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  • Klaus Scarmeloto

Os Grandes Expurgos: dos processos de Moscou aos arquivos de Trotsky (em correção e ampliação)

Atualizado: 26 de Set de 2020




Por Klaus Scarmeloto

“A propósito, existem progressivos vestígios significativos de que os julgamentos russos não são uma farsa, mas sim que existe um complô entre os que veem Stálin como um reacionário estupido que traiu as ideias da revolução, mesmo conosco entendendo que é difícil pensar nesse tipo de questão interna, os que conhecem bem a Russia tem mais ou menos a mesma opinião. Eu estava fortemente convicto, de início, que era um caso de atos despóticos de um ditador, baseado em mentiras e decepções, mas isso era uma ilusão”.[1] ALBERT EINSTEIN
"Em 1992, durante o curto período de “transparência” no governo de Yeltsin, os apelos ao Tribunal do Soviete Supremo de dez dos réus dos Julgamentos de Moscou foram publicados no Jornal Izvestiia. Todos os réus em questão haviam sido condenados com base nas suas próprias confissões e nas acusações de outros réus. Se eles nunca tentaram retirar suas confissões e proclamar inocência esta seria a sua última chance de fazê-lo. Nenhum deles o fez, nem confirmaram tortura. Cada um deles confirmou a sua própria culpa". [2] Grover Furr (Professor na Universidade de Montclare)

No Corpo Diplomático, não há unanimidade de opinião em relação ao testemunho com referência ao acordo de Trotsky com o Japão e a Alemanha. A racionalização de tal plano, como calmamente discutido e justificado por Sokolnikov e também por Radek, pesou sobre alguns, que apontaram que era consistente com a conduta de Lênin em adquirir poder através do uso das forças armadas alemãs em 1917 e com a ascensão do Social Democratas na Alemanha fora das brasas da guerra. Com outros, essa parte do testemunho foi descontada. Mas todos concordam que o estado estabeleceu um caso de conspiração contra o atual governo. [3] (Joseph. E. Davies Ex-Embaixador dos EUA na URSS)

  • Neste Texto, pretende-se iniciar a comparação dos arquivos de moscou com os arquivos pessoais de Trotsky, ainda que sem o objetivo de esgotar uma temática tão rica e cheia de nuances. Nosso objetivo, não poderia ser outro senão averiguar a procedência inicial da investigação de J. Arch Getty, no decorrer dos anos de 1980 nos arquivos pessoais de Trotsky — também sustentada pelo historiador Grover Furr e até pelo trotskysta Pierre Broué —, que teriam constatado a ressonância entre as acusações feitas contra Trotsky nos processos de Moscou em seus arquivos pessoais localizados em Harvard que, segundo os historiadores, em tela, confirmaria razoavelmente a veracidade dos agentes inquisitórios soviéticos graças aos próprios descuidos de Liev Davidovich Bronstein e sua família.

  • No entanto, não poderemos, ainda neste artigo, trazer à tona as dissonâncias entre as visões subjetivas de Trotsky em comparação com essas evidências e, assim, mostrar o quão distante esteve o discurso do “Napoleão Vermelho”, de boa parte de sua militância consequente, em relação a sua prática política real que, infelizmente, provou-se completamente antissoviética. Tal tarefa exige a posse das evidências em si e de suas análises, o que segue fora do alcance imediato, por isso, delimitou-se aqui a indicação de sua a existência nos arquivos de Trotsky e seu elo com a incriminação realizada durante os julgamentos de Moscou.

  • Pelo mesmo motivo, não será viável comentar o curto período de Krupskaya na oposição, e a possibilidade de isso servir a defesa de Trotsky, bem como os depoimentos das secretárias de Lenin, porque não possuímos ainda todas as evidências necessárias para efetuar a comparação em seu todo nos mínimos detalhes. Pois, sem acesso a tais evidencias em si, não se pode prosseguir para fazer, com qualidade, tais comparações, ou seja, a fim de obter máximo êxito, seria necessário averiguar as evidências bem como todos os historiadores que já o fizeram. Aqui, neste primeiro momento, optaremos por apenas abrir o caminho para no futuro finalizar esse debate, é o possível neste instante.

  • Do mesmo modo, no momento, também não poderemos avaliar os depoimentos de Harry Haywood, W.E.B. D.U. B.O.I.S., sobre as relações de Trotsky com os EUA, a acusação contra Trotsky de atuar em colaboração com o FBI, e também, nem comentaremos sobre a relação dos trotskystas no Norte da América, com as ditaduras latinas e, também, da américa central caribenha que ressoa em todas as revoluções nessas regiões.

  • ´Por falta de maiores acessos as evidências, não trabalharemos as referências que os ligam ao Japão, trazidas por Ho Chi Minh, Zhou En-lai e Mao Zedong.

  • Nem investigaremos, por hora, se os trotskystas atuaram, a mando de Trotsky, em conluio com o nazifascismo nas seguintes controvérsias: na Espanha de Franco; no Assassinato de Alex Mailov, secretário da embaixada soviética em Lvov, Polônia, por agentes da OUN, organização de nacionalistas ucranianos e financiada pelos nazistas; o Assassinato do premier Ion Duca da Romênia pelos Guardas de Ferro, terroristas nazi-romenos; em fevereiro de 1934: Levante em Paris, França, da Croix de Feu, organização fascista francesa de inspiração nazista; a Tentativa de golpe de estado na Estônia em março de 1934, pelos lutadores da liberdade, organização fascista financiada pelo nazismo. Golpe de estado fascista na Bulgária em Maio de 1934; tentativa de Putsch na Latvia pela Fraternidade Báltica controlada por nazistas em 1934; Junho de I934 o assassinato do General Bronislav Pieradd, ministro polonês do Interior, por agentes da OUN, organização dos nacionalistas ucranianos financiada pelo nazismo; o Assassinato de Ivan Babiy, chefe da organização de Ação Católica na Polônia, por agentes da OUN em Junho de 1934; Tentativa de levante popular na Lituânia pela organização nazista dos Lobos de Aço, em Junho de 1934; Putsch nazista abortivo, na Áustria e o assassinato, do chanceler Engelbert Dollfuss por terroristas nazistas em junho de 1934; Assassínio do Rei Alexandre da Iugoslávia e do ministro francês do Exterior Barthou por agentes da Ustachi, organização fascista da Croácia controlada por nazistas, em Outubro de 1934. Além dessas hipóteses, sobre qualquer golpe Nazista, inclusive as vésperas da Segunda Guerra Mundial.

  • Após a criação da CIA e a Morte de Trotsky, as atuações antissoviéticas de seus seguidores não se cessaram, poderíamos averiguar também se elas podem acrescentar a esse debate invocando em Cena o Belga Ludo Martens, que procurou demonstrar como a atuação do trotskismo serviu o imperialismo por anos, no entanto, ainda restaria necessário recolher mais evidencias para o plano da comparação e, por isso, não trabalharemos imediatamente esse tema.

  • Abordar todas essas evidencias acima, seria importante porque todas elas se ligam de algum modo ao objetivo central de Trotsky de derrubar a burocracia e de fazer a revolução mundial.

  • Por se tratar de um tema polêmico, procurou-se durante o texto mostrar que os indícios de uma conspiração contra o Estado soviético, valendo-se da oposição como ponto de partida, existiam ainda aos tempos da chamada “era Lenin” e até mesmo antes, no POSDR, alçamos para tanto o resumo feito por Bill Blind das divergências históricas de Lenin com Trotsky, admitido pelo Trotskysta Isaac Deustcher, que acaba, ainda que sem intenção, como demonstraremos, autenticando os depoimentos dos espiões estadunidenses e britânicos na Rússia e na futura URSS. Da posse desses indícios e de uma pequena análise de sua autenticidade acerca da coerência comparativa deles diante de outras provas, deu-se prosseguimento a explicação do que originou os grandes expurgos na URSS, mais precisamente, o assassinato de Sergei Kirov.

  • Contestamos, por óbvio, toda e qualquer tese que convalide os expurgos como decisão subjetiva do governo soviético a fim de eliminar a oposição, porque tais assertivas não possuem respaldo empírico para além de depoimentos e configuram o mero plano das opiniões, são somente a palavra da oposição, seus testemunhos e de seus apoiadores internacionais.

  • Sem esgotar a totalidade do tema dos grandes expurgos, assunto deveras extenso, e normalmente lançado em livro aparte por todos historiadores especializados, mostramos aqui a visão de Trotsky sobre o ocorrido inicial, o gatilho dos expurgos, isto é, seu ponto de vista tanto sobre Sergei Kirov e também acerca de seu assassino Leonid Nikolaev.

  • Ao fim dessa jornada que segue utilizando metodologia comparativa de fontes primárias, procuramos evidenciar como os indícios dão conta de cristalizar o entendimento de que os arquivos de Trotsky estão sendo alterados, justamente por serem comprometedores a ele e a seus partidários sendo, assim, sustentamos que os arquivos de Trotsky e os arquivos de Moscou são evitados por boa parte dos antistalinistas de “esquerda”, principalmente no Brasil, por se tratarem de um conteúdo desfavorável a este grupo de pensadores políticos, militantes e etc., pelo qual demonstramos que isso se casa ao objetivo imperialista de difamar o comunismo porque lhe retira do âmbito da prática sadia histórica — reivindicável como modelo de civilização — e o faz retornar ao plano do idealismo abstrato, como utópico, exógeno e não autóctone na melhor das hipóteses.

