contato com os alemães quando se juntaram à rebelião das Jornadas de Maio. Os soviéticos e os comunistas espanhóis são às vezes condenados por assassinar esses trotskistas e por falsificar documentos para incriminar o POUM. Mas os Aliados da 2ª Guerra Mundial acreditavam que não era crime em tempo de guerra assassinar agentes alemães e forjar documentos falsos para incriminá-los. Essas e outras medidas drásticas foram amplamente empregadas contra a Alemanha. Nin, Wolf ou Landau teriam ido para a Espanha se soubessem o que sabemos hoje sobre as mentiras e conspirações de Trotsky? É possível que eles não tivessem aderido de forma alguma à causa de Trotsky. Mas eles acreditaram em Trotsky e pagaram por isso com suas vidas. APÊNDICE: CRONOLOGIA DA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO DE 1937 EM BARCELONA

  • 2 de maio: Forças do governo Republicano atacam a central telefônica e os anarquistas que a controlavam.

  • 3 de maio: Forças governamentais retomam a central telefônica. Anarquistas atiram neles. O POUM, os trotskistas (“Bolcheviques-Leninistas”) e os anarquistas retiram armas ocultas, acumuladas em vez de serem enviadas para a frente para lutar contra os fascistas e constroem barricadas. A guerra civil começa em Barcelona.

  • 4 de maio: Unidades anarquistas e do POUM ameaçam deixar o front e marchar sobre Barcelona e Madri, mas são dissuadidas por apelos de seus líderes ou por ameaças de serem bombardeados pelas forças do governo.

  • 5 de maio: a luta continua, com mortes de ambos os lados. Um “governo provisório” é formado por líderes rebeldes.

  • 6 de maio: tropas governamentais de Madri e Valência avançam em direção a Barcelona. Navios de guerra republicanos convergem para o porto. As forças governamentais começam a desarmar grupos rebeldes.

  • 7 de maio: A revolta termina em Barcelona e nas cidades vizinhas, com a derrota das forças anarquistas, POUM e trotskistas.