  • Não pretendemos aqui demonizar Trotsky, apenas revelar a verdade para que a própria superação dialética de dicotomias, dentro do campo marxista, seja realizada tendo em vista a veracidade dos fatos e não de maneira grosseira, anticientífica, eclética e banal como procura fazer o oportunismo: que, a todo custo, tenta ou agradar a dois senhores, ou impor a somente um deles a superação do problema o fazendo disfarçar seus pensamentos “stalinistas”.

1. Evidências da Colaboração da 5ª coluna soviética para o assassinato de Sergei Kirov

  • O homicídio de Kirov — o presidente do PCUS em Leningrado e uma das pessoas mais importantes do comitê central do PCUS —, no dia 1 de Dezembro de 1934, veio a dar início à revelação da existência de um grupo que conspirava pela posse da direção do PCUS e do Estado através de violência. A luta política perdida em 1927 tentava, novamente, retornar de outra forma. Agora, não mais pelo método de luta interna pacífica pelo centralismo democrático, mas pela violência racionalizada contra o Estado.

  • A organização terrorista tinha reticulares apoios no PCUS, em todos os níveis: exército, aparelho estatal, indústria, comércio, relações internacionais, até mesmo em setores literários, artísticos e demais setores em todo o país, sendo as características mais importantes de sua atuação: sabotagem industrial, terrorismo e corrupção. Trotsky, foi acusado como o precípuo mentor da oposição que coordenava as ações do exterior e conseguia fundos e contatos para tal. O ataque a indústria causava prejuízos terríveis ao estado e ao povo soviético, um custo econômico gigantesco como, por exemplo, novos meios de produção que se estragavam sem reparação com qualidade baixa, e grande baixa na produtividade nas minas e fábricas.

1.1. Da oposição a Lenin ao assassinato de Kirov: complô pela tomada do poder

  • O Partido que dirigiu o proletariado russo e tomou poder durante a revolução de outubro em 1917 era, de longa data e, essencialmente, heterogêneo em sua concepção ideológica de política nacional e internacional. Essa diversidade política, que levava a divisão no seio do Partido Comunista Russo que mais tarde formaria o PCUS, já o era nos primórdios do P.O.S.D.R. e, foi, sobretudo após a revolução, com muito esforço, contida por Lenin. No entanto, é notório que o Leninismo divergia de Trotsky e Bukharin: como demonstrou nitidamente a controvérsia do tratado de paz em 1918 bem como a NEP em 1921 e, igualmente, de Zinoviev e de Kamenev: tanto na reunião que participaram sobre a oposição a Lenin em 1910 com Trotsky[1], quanto na insurgência de outubro[2] em 1917. Essa divisão no seio dos dirigentes da revolução, antes de tudo, devia-se a adesão ao bolchevismo de diversos membros de correntes estranhas a seus ideais como os sociais-revolucionários e os mencheviques que, em maior ou menor medida, representavam expressões da ideologia burguesa se infiltrando no seio do bolchevismo. Tais adesões ocorreram sem que houvesse de fato vínculo orgânico com os ideais revolucionários dos bolcheviques, isto é, sem qualquer crítica e autocrítica real. De todo modo, o divisionismo “contido enquanto Lenin ainda vivia, tornou-se irremediável depois do desaparecimento do líder carismático.”[3]

  • Nesse sentido, o que garantia a unidade, era em grande medida o respeito a Lenin e a impossibilidade de seus adversários de partido lhe fazerem frente cientificamente, assim, convalida-se o depoimento dos espiões ou agentes estrangeiros atuantes na Rússia no período, que buscavam fazer contato com quem pudesse fazer frente a Lenin, dos EUA, Raymond Robins, e da Grã-Bretanha, Bruce Lockhart: "Não havia um comissário que não olhasse Lenin como um semideus, cujas decisões deviam ser aceitas sem discussão. Se alguma coisa se pretendia na Rússia, só poderia ser feita através de Lenin. Essa conclusão era reproduzida por Raymond Robins."[4]

  • Lenin era composto por imensa simpatia e detinha o respeito de toda a nação, por isso, após sua morte, o oportunismo ganhou um pouco de fôlego para tentar novos ataques usando os mesmos desvios mencheviques ou sociais-revolucionários.[5]

  • Antes de mais nada, é verificável que independentemente dos mais íntimos pensamentos, todos eram obrigados a respeitar Lenin, e talvez, estivessem condenados, desde o princípio, a serem coadjuvantes que jamais poderiam lhe fazer frente, querendo ou não, no entanto, vemos que a oposição a Lenin, explicitamente ou não, tem raízes históricas:

Em resumo, as principais divergências políticas e diferenças violentas entre Lenin e Trotsky são traçadas por datas, se iniciam em 1903, e percorrem até 1922. (...) Havia sérias diferenças entre Lenin e Trotsky. O biógrafo de Trotsky, Deutscher, descreve uma brecha adicional entre Lenin e Trotsky, em 1922, sobre a recusa de Trotsky em aceitar o cargo de vice-presidente do Conselho de Comissários do Povo: Em abril de 1922, ocorreu um incidente que fez muito para obscurecer as relações entre Lenin e Trotsky. Em 11 de abril... categoricamente e um tanto arrogantemente, Trotsky se recusou a ocupar esse cargo. A recusa e a maneira como foi feita irritou Lenin. Durante o verão de 1922 ... a dissensão entre Lenin e Trotsky persistiu. Em 11 de setembro ... Trotsky recusou mais uma vez o cargo... Em 14 de setembro, o Politburo se reuniu e Stalin colocou diante de si uma resolução altamente prejudicial para Trotsky; censurou-o com efeito por abandono do dever. As circunstâncias do caso indicaram que Lênin deve ter levado Stalin a enquadrar esta resolução ou que Stalin pelo menos teve seu consentimento '.[6] [7]
  • Assim, vemos que a oposição a Lenin está mais longe de Stalin do que comumente se propaga, isto é, não se localiza no comitê central da “era de aço”, com Kalinin, Molotov, Kaganovitch, Vouruchilov, mas sim com Trotsky como principal nome, na Rússia, de 1903 a 1924. Após a revolução de outubro quem quisesse instigar uma oposição a Lenin, acabava concluindo que o caminho para isso era centrar-se em Trotsky, os espiões de outros países infiltrados, todos o viam objetivamente como egoísta, superestimado, autoritário, mas brilhante orador e organizador. Foi o que escreveu o agente Raymond Robnins, que de início foi a Rússia para manter Kerensky no poder, como espião estadunidense em missão da cruz vermelha, mas, posteriormente, encantou-se pela atuação heroica de Lenin e dos bolcheviques, e passou a tentar representar sua corporação e seu país na terra dos sovietes, perdendo, futuramente, sua credibilidade nos EUA e até mesmo ficando na mais pura miséria quando regressa a sua nação. Havia também o agente infiltrado, Bruce Lockhart espião britânico, que após se encantar com o país dos sovietes, não mediu esforços para fazer o governo britânico reconhecer o novo governo bolchevique, e que, de início, quando esteve focado em sua missão de achar o núcleo da oposição se tornou um dos melhores amigos de Trotsky, ambos fizeram relatórios aos seus países dizendo que Trotsky era a solução para oposição de Lenin.

O agente britânico e o comissário soviético do Exterior se tornaram logo íntimos. Lockhart dirigia-se a Trotsky familiarmente, chamando-o "Lev Davidóvitch", e sonhava, conforme confessou mais tarde, "realizar um grande golpe juntamente com Trotsky." Mas Lockhart chegou embora com relutância à conclusão de que Trotsky não tinha meios de substituir Lénin no poder. É do seu Agente-Britânico o trecho seguinte:
"Trotsky era um grande organizador, um homem de imensa coragem física. Mas moralmente, era tão incapaz de enfrentar Lenin, como uma pulga um elefante. No Conselho dos Comissários não havia um homem que não pudesse considerar-se em pé de igualdade a Trotsky.
Essa conclusão era partilhada por Raymond Robins: "Eu sempre tive pessoalmente uma dúvida acerca de Trotsky — dúvida sobre o que ele fará, onde estará em determinado tempo e dadas circunstâncias, por causa do seu egotismo extremado e da sua arrogância" — dizia Robins. [8]
  • A oposição a Lenin foi liderada pelo ambicioso comissário soviético das Relações Exteriores, Leon Trotsky, que se considerava o inevitável dirigente máximo num futuro próximo. Durante 14 anos, Trotsky se opôs ferozmente aos bolcheviques; então, em agosto de 1917, alguns meses antes da Revolução Bolchevique, ele se juntou ao Partido de Lenin e subiu ao poder com ele. Dentro do Partido Bolchevique, Trotsky estava organizando a chamada “oposição de esquerda” inicialmente contra Lenin, mas transferida para Stalin.

  • Quando Lockhart chegou a Petrogrado, no início de 1918, o comissário estrangeiro Trotsky estava em Brest-Litovsk, como chefe da delegação de paz.

  • Trotsky fora enviado a Brest-Litovsk com instruções compulsórias de Lenin para assinar a paz. Na contramão de seguir as instruções de Lenin, Trotsky fez apelos inflamatórios ao proletariado europeu para que se levantasse e derrubasse seus governos. Em nome do governo russo, declarou ele que, de forma alguma, faria as pazes com os regimes capitalistas. "Nem paz nem guerra!" Trotsky declarou. Ele disse aos alemães que o exército russo não poderia mais lutar, continuaria a se desmobilizar, mas não faria as pazes.

  • Lenin denunciou com raiva o comportamento de Trotsky nas propostas de Brest-Litovsk e Trotsky -"descontinuação da guerra, recusa em assinar a paz e desmobilização do exército" - como "loucura ou coisa pior"[9]. Mostrando que Trotsky fazia juízo a fama que vinha ganhando. Em 1919-1920, a imprensa mundial apelidou Trotsky de "Napoleão Vermelho", e entre os motivos do apelido se encontrava o espírito aventureiro que o levava a crer que a revolução mundial era tarefa da ordem do dia e uma “conquista” que dependia somente da vontade dos bolcheviques, trabalho esse que ele mesmo subestimava. Um outro motivo foi sua nomeação para comissário de guerra. Trotsky vivia vestido com um sobretudo militar longo e elegante, com botas altas brilhantes, uma pistola automática no quadril, Trotsky percorreu as frentes de batalha, entregando orações ardentes aos soldados do Exército Vermelho. Ele converteu um trem blindado em sua sede particular e cercou-se de um guarda-costas pessoais especialmente uniformizados e armados. Ele tinha sua própria facção no comando do exército, no partido bolchevique e no governo soviético. O trem de Trotsky, a guarda de Trotsky, os discursos de Trotsky, os traços de Trotsky — seu cabelo preto, sua pequena barba preta e pontuda e os olhos esvoaçantes por trás do brilhante — eram mundialmente famosos.

  • O Ministério das Relações Exteriores britânico, como Lockhart posteriormente revelou em seu livro de memórias, mostrou interesse extremo nessas "tensões entre Lenin e Trotsky — controvérsias das quais nosso governo desejava desmedidamente"[10].

  • Consequentemente, o comportamento de Trotsky, levou a catástrofe, as negociações de paz em Brest-Litovsk fracassaram. O Alto Escalão Alemão não queria lidar com os bolcheviques em primeiro lugar. Trotsky, de acordo com Lenin, jogou a Rússia nas mãos dos alemães e "realmente ajudou os imperialistas alemães". No meio de um dos discursos de Trotsky em Brest-Litovsk, o general alemão Max Hoffmann colocou a bota na mesa de conferência e mandou os delegados russos voltarem para casa.

  • Trotsky voltou a Petrogrado e descartou as críticas de Lenin com a exclamação: "Dez dias após o rompimento das negociações de paz em Brest-Litovsk, o Alto Comando Alemão lançou uma grande ofensiva em toda a Frente Oriental, do Báltico ao Mar Negro. No Sul, as hordas alemãs invadiram a Ucrânia plana. No centro, a ofensiva surgiu pela Polônia em direção a Moscou. No Norte, Narva caiu e Petrogrado foi ameaçado. Em toda a parte da frente, os restos do antigo exército russo rachavam e desmoronavam.

  • Mas, muito antes disso, o governo britânico decidiu deixar Trotsky retornar à Rússia. Segundo as memórias do agente britânico Bruce Locknart, o Serviço Britânico de Inteligência acreditava que poderia usar as "dissensões entre Trotsky e Lenin"

Em suas memórias, o agente britânico Bruce Locknart expressa a crença de que o governo britânico cometeu um erro grave no modo como lidou com Trotsky. Locknart escreve: "Não lidamos com Trotsky com sabedoria. Na época da primeira revolução, ele estava no exílio na América. Ele não era nem um menchevique nem um bolchevique. Era o que Lenin chamava de trotskista — ou seja, individualista, um revolucionário com o temperamento de um artista e uma indubitável coragem física, ele nunca fora e nunca poderia ser um bom homem de partido. Sua conduta antes da primeira revolução havia sofrido a mais severa condenação de Lenin, na primavera de 1917 Kerensky solicitou ao governo britânico que facilitasse o retorno de Trotsky à Rússia ... Como sempre em nossa atitude em relação à Rússia, adotamos meias medidas desastrosas. Trotsky foi tratado como um criminoso. Em Halifax ele foi internado em um campo de prisioneiros. Então, tendo despertado, permitimos que ele voltasse para a Rússia ".[11]
  • Sidney Realy, outro espião britânico conhecido normalmente como "Ás do baralho dos Espiões", era um agente secreto a serviço do governo britânico. O que difere Realy em relação aos outros dois é claramente seu caráter menos progressista politicamente, Lockhart e Robins admitem a proeminência do bolchevismo e de Lenin no mundo das ideias, coisa que não se verá na prática e nas memórias de Realy, a não ser por obrigação. É dito que ele espionou para pelo menos quatro países (Reino Unido, Alemanha, Japão e Rússia Czarista). A fama de Reilly foi criada na década de 1920, em parte devido ao seu amigo, o diplomata e jornalista Sir Robert Bruce Lockhart, que divulgou sua operação frustrada para derrubar o regime bolchevique soviético em 1918. O tabloide inglês Evening Standard publicou, em 1931, uma série de matérias intituladas "Master Spy" ("Mestre Espião"), transmitindo suas façanhas. Mais tarde, Ian Fleming usou Reilly como modelo para criar o personagem dos seus livros de James Bond.

  • Sidney Reilly e sua esposa deixaram Nova York em 6 de agosto de 1925. Eles chegaram a Paris no mês seguinte e Reilly imediatamente entrou em contato com os Shultzes sobre quem o comandante E., havia escrito. Eles descreveram a situação na Rússia, onde, desde a morte de Lenin, o movimento de oposição associado a Leon Trotsky havia sido organizado em um extenso aparato subterrâneo que visava derrubar o regime de Stalin. [12] Essa evidência demonstra que a oposição a Lenin, imediatamente após sua morte, converte-se em oposição a Stalin. E o testemunho de tais agentes se convalida pela própria lógica interna da obra de Lenin constituir pelo menos mais de 14 anos de oposição a Trotsky, como demonstrado na evidência trazida por Bill Bland. Assim, podemos, sem prejuízo científico, crer que, com Lenin ou não, há de existir oposição no país dos sovietes.

  • "Até certo período", escreveu Winston Churchill na grande enciclopédia britânica", Trotsky ficou muito perto do trono vago dos romanovs".

De fora da Rússia, o Capitão Sidney George Reilly, do serviço secreto britânico, decidiu que era chegado o momento de lutar. O futuro ditador russo e títere britânico, Bóris Savinkov, foi enviado para a Rússia nesse verão para preparar o esperado levante contrarrevolucionário. Conforme Winston Churchill, que ajudou pessoalmente essa conspiração tomando parte nela, Savinkov estava em comunicação secreta com Trotsky. Nos Grandes Contemporâneos, Churchill escreveu:
"Temos que visar muito longe", comunicou Trotsky a Zinoviev e Kamenev, como ele recorda em Minha vida: “Precisamos preparar-nos para uma luta séria e longa."
De fora da Rússia, o Capitão Sidney George Reilly, do serviço secreto britânico, decidiu que era chegado o momento de lutar. O futuro ditador russo e títere britânico, Bóris Savinkov, foi enviado para a Rússia nesse verão para preparar o esperado levante contrarrevolucionário. Conforme Winston Churchill, que ajudou pessoalmente essa conspiração tomando parte nela, Savinkov estava em comunicação secreta com Trotsky. Nos Grandes Contemporâneos, Churchill escreveu: "Em junho de 1924, Kamenev e Trotsky convidaram definitivamente Savinkov para voltar."
Nesse mesmo ano, o lugar-tenente de Trotsky, Christian Rakovsky, veio a ser embaixador soviético na Inglaterra. Rakovsky, que em 1937 Trotsky descrevia como 'meu amigo, meu velho e genuíno amigo', logo após a sua chegada loi visitado em Londres por dois oficiais do serviço britânico, Capitão Armstrong e Capitão Lockhart. O govêrno britânico a princípio recusara-se a aceitar representante soviético em Londres. Segundo Rakovsky, os oficiais britânicos informaram-no:
"Sabe por que recebeu o seu agrément na Inglaterra? Soubemos dè Mr. Eastman que o senhor pertence à facção de Trotsky, e que está muito ligado a ele. E unicamente em consideração a isso o serviço secreto consentiu em que o senhor fôsse acreditado embaixador neste país.
Rakovsky regressou a Moscou poucos meses depois. Comunicou a Trotsky o que acontecera em Londres. O serviço secreto britânico, como o alemão, desejava estabelecer relações com a oposição.[13]
  • Winston Ghurchill ainda encantado e interessado em todas as fases da campanha antissoviética mundial, fez um estudo especial do exilado de Prinkipo. "Jamais gostei do Trotsky" disse Churchill em 1944. Mas, bem antes disso, a audácia conspirativa, seus talentos oratórios e energia divina, próprias de Trotsky, agradavam ao temperamento aventureiro de Churchill. Resumindo, os intuitos gerais da conspiração internacional de Trotsky desde que deixara o solo soviético, Churchill escreveu em “Grandes Contemporâneos”: "Trotsky empenha-se em congregar o mundo subterrâneo europeu para derrubar o Exército Russo."[14]

Por essa época ainda o correspondente americano, John Gunther visitou o Q. G. de Trotsky em Prinkipo. Falou com Trotsky e numerosos dos seus correligionários russos e europeus. Para surpresa de Guenther, Trotsky não se comportava como um exilado derrotado. Comportava-se mais como um monarca ou um ditador no governo. Guenther pensou em Napoleão em Elba — pouco antes do dramático regresso e dos Cem Dias. E escreveu: "O movimento de Trotsky cresceu na maior parte da Europa. Em cada país existe um núcleo de agitadores trotskistas. Êles recebem ordens diretas de Prinkipo. Há uma espécie de comunicação entre os vários grupos por intermédio de suas publicações e manifestos, mas muito especialmente por meio de cartas particulares. Os vários comitês centrais estão ligados a um Q. G. internacional em Berlim."[15]
  • Com o tempo, novos ares passam assumir a frente da conspiração. Desde o momento em que Hitler assumiu o poder na Alemanha, a contrarrevolução internacional tornou-se parte integrante do plano nazista de conquista mundial. Em todos os países, Hitler mobilizou as forças contrarrevolucionárias que durante os últimos quinze anos estavam se organizando em todo o mundo. Essas forças foram agora convertidas nas Quinta Colunas da Alemanha nazista, organizações de traição, espionagem e terror. Essas Quinta Coluna eram as vanguardas secretas da Wehrmacht alemã.

  • Uma das mais poderosas e importantes dessas Quinta Colunas operava na Rússia Soviética. Era operada, particularmente, por um homem que talvez fosse o renegado político mais notável de toda a história, e apenas em seu nome, dava o que fazer — segundo Goebbels — a Stalin[16], era Leon Trotsky.

  • Quando o Terceiro Reich entrou em ascensão, Leon Trotsky já era o líder de uma conspiração antissoviética internacional com forças poderosas dentro da União Soviética. Trotsky no exílio estava planejando a derrubada do governo soviético, enquanto fingia se importar profundamente com a situação alemã, seu próprio retorno à Rússia e a assunção do poder pessoal que ele havia quase tão perto.

Adolfo Hitler leu a autobiografia de Trotsky logo depois de publicada. O biógrafo de Hitler, Konrad Heiden, relata em Der Fuehrer como o líder nazista surpreendeu um círculo de amigos seus em 1930, inflamando-se em louvores extáticos ao livro de Trotsky. "Brilhante!" exclamou Hitler, mostrando aos seus companheiros a Minha Vida de Trotsky.
"Aprendi muita coisa neste livro, e vocês podem fazer o mesmo I" O livro de Trotsky tornou-se rapidamente um livro de consulta dos serviços secretos antissoviéticos. Foi aceito como guia básico de propaganda contra o regime. A polícia secreta japonesa fez dele a leitura compulsória dos comunistas japoneses e chineses presos, num esforço para abatê-los moralmente e convencê-los de que a Rússia Soviética traíra a revolução chinesa e a causa pela qual eles vinham lutando. A Gestapo fez uso idêntico do livro...[17]
  • A evidência acima, nos revela que não foram os nazistas os protagonistas dos acordos com os trotskystas, esses acordos já existiam quando o Partido Nazista sobe ao Poder, tanto é verdade que Hitler diz ter aprendido muito com Trotsky. Além disso, Trotsky já era líder de uma conspiração a nível mundial. Logo, as afirmações de Krupskaya[18], e Gramsci[19], segundo o qual Trotsky se resume a um agente do fascismo, tem certo valor político, como palavra de ordem que motive a união contra o liquidacionista, mas jamais serviria de evidência histórica e científica, e ambos sabiam disso, e, por vezes, por força de expressão ou por necessidades de didatismos perdemos a precisão, e a perdemos para possibilitar que, no futuro, mais pessoas possam encontrá-la.

  • Resumindo, não foi Trotsky quem colaborou com o nazismo, mas este aderiu a conspiração de Trotsky que já existia antes do terceiro Reich dar o ar da graça. É evidente que os talentos de negociação, boa oratória e bom projeto, foram o fundamental para que Alemanha mesmo com a troca de governo, permanecesse ajudando Trotsky.

  • Antes ainda do terceiro Reich vir ao poder e entrar nessa onda antibolchevique, um fato muito importante aconteceu e intensificou ainda mais o apoio dos antissoviéticos a Trotsky e a oposição na URSS. Entre 1925 e 1929, a luta interna da oposição soviética sofria uma dura derrota: a publicação Curso Novo mostra sem reversas Trotsky como um ambicioso carreirista sem alvura e sem relutâncias. No ano de 1923, para fincar-se no poder dentro do PCUS, Trotsky procurou dar cabo a velha guarda bolchevique, sobretudo, porque estes conheciam profundamente seu histórico de opositor a Lenin. Nenhum antigo bolchevique antigo membro do PCUS se dispôs a deixar o leninismo pelo trotskismo. Sem saída, o velho leão, sem bando, adotou uma tática bastante infeliz e manifestar os combatentes de longa data, os velhos bolcheviques, como “degenerados”, “caducos”, “esclerosados” com “Alzheimer” e passa a fincar sua oratória e sua energia na juventude que não presenciou o seu passado de ataques a Lenin. A fim de tomar o poder, estabelece um novo significado a palavra de ordem da “democratização” do Partido, Trotsky procurou estabelecer na direção jovens que o apoiavam, porque se via isolado e sem qualquer chance de pelas vias normais alcançar êxito.

  • No decorrer dos anos de 1924 e 1926, o lugar de Trotsky no seio do Partido caiu e enfraqueceu e ele se viu obrigado a atacar com ódio a direção do PCUS.

  • Retomando sua má interpretação da revolução permanente, Trotsky elucubra que seria impossível o socialismo vencer num só país. Trotsky concluiu que a política levantada em 1925-1926 por Bukharin, seu adversário mortal nessa altura, representava os interesses dos latifundiários, os kulaques e, dos chamados Nepmen, ao qual ele denominava de novos burgueses. Cumpre salientar que toda oposição sabia que seria infrutífero atacar Stalin por essa via dado o respaldo que ela não possui na obra de Lenin, portanto, foram obrigados a não apoiar Trotsky. A obra de Lenin, portanto, estava repleta de exemplos acerca da aplicação do socialismo num só país:

Os Estados Unidos do mundo (e não da Europa) são a forma estatal de unificação e de liberdade das nações, que nós relacionamos com o socialismo – enquanto a vitória completa do comunismo não conduzir ao desaparecimento definitivo de todo o Estado, incluindo o democrático. Como palavra de ordem independente, a palavra de ordem dos Estados Unidos do mundo, todavia, dificilmente seria justa, em primeiro lugar porque ela se funde com o socialismo; em segundo lugar, porque poderia dar lugar à falsa interpretação da impossibilidade da vitória do socialismo em um só país e das relações deste país com os outros. A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado por separado”.[20]
Ou ainda, “o desenvolvimento do capitalismo realiza-se de modo extremamente desigual nos diferentes países. Nem pode ser de outra forma na produção mercantil. Daí decorre a indiscutível conclusão de que o socialismo não pode vencer simultaneamente em todos os países. Ele vencerá inicialmente num só ou em vários países, continuando os restantes a ser, durante certo tempo, burgueses ou pré-burgueses. Isto deverá provocar não apenas atritos, mas também a tendência direta da burguesia dos outros países para derrotar o proletariado vitorioso do Estado socialista. Em tais casos a guerra seria da nossa parte legítima e justa. Seria uma guerra pelo socialismo, pela libertação de outros povos da burguesia. Engels tinha inteira razão quando, na sua carta a Kautsky de 12 de setembro de 1882, reconhecia expressamente a possibilidade de ‘guerras defensivas’ do socialismo já vitorioso. Ele tinha em vista, precisamente, a defesa do proletariado vitorioso contra a burguesia dos outros países”.[21]
“Se os exploradores são derrotados num só país — e este é, naturalmente, o caso típico, pois a revolução simultânea numa série de países constitui uma rara excepção —, continuarão a ser, no entanto, mais fortes do que os explorados, pois as relações internacionais dos exploradores são enormes. Que uma parte dos explorados, da massa menos desenvolvida de camponeses médios, artesãos, etc, segue e é susceptível de seguir os exploradores, provam-no até agora todas as revoluções, incluindo a Comuna (porque entre as tropas de Versalhes havia também proletários, coisa que o doutíssimo Kautsky «esqueceu»).” (...)A transição do capitalismo para o comunismo constitui toda uma época histórica. Enquanto ela não terminar os exploradores continuam a manter a esperança da restauração, e esta esperança transforma-se em tentativas de restauração. E depois da primeira derrota séria, os exploradores derrubados, que não esperavam o seu derrubamento, não acreditavam nele, não admitiam a ideia dele, lançam-se com energia decuplicada, com uma paixão furiosa, com um ódio cem vezes acrescido na luta pelo regresso do «paraíso» que lhes foi arrebatado, pelas suas famílias que viviam tão docemente e a quem a «vil população» condena à ruína e à miséria (ou ao «simples» trabalho.). E atrás dos capitalistas exploradores arrasta-se uma grande massa da pequena burguesia, que, como mostra a experiência histórica de dezenas de anos de todos os países, oscila e vacila, que hoje segue o proletariado e amanhã se assusta com as dificuldades da revolução, cai no pânico à primeira derrota ou semiderrota dos operários, se enerva, se agita, choraminga, corre de um campo para outro .tal como os nossos mencheviques e socialistas-revolucionários.[22]
  • O poder, dizia Trotsky e seus partidários, tendia a transformar-se num poder feudal latifundiário. O debate sobre a “degeneração” do partido bolchevique estava de novo iniciado. E como se estava a evoluir para a desagregação e para um poder de classe dominante burguesa, Trotsky arrogou-se, novamente, no direito de originar divisões e realizar um trabalho violento e secreto no seio do Partido.

  • Esse debate foi dirigido aberta e sinceramente por cinco anos. Quando o debate foi finalizado por votação no Partido, pacificamente pelo centralismo democrático, em 1927, os defensores da tese da improvável construção do socialismo na União Soviética davam cabo das atividades liquidacionistas de Trótski obtendo cerca de 1,5 % dos votos[23]. Trótski foi excluído do Partido, depois enviado para a Sibéria e finalmente banido da União Soviética. Após a dramática, mas necessária deportação de Leon Trotsky da Rússia soviética em 1929, um mito foi cunhado por elementos antissoviéticos em praticamente todo o mundo, e ainda hoje é reproduzido pelos trotskystas mais vulgares, em torno do nome e da personalidade de Leon Trotsky. De acordo com esse mito, Trotsky era "o destacado líder bolchevique da Revolução Russa" e "o inspirador de Lenin, colega de trabalho mais próximo e sucessor lógico"[24]. Trotsky corroborou para esse mito, quando alça em sua obra máxima, acerca da teoria da revolução permanente, o depoimento do ex-menchevique Adof Jolffe, segundo o qual ele teria escutado do próprio Lenin tal premissa que nunca passou de uma lenda. No entanto, a própria coerência interna da obra de Lenin, refuta em longa escala essa escassa tentativa de “trotsficar” Lenin.

  • O prego talvez mais importante no caixão da oposição foi realizado ainda pela família de Lenin, a situação, um tanto delicada, foi levantada contra Zinoviev e Kamenev, pela irmã casula de Lenin, Maria Ulyanov:

A oposição minoritária, dentro do Comitê Central, recentemente, realizou um sistemático ataque ao Camarada Stalin afirmando a “existência” de uma ruptura política entre Lenin e Stalin nos últimos períodos da vida Vladimir Ilyich Ulyanov. Com o objetivo de dizer a verdade, considero esta minha obrigação, informarei aos camaradas, brevemente, como eram as relações de Lenin e Stalin no período da doença de Vladimir Ilyich Ulyanov, período em que eu estava com eles e cumpria diversas tarefas. Não estou aqui para abordar o período anterior a doença Lenin, sobre o qual eu tenho grande quantidade de provas da tocante fraternal relação entre Vladimir Ilyich Ulyanov e Stalin, do qual os membros do comitê central sabem muito menos do que eu.
Vladimir Ilyich Ulyanov realmente admirava Stalin. Por exemplo, na primavera de 1922 e em dezembro do mesmo ano, respectivamente quando Vladimir Ilyich Ulyanov teve o primeiro e o segundo quadro de problemas em sua saúde, Lenin chamou Stalin e o encarregou das tarefas mais pessoais. Os tipos de tarefas em que se atribui a pessoa em que se tem total confiança no qual se considera um dedicado revolucionário e um estimado camarada. Além disso, Ilyich insistia sempre em conversar somente com Stalin e mais ninguém. Em geral, durante todo o período de Doença, até que ele estivesse recuperado e até que pudesse se reunir com os demais camaradas, ele convidava somente Stalin para vê-lo sempre, fosse para o que for. E durante todo o período posterior, o de maior gravidade de sua doença, ele intensificou o contato com Stalin, jamais convidou um único membro do politburo, exceto, Stalin.
Houve um incidente entre Lenin e Stalin, mencionado pelo camarada Zinoviev no seu discurso, pouco antes de Ilyich perder seu poder de expressão (março de 1923), mas foi completamente pessoal e não tinha relação com política. O camarada Zinoviev sabia disso muito bem e citou isto absolutamente desnecessariamente. Esse incidente tomou lugar porque, sob demanda dos médicos, o Comitê Central deu a Stalin a responsabilidade de vigiar para que nenhuma notícia política chegasse a Lenin durante esse período de doença grave. Isso aconteceu para não o perturbar e para que sua condição não se deteriorasse, Stalin até repreendeu sua família por transmitir esse tipo de informação. Ilyich que acidentalmente veio a saber sobre isto e quem esteve sempre preocupado sobre a tal força do regime e sua proteção, imediatamente, repreendeu Stalin. Stalin pediu desculpas e com isso o incidente foi resolvido. O que há para ser dito ─ durante esse período, como eu havia indicado, se Lenin não estivesse tão gravemente doente, ele teria reagido de maneira diferente ao incidente. Existem documentos sobre esse incidente e, sob a primeira demanda do Comitê Central, posso apresentá-los.
Desta forma, eu afirmo essa conversa toda da oposição sobre a relação de Lenin com Stalin não corresponde à realidade. Essas relações eram muito íntimas e amigáveis e assim permaneceram. [25]
  • Sem qualquer possibilidade de realizar a luta legal, democrática e, acima de tudo, pacífica, sobretudo, porque a família de Lenin, como demonstrou a passagem acima, majoritariamente detinha provas de que fora Stalin seu maior aliado, tanto no campo de batalha como fora dele, restava apenas uma última chance, ao qual muitos membros da oposição conheciam de longa data: a luta clandestina.

  • Foi num contexto posterior, com o Leninismo consolidado e com o oportunismo derrotado pelas vias pacíficas e democráticas, que aconteceu o assassinato de Kirov, como um alerta para lembrar que o “amuleto do consenso” — Lenin — estava morto e que restava, portanto, cercar e isolar os expoentes do leninismo.

  • A morte de S. M. Kirov, foi apenas um aviso inicial do que estava por vir, e ainda que as provas estejam majoritariamente favoráveis ao governo soviético, a maioria esmagadora dos historiadores, tomados pela guerra hibrida, defendem que o governo soviético esteve envolvido no assassinato “orquestrado por Stalin”. Kirov foi assassinado “diante da porta de sua sala de trabalho, por tiros de pistola disparados por um jovem comunista (Leonid Nikolaev), se podia escrever que "não há dúvida sobre o fato que o assassinato foi organizado por Stalin e executado por seus agentes de polícia"[26]. O contributo presente “no Relatório Secreto tinha suscitado fortes perplexidades já em meados da década de 1990"[27].

  • É importante averiguar como as depurações foram vistas pelos comunistas que consideraram necessário realizá-las em 1937-1938.

  • Importante observar o eixo central do raciocínio elaborado por Stalin, em março de 1937, que marcou parte do processo de depuração, nesse texto, Stalin esboça a ideia de que vários dirigentes do Partido estavam desprevenidos. Mas não só os dirigentes, as autoridades em geral estavam surpresas, o que levou alguns historiadores a demonstrar que não houve qualquer envolvimento do comitê central, e muito menos de Stalin, na morte de Kirov.

“O celerado assassinato do camarada Kírov foi o primeiro aviso sério de que os inimigos do povo fariam um jogo duplo e que, para isso, iriam disfarçar-se de bolcheviques, como membros do Partido, para ganhar a confiança e abrir caminho para si nas nossas organizações. (...) “O processo do “bloco zinovievista — trotskista” alargou as lições dos processos anteriores, mostrando com clareza que os zinovievista e os trotskistas congregam em seu torno todos os elementos burgueses hostis, que se converteram em agentes de espionagem e de diversão terrorista da polícia política alemã, que a duplicidade e o disfarce constituem o único meio dos zinovievista e dos trotskistas para infiltrarem as nossas organizações, que a vigilância e a perspicácia política constituem o meio mais seguro para a prevenção de tal infiltração (...).”
“Quanto mais avançarmos, quanto mais êxitos tivermos tanto mais se exasperarão os restos das classes exploradoras derrotadas, tanto mais depressa caminharão para formas de luta mais agudas, tanto mais danos causarão ao Estado soviético, tanto mais se aferrarão aos meios de luta mais desesperados como os últimos meios dos condenados.”[28]
  • Stalin segue correto em afirmar o despreparo do partido, que se refletiu de modo geral, nos demais órgãos do poder Estatal Soviético. Esse despreparo era cristalino e sonoro para todos que tivessem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Nesse sentido, como já mencionado, podemos ainda ver que esse despreparo é objeto de debate na historiografia como um todo. Esse debate revela a impossibilidade de Stalin estar à frente junto do Estado Soviético, em uma farsa, pelo assassinato de Kirov, como a oposição costuma argumentar. Isto porque o despreparo revela sinais de falta de premeditação justamente das instâncias mais altas do Partido e mais íntimas de Stalin.

Muitos comentaram a reação incomum e imediata de Stalin ao tiroteio. Como observado, ele e outros membros do Politburo correram para Leningrado para supervisionar a investigação. Horas após o crime, o Comitê Executivo Central, por sugestão de Stalin, emitiu uma ordem extraordinária que acelerou a investigação, sentença e execução de pessoas acusadas de crimes terroristas e negou os apelos de tais condenações. O tiroteio foi certamente um golpe extraordinário para o governo soviético, e as reações sugerem pânico. O assassinato foi percebido como o primeiro tiro de um golpe contra a liderança. Tais medidas de guerra não são realmente surpreendentes e teria parecido incongruente se a liderança não tivesse reagido dessa maneira. Por fim, a "Lei de 1º de dezembro de 1934" (que Stalin atacou após o tiroteio) foi subsequentemente raramente usada.10 Outras circunstâncias que cercam o assassinato apontam para longe do envolvimento de Stalin. Quando o assassino foi preso segundos depois do tiroteio, ele estava carregando um diário que não incriminava ninguém e afirmava que estava agindo sozinho Se Stalin tivesse organizado o assassinato para culpar a oposição, um diário incriminador teria sido uma prova valiosa por escrito, e, se Nikolaev não o mantivesse, certamente poderia ter sido fabricado um documento apropriado. Se o assassinato tivesse sido planejado por Stalin ou por um de seus apoiadores, um diário tudo teria sido melhor do que alguém exonerando a oposição. Por fim, se Stalin tivesse planejado esses eventos, dificilmente teria permitido que esse diário "sem saída" fosse mencionado na imprensa. Isso apenas enfraqueceu uma acusação contra a oposição. As circunstâncias sugerem que Stalin e seus partidários não estavam no controle dessa situação.
A resposta oficial imediata ao assassinato foi pontualmente confusa, mostrando poucos sinais de planejamento. Nos dias seguintes ao assassinato, o governo identificou Nikolaev de várias maneiras como um assassino solitário, uma ferramenta da conspiração da Guarda Branca e, finalmente, um seguidor das oposições de Zinoviev-Kamenev em Moscou e Leningrado. Não foi até 18 de dezembro que o regime sugeriu que a oposição de Zinoviev poderia estar envolvida. Cinco dias depois, a polícia secreta anunciou que Zinoviev, Kamenev e treze de seus associados haviam sido presos de fato em 16 de dezembro. Mas "na ausência de provas suficientes para colocá-los em ação" julgamento", eles deveriam ser exilados administrativamente na URSS. Foi apenas um mês depois, em 16 de janeiro, que um anúncio oficial disse que Zinoviev e Kamenev deveriam ser julgados por manter um" centro "oposicionista secreto que indiretamente influenciou o assassino a cometer o crime. As mudanças e contradições na caracterização oficial do assassino sugerem que nenhuma história estava pronta para ser entregue e que as autoridades estavam reagindo a eventos de uma maneira confusa. Costuma-se pensar que Stalin e companhia planejaram o crime para tem um pretexto para esmagar a oposição. No entanto, as consequências do crime sugerem confusão e raiva irracional e sem foco. A repressão diretamente após o assassinato foi difusa e espasmódica. Houve uma onda imediata de prisões em Moscou e Leningrado. Muitos deles eram de Komsomols e membros juniores de grupos da oposição, e seu número era bastante pequeno, pelo menos em comparação com as prisões dos anos posteriores. Várias dezenas de pessoas já presas (e identificadas como Guardas Brancos) foram executadas em retaliação cega pelo crime.
Em um dos episódios mais estranhos da sequência, várias "pessoas", incluindo nobres e ex-comerciantes, foram expulsas de Leningrado por violações de autorizações de residência. (De acordo com rumores de Leningrado, a polícia examinou o diretório da cidade em uma tentativa encontrar alguém para reprimir após o assassinato.) Parecia que o regime, despreparado para o crime e pouco claro sobre quem deveria ser punido, atacou de maneira violenta, mas pontualmente, os inimigos tradicionais do poder soviético. Essas reações eram uma reminiscência das respostas instintivas da Cheka durante a Guerra Civil, quando reféns foram presos e saíram do apêndice: o assassinato de Kirov cortado em retaliação cega por ações brancas. Tais respostas sugerem nem um plano cuidadoso nem uma identificação discriminatória dos grupos-alvo mais importantes. Stalin não precisaria do assassinato de Kirov para justificar esse tipo ou nível de repressão. Embora Zinoviev e Kamenev tenham sido presos após o assassinato e condenados à prisão, seu crime envolveu apenas "cumplicidade moral". Levaria dezoito meses até o primeiro grande julgamento dos líderes da oposição e as primeiras prisões em massa de opositores de nível médio. Os principais líderes da oposição (como Piatakov, Radek, Bukharin e Rykov) continuaram trabalhando sem ser molestados até 1936. Nenhuma menção foi feita aos principais conspiradores da oposição na imprensa após 18 de janeiro de 1935, e nenhuma campanha se seguiu.19 A violência da Yezhovchacina, com seu espanto, medo da guerra e campanha para desmascarar traidores, foi daqui a dois anos; e a calmaria sugere que os linha-dura eram politicamente despreparados para usar o assassinato de Kirov. Quando eles finalmente puderam usar o assassinato contra a oposição, seria com base nos novos materiais da NKVD obtidos em 1936. "Ninguém foi capaz de capitalizar a situação em 1934-35 atacando a oposição enquanto o ferro estava quente. Nem as fontes, circunstâncias nem consequências do crime sugerem a cumplicidade de Stalin. A falta de qualquer evidência de disputa política entre Stalin e Kirov, discutida anteriormente, parece refutar qualquer motivo para Stalin matar seu aliado, e é difícil discordar da observação lacônica de Khrushchev que ainda permanece misteriosa sobre o crime. Com base nas fontes, não há boas razões para acreditar que Stalin conspirou no assassinato de Kirov, e tudo o que se pode dizer com certeza é que Leonid Nikolaev, um dissidente comum, acionou o gatilho.[29]
  • Getty, em geral, consegue demonstrar com suficiente respaldo o não envolvimento de Stalin no assassinato de Kirov. Cabe lembrar: o próprio Getty é um autor burguês, com limites de entendimento sobre as condições da luta de classes na União Soviética, mas é muito mais honesto que maioria dos historiadores não marxistas e, muito mais honesto do que os “marxistas” antistalinistas na historiografia.

  • Ainda nesse mesmo sentido, segue um relatório soviético da procuradoria geral soviética que procura orientar as buscas pelo assassino de Kirov, e que demonstra algumas nuances que jamais permitiriam dizer qualquer premeditação do assassinato por Parte de Stalin e do próprio governo, documento esse que segue anexo nessa obra.

Carta de diretiva do promotor da URSS I.A. Akulov aos promotores da União e repúblicas autônomas, territórios e regiões sobre o fortalecimento da aplicação do artigo 58-10 do Código Penal do RSFSR em conexão com o assassinato de S.M. Kirov
23 de janeiro de 1935
Segredo máximo.
No. 13/36/00728
A todos os procuradores da União e das repúblicas autônomas, procuradores regionais (regionais). A intensificação da ativação de elementos antissoviéticos na forma de agitação contrarrevolucionária, observada em conexão com o assassinato do camarada KIROV, aprovando não apenas o ato terrorista contra o camarada KIROV, mas também a comissão de tais atos terroristas contra outros líderes do Partido e do governo soviético, definiu a tarefa do gabinete do promotor de suprimir rápida e decisivamente esse tipo de contrarrevolução performática.
Com um entendimento comum dos perigos de tais discursos contrarrevolucionários por parte dos promotores locais, foram notados vários casos de miopia política e monótona vigilância de classe de alguns promotores que encontraram expressão em um mal-entendido do perigo particular de elementos antissoviéticos falando com propaganda terrorista. Então, por exemplo:
O promotor da RANDEL da região de Kandalaksha (República Socialista Soviética Autônoma da Carélia) recusou-se a prendê-lo por ações contrarrevolucionarias que aprovam atos terroristas contra os líderes do Partido e do governo soviético, sem considerar tais declarações contrarrevolucionárias.
Os órgãos da ONG UGB foram presos SOTINSKY GA, que liderou a agitação contrarrevolucionária pela necessidade de realizar ataques terroristas aos líderes do partido e do poder soviético]. O promotor do distrito de Kineshem YEREMIN no caso SOTINSKY deu a seguinte conclusão: “Não concordo com a remessa do caso à Reunião Extraordinária, pois as ações de SOTINSKY não contêm corpus delicti. O processo criminal deve ser encerrado, o acusado deve ser libertado da custódia.”
Fatos semelhantes ocorreram na região de Voronezh, onde o promotor do opressor Usman DERGACHEV libertou duas pessoas presas que, após o assassinato do camarada KIROV, por realizaram campanhas contrarrevolucionárias entre os trabalhadores, indicando que “todo o Comitê Central do PCUS (b) deve ser morto”. É necessário matar o camarada STALIN ", etc', etc.
Por ordem do promotor do RSFSR, o camarada ANTONOVA-OVSEENKO, o promotor do distrito de Kandalaksha RENDEL foi demitido do trabalho, com a transferência da questão de sua permanência nas fileiras do PCUS (B.) às organizações do Partido. Demiti o promotor da região de Kinesham, IPO YEREMIN, e investiguei os fatos da miopia política e o embotamento da vigilância de classe demonstrada por funcionários do Ministério Público da região de Voronezh. Em conexão com o pedido de vários procuradores do Ministério Público da União para esclarecimentos sobre as qualificações dos discursos contrarrevolucionários acima menciona­dos, eu explico:
1. Discursos contrarrevolucionários que aprovam atos terroristas contra os líderes do Partido e do governo soviético, se qualificam nos termos do art. 58-10 do Código Penal do RSFSR e os artigos correspondentes do Código Penal das repúblicas da União 47 .
2. Nos casos em que tais discursos são organizados (discussão da necessidade de atos terroristas contra os líderes do partido e do governo, tratamento de pessoas ou membros da fuppa na direção do ataque terrorista), mesmo na ausência de elementos de preparação direta do ataque terrorista (encontrar meios, maneiras, descobrir possibilidades etc.) devem ser qualificados de acordo com o art. 58-11-16-58-8 do Código Penal do RSFSR e os correspondentes] artigos do Código Penal das Repúblicas da União, com o fato, no entanto, de que tais casos não são cobertos pela lei de 1º de dezembro de 1934 referente ao procedimento a ser considerado.
3. Relativamente à jurisdição dos casos previstos no art. 58-10 do Código Penal, proponho ser guiado pelo seguinte:
a) casos em grupo nos termos do art. 58-10 do Código Penal, se houver evidência suficiente para consideração em tribunal, envie a colégios especiais sob jurisdição.
b) casos em relação a indivíduos acusados ​​de propaganda terrorista e declarações terroristas], <bem como casos fupp para os quais não há provas documentais suficientes para serem consideradas nos tribunais> *, como regra, são enviados para consideração na Reunião Extraordinária no NKVD da URSS, que no entanto, isso não significa encaminhar esses casos para consideração a faculdades especiais se isso for causado por condições locais ".
Eu aviso a todos os funcionários do Ministério Público que qualquer manifestação de miopia política, monótona vigilância de classe nesses assuntos implicará a remoção imediata dos que permitiram isso, com a questão de estarem no partido. [30]
  • Com essa evidência, torna-se impossível defender que o assassinato de KIROV, o grande gatilho da política de expurgo na URSS, foi obra orquestrada por Stalin e proposital para eliminar um possível rival ao mesmo tempo em que se culparia a oposição pelo crime. O motivo central que demonstra a falta de envolvimento de Stalin é a própria displicência da investigação soviética ser criticada, com veemência, e ordenada a prender homens com o mesmo discurso de Nikolaev. Esta crítica promovida pela procuradoria não seria necessária em caso de premeditação, porque as negligências seriam acobertadas de maneira hierarquicamente descendente. Ninguém com tanto poder se importaria, se estivesse a conspirar, nesse sentido, a orientar zelo, capricho e meticulosidade aos órgãos persecutórios da URSS, principalmente nas primeiras buscas. A crítica a essas negligências seria encoberta ou reorientada a aliviar os termos. A perseguição, como demonstra o documento acima, em caso de uma farsa, jamais recrudesceria sobre possíveis suspeitos. Além do mais, os farsantes não levariam a morte o assassino que seria, portanto, seu camarada na conspiração, o que não aconteceu! Não haveria também tantos apoiadores espontâneos do terrorismo, caso se tratasse de uma farsa e nem seriam eles punidos e até presos com base no artigo 58-10 do código penal soviético em caso de simulação e dissimulação, nem possivelmente executados por condenação a pena de morte, nos casos mais graves.

  • Kirov morreu justamente quando o partido aparentemente tinha a ilusão de que se encontrava com a unidade nacional solidificada. As reações iniciais, foram bastante desorganizadas, principalmente por parte de Stalin, o que indica claramente o caráter de surpresa da notícia, e, por isso, houve pavor. Inicialmente, foi editado um decreto determinando um procedimento expedido para a detenção e execução de terroristas. Esta medida drástica foi ditada pelo sentimento de que o regime socialista corria um perigo fatal.

  • O reagir dos fatos indicou falta de ordem, inconsistência e despreparo, o que não indica um plano maquiavélico realizado para liquidar a oposição. Alguns depoimentos de adversários são polêmicos: Tokáev, que se dizia membro de uma organização anticomunista furtiva, escreveu que Kírov foi morto por um grupo oposicionista e que ele próprio, Tokáev, acompanhou de perto os atos preparatórios do crime. Liúchkov, um homem do NKVD que fugiu para o Japão, confirmou que Stálin nada teve a ver com este assassinato.[31]

  • O Evento em tela, desenrolou, pouco a pouco, a depuração, a oposição minoritária de 1926-27, derrotada inclusive com a ajuda da família de Lenin, como demonstrado, acaba caindo nos alvos da investigação. A seguir e apesar do contexto, preparava-se a nova constituição.

  • Em pouco tempo, as autoridades reabriram o caso na posse de novos indícios, que versavam sobre uma organização secreta, planejada já ao fim da derrota da oposição em 1926-27, da qual Zinóviev e Kámenev eram parte.

Em 1934, antes do assassinato de Kirov, o terrorista Leonid Nikolayev foi apanhado pelos agentes da OGPU em Leningrado. Em seu poder encontraram um fuzil e um mapa com o caminho que Kirov percorria diariamente. Quando Yagoda foi notificado da prisão pediu que libertasse o terrorista sem interrogatório. Zaporojetz era um dos homens de Yagoda. Fez o que lhe tinha sido indicado. Poucas semanas depois, Nikolayev assassinou Kirov. Mas o assassínio de Kirov era apenas um dos numerosos assassinatos realizados pelo bloco das direitas e trotskistas com o apoio direto de Henry Yagoda. [32]
  • A polícia detinha provas de que Trotsky, no começo de 1932, havia enviado secretamente cartas a Rádek, Sokólnikov, Preobrajénski e outros, incitando-os a empreender ações mais enérgicas contra Stáline. Getty encontrou indicações desses apelos nos arquivos de Trótski como veremos adiante.

Em Outubro de 1932, Goltsman, um antigo trotskista, encontrou-se secretamente em Berlim com Sedov, o filho de Trótski, para analisar a proposta de Smírnov de criar um Bloco da Oposição Unificada, incluindo trotskistas, zinovievistas e os partidários de Lominádze. Trótski insistia na necessidade do «anonimato e da clandestinidade». Pouco depois, Sedov escreve ao pai comunicando-lhe que o bloco fora oficialmente constituído e que continuavam a fazer esforços para incluir o grupo de Sáfarov — Tarkhanov O Boletim de Trótski chegou a publicar relatórios de Goltsman e Smírnov, assinados com pseudónimos! Assim, a direção do Partido tinha perante si provas irrefutáveis de uma conspiração que visava derrubar a direção bolchevique e levar ao poder uma corja de oportunistas que eram instrumentos das antigas classes exploradoras. A existência da conspiração era um sinal de alarme de último grau.[33]

2. A Sabotagem de Berlim Para Moscou


  • Uma das pessoas que durante a década de 1930 não só presenciou o problema das sobatagens, mas também o descreveu com detalhes, e com grande riqueza, foi o engenheiro americano, não comunista, John Littlepage, um dos especialistas estrangeiros contratados para trabalhar na União Soviética. Littepage foi uma testemunha inusitada nos processos de Moscou e que confirma, mesmo sem ser comunista, as provas favoráveis aos soviéticos. Durante o processo de Janeiro de 1937, o antigo trotskista Piatakov foi condenado como principal responsável da sabotagem industrial. Littlepage teve ocasião de constatar pessoalmente que Piatakov esteve envolvido em atividades clandestinas. Eis o que relatou a este propósito:

Na Primavera de 1931, Serebróvski falou-me de uma missão de grandes compras que fora enviada a Berlim sob a direcção de Gueórgui Piatakov, que era então vice-comissário da Indústria Pesada. Cheguei a Berlim quase ao mesmo tempo que a missão. Entre outras ofertas de compra, a missão encomendou várias dezenas de elevadores com potências entre 100 e mil cavalos-vapor. Esses elevadores eram compostos habitualmente por tambores, vigamento, porta-cargas, engrenagens, etc., colocados sobre uma base de barras em I ou H.
A missão tinha pedido preços em pfennigs por quilograma. Várias firmas apresentaram orçamentos, mas havia diferenças consideráveis - de cinco a seis pfennigs por quilograma — entre a maior parte das ofertas e duas que apresentaram preços bastantes mais baixos. Estas diferenças levaram-me a examinar de perto as especificações. Descobri então que aquelas duas empresas tinham substituído a base que deveria ser em aço leve por outra em ferro, de maneira que, se as suas propostas fossem aceites, os russos iriam pagar mais, já que a base em ferro pesava muito mais que a de aço leve, mas pareceria que tinham pago menos, considerando o preço em pfennigs por quilograma.
Tratava-se claramente de uma manigância e senti natural prazer ao fazer tal descoberta. Relatei-a aos membros russos da missão com satisfação. Para meu espanto, não ficaram nada contentes. Chegaram mesmo a pressionar-me para que eu aceitasse a compra, dizendo-me que eu tinha compreendido mal a encomenda. Não conseguia explicar a sua atitude. Pensei que podia haver ali um caso de suborno.[33]
  • No decorrer do processo, Piatakov fez as seguintes falas diante do tribunal:

Em 1931, eu estava numa missão de serviço em Berlim. Em pleno Verão daquele ano, em Berlim, Ivan Nikítitch Smírnov informou-me de que a luta trotskista ressurgira naquele momento com nova força contra o governo soviético e a direcção do Partido, de que ele, Smírnov, tinha tido um encontro em Berlim com o filho de Trótski, Sedov, e que lhe havia transmitido, por incumbência de Trotski, novas directivas. (...) Smírnov informou-me de que Sedov desejava muito ver-me. Eu consenti nesse encontro (...) Sedov disse-me que estava formado um centro trotskista; tratava-se da unificação de todas as forças capazes de desenvolver a luta contra a direcção stalinista. Estava a ser avaliada a possibilidade de restabelecer uma organização comum com os zinovievista. Sedov disse igualmente que os direitistas, representados por Tómski, Bukhárine e Ríkov, não tinham, nenhum deles, deposto as armas, que se mantinham à margem apenas momentaneamente e que era necessário estabelecer a ligação com eles. (...) Sedov disse que exigiam de mim uma única coisa: que fizesse o maior número possível de encomendas às duas firmas alemãs Borsig e Demag, que ele, Sedov, se encarregaria de obter as somas necessárias, na condição, naturalmente, de que eu não insistisse muito nos preços. Se é preciso explicar, era claro que o acréscimo de preço sobre as encomendas soviéticas passaria total ou pelo menos parcialmente para as mãos de Trótski para os seus objectivos contra-revolucionários. [34]
  • Littlepage declarou acerca disto o seguinte resumo:

Esta passagem da confissão de Piatakov é, no meu entender, uma explicação plausível do que se passou em Berlim em 1930 quando suspeitei dos russos que acompanhavam Piatakov, que queriam fazer-me a aprovar uma compra de elevadores de minas que, para além de serem muito caros, não teriam qualquer utilidade para as explorações a que estavam destinados. Mas eles estavam habituados às conspirações desde antes da revolução e tinham corrido riscos por aquilo que consideravam ser a sua causa. [35]
  • Em uma das primeiras minas que ele visitou, Serebrovsky, um dos grandes mineradores soviéticos, a serviço do Estado soviético, conheceu Jack Littlepage, com 33 anos[36], que era um engenheiro de mineração bem-sucedido nos EUA. [37] Littlepage, inicialmente, descartou a oferta de trabalho de Serebrovsky na URSS, afirmando que “não gostava de bolcheviques”, pois, tomado pela guerra hibrida ele dizia: “ os bolcheviques pareciam ter o hábito de atirar em pessoas, especialmente em engenheiros”.[38] No entanto, Serebrovsky, pacientemente e bem orientado por Stalin, perseverou e persuadiu Littlepage a emigrar para a URSS com sua família.[39]

  • Segundo J. Littlepage: “Sabotagem era algo estranho à minha experiência profissional. No entanto, eu não havia trabalhado muitas semanas na Rússia antes de encontrar casos inquestionáveis ​​de destruição deliberada e maliciosa, por exemplo, removemos do reservatório de petróleo [de um grande Diesel motor] sobre um litro de areia de quartzo, essa mesquinha sabotagem industrial era tão comum em todos os setores da indústria soviética que a polícia teve que criar um exército inteiro de espiões profissionais e amadores para cortar a enorme quantidade de sabotadores.[40] As autoridades na Rússia estão travando uma série de guerras civis abertas ou disfarçadas. [41]

  • Nos seis anos seguintes, a produção de ouro da URSS superou a dos Estados Unidos e estava prestes a exceder a do Império Britânico. Ao contrário de muitos cidadãos dos EUA que emigraram para a URSS na época, Littlepage não assumiu a cidadania soviética, nem o regime soviético confiscou seu passaporte americano[42]. Em meio às repressões soviéticas, Littlepage continuou seu trabalho como vice-comissário, aconselhando Serebrovsky sobre a implantação de grupos de prospecção no estilo do Alasca nos campos de ouro soviéticos virgens. [43]

  • Littlepage logo aprendeu russo, foi renomeado de Ivan Eduardovich e, com uma força inabalável, "começou a verificar cálculos, projetos, estimativas, planos de trabalho".[44]

  • O assassinato em dezembro de 1934 do braço direito de Stalin, Sergei Kirov, serviu como uma das premissas do Grande Expurgo do Partido Comunista Soviético. Littlepage observou que o assassinato quando ocorreu "o país havia começado a se estabelecer em uma rotina bastante confortável após os anos dolorosos que se seguiram à Segunda Revolução Comunista". [45] Apenas alguns meses antes ", no verão de 1934, o governo havia anunciado que a polícia federal não teria mais o poder de prender e julgar pessoas sem julgamento público e aberto.

  • O sucesso de Littlepage lhe rendeu a Ordem da Bandeira Vermelha do Trabalho e um “Ford” Modelo soviético, este último sendo considerado como um dos presentes mais preciosos da época na URSS. Littlepage retornaria aos EUA várias vezes para recrutar mais engenheiros na indústria soviética de minas de ouro: na época da Grande Depressão, nunca havia falta de candidatos dispostos. Muitos dos milhares de trabalhadores dos EUA que emigraram para a URSS na época em busca de trabalho posteriormente foram seduzidos pelo discurso da oposição e foram posteriormente julgados. [46]

  • Littlepage trabalhou 10 anos na indústria mineira soviética, entre 1927 e 1937, principalmente, nas minas de ouro. No seu livro “In search of Soviet gold” escreve, “Eu nunca tive interesse pela sutilidade das manobras políticas na Rússia enquanto as podia evitar; mas tive que estudar o que acontecia na indústria Soviética para poder fazer um bom trabalho. E estou firmemente convencido de que Stalin e os seus colaboradores levaram muito tempo até descobrir que os comunistas revolucionários descontentes eram os seus inimigos mais perigosos”. Littlepage escreveu também que a sua própria experiência confirmava as declarações oficiais de que uma conspiração conduzida do exterior se utilizava de uma grande sabotagem industrial como uma parte de um processo para fazer cair o governo. Já em 1931 Littlepage tinha sido obrigado a constatar isso durante um trabalho nas minas de cobre e chumbo no Ural e no Cazaquistão. As minas eram uma parte do grande complexo de cobre-chumbo cujo chefe máximo era Piatakov, o vice comissário do povo para a indústria pesada. O estado das minas era catastrófico no que diz respeito à produção e ao bem-estar dos trabalhadores. A conclusão de Littlepage foi de que havia uma sabotagem organizada proveniente da direção superior do complexo de cobre-chumbo.

  • Surpreendentemente, Littlepage foi um dos poucos imigrantes dos EUA autorizados a deixar a URSS durante o Terror porque jamais se envolvera em qualquer crime. Littlepage deixou a URSS logo após uma entrevista na embaixada dos EUA em Moscou, em 22 de setembro de 1937, na qual afirmou sua opinião de que o comissário soviético da indústria, Georgy Pyatakov, havia organizado "destroços" em várias minas de ouro. Em uma série de artigos para o Saturday Evening Post, Littlepage descreveu uma contínua "corrida do ouro no Extremo Oriente" e os "intrépidos homens e mulheres" prospectando os resíduos do leste da Sibéria. Mesmo ao responder a perguntas do Departamento de Guerra dos EUA, Littlepage não mencionou as legiões de escravos empregadas para extrair o ouro em condições letais nas terras congeladas do Gulag, no nordeste da Sibéria, porque eles sequer existiam.[47] Littlepage escreveu um livro sobre sua experiência: "Em busca do ouro soviético", com um correspondente estrangeiro do Saturday Evening Post e do Christian Science Monitor, Sr. Demaree Bess.

  • O livro de John Littlepage dá-nos também a conhecer de onde a oposição trotskista recebia o dinheiro necessário para pagar a atividade contrarrevolucionária. Vários membros da oposição utilizavam os seus postos