NOTAS DE RODAPÉ [1] Trotsky teve que mentir, é claro, em defesa de suas conspirações contra o regime soviético, liderado por Stalin. A descoberta moderna das mentiras de Trotsky começou com o artigo de Pierre Broué (Broué, 1980). Durante as décadas de 1980 e 1990, Broué publicou mais descobertas das mentiras de Trotsky. Em 1986, o estudioso americano Arch Getty revelou ainda mais mentiras de Trotsky (Getty, 1986). Broué e Getty basearam suas pesquisas em descobertas no Harvard’s Trotsky Archive, aberto a estudiosos em 2 de janeiro de 1980. O presente autor estendeu o trabalho de Broué e Getty em vários livros, comparando os artigos de Trotsky em seu Bulletin of the Opposition com as fontes ele usou, e baseando-se em documentos de arquivos anteriormente secretos soviéticos, disponíveis após o fim da URSS. Para essas descobertas, e um exame atento das mentiras de Trotsky reveladas por outros estudiosos, ver Furr (2015), cap. 12–16; Furr (2017); e Furr (2019). [2] “Operatsia‘ Utka ‘”significa literalmente“ Operação ‘Pato’.” “Utka” era aparentemente um acrônimo para as palavras russas “ustranenie Trotskogo”, “remoção de Trotsky”. A melhor discussão desta operação que encontrei está em Vishliov (2001), pp. 123–140. “Utka” foi decifrado em 127–128. [3] Todo o negrito neste artigo é do presente autor. [4] Um clássico relato da Red Orchestra é Perrault (1969). [5] Nicolás Franco Bahamonde era irmão de Francisco Franco. [6] Para uma breve cronologia da revolta, consulte o Apêndice. [7] O artigo de Radek no Pravda de 14 de março de 1923, intitulado “Leon Trotsky - o Organizador da Vitória”, assinalou o início da campanha de Trotsky pela liderança do Partido Bolchevique depois que Lenin foi definitivamente afastado por repetidos golpes. [8] As frases “o regime burocrático de um traidor envenenado” e “democracia burguesa” foram tiradas de Thomas,1961, pág. 382, que cita o jornal do POUM chamado A Revolução Espanhola de 3 de fevereiro de 1937. [9] “Secretário” aqui significa “membro do secretariado”, ou seja, assistente político próximo. [10] Em um artigo subsequente, Broué corrigiu a referência do jornal onde Nin fez esta revelação: era “Die Lage der russischen Arbeiterklasse, ”Der Kommunist 12 (início de novembro) 1930. Ver Broué (1997), p. 44 [11] De acordo com o trotskista francês René Dazy, Nin fez esta proposta ao governo catalão (Generalitat) em 7 de dezembro de 1936: “Le 7 décembre 1936, Andrèu Nin proposa en conseil des ministres de Catalogne d’accorder l’asile politique à Trotski. ” Dazy (1981), p. 177 [12] De acordo com o biógrafo de Landau, Hans Schafranek, o líder do POUM Julián Gorkin admitiu em 1983 que havia dado a ordem para que Narvich fosse morto. Ver Schafranek (1988), 502 e 547 n. 400 [13] “Rein” era Mark Rein, filho de um proeminente menchevique antibolchevique. Rein “veio para a Espanha como correspondente para várias publicações anti-stalinistas, incluindo o jornal judeu de Nova York Forward. Em 9 de abril de 1937, ele deixou o hotel Continental em Barcelona e nunca mais foi visto. ” (Preston. 2012, 407) Rein era um anticomunista dedicado. Seu assassinato, porém, foi separado do destino dos três trotskistas Wolf, Landau e Nin. [14] Pelo menos um documento no Harvard’s Trotsky Archive prova que Landau permaneceu em comunicação escrita com Trotsky ainda em 1936–1937. [15] Esses arquivos foram posteriormente reclassificados, então Costello e Tsarev é o único relato que temos do conteúdo dos relatórios de Orlov. Podemos verificar o que Costello e Tsarev citaram de outros arquivos. O Arquivo Volkogonov na Biblioteca do Congresso contém fotocópias dos originais de alguns dos relatórios de Mark Zborowski para seus manipuladores do NKVD sobre Leon Sedov. Os textos desses documentos no livro de Costello e Tsarev correspondem exatamente a esses originais. É razoável supor que eles também copiaram com precisão de outros arquivos soviéticos. [16] É significativo que nem Wolff nem Landau tenham sido presos e “desaparecidos” até depois do levante do Dia de Maio. [17] Preston acredita que Nin não foi torturado. [18] As confissões de Iagoda sobre Trotsky estão em Iagoda (1997). A confissão de Bukharin é discutida posteriormente neste ensaio. [19] Eu uso a palavra “conspiração” aqui, porque Bukharin afirmou que ele nunca realmente se encontrou com Trotsky ou alemães, mas insistiu que estava envolvido com outros que o fizeram. [20] Stalin (1996) [1937], 115. Original em Khaustov & et al. (2004), p. 206; Stalin (n.d.) vol. 14, em http://www.hrono.ru/libris/stalin/14–5.html [21] Trotsky e Sedov identificaram Ivan Nikitich Smirnov como o líder dos trotskistas clandestinos dentro da URSS (Broué, 1980; Broué, 1997). [22] As únicas confissões publicadas de Tukhachevsky estão em Molodaia Gvardiia 9 (1994), 129–135 e 10 (1994),255–266. Eles estão online, como um texto, no site russo “Historical Materials” muito útil http://istmat.info/node/28950. Para conveniência do leitor, citei a tradução parcial para o inglês em Main (1997). A primeira parte de As confissões de Tukhachevsky são datadas de 1º de junho de 1937; a segunda parte não tem data, pelo menos na versão publicada, mas pode ter vindo um ou vários dias depois. [23] Bukharin (1937). Para uma edição e um exame acadêmico da primeira confissão de Bukharin, ver Furr & Bobrov (2007). [24] Koen (2003), 60–61. Para uma discussão detalhada, consulte Bobrov & Furr (2010). [25] Mais discussão sobre a carta de Budyonny pode ser encontrada no Capítulo 9 de Furr (2015). [26] Em Furr (2015) e Furr (2018), verifiquei cuidadosamente as declarações nas confissões dos Julgamentos de Moscou que podem ser verificado de forma independente. [27] A referência aqui é a Thalmann (1974), p. 198. [28] Meus agradecimentos a Vladimir L. Bobrov, de Moscou, por obter esta parte importante do arquivo de investigação de Piatakov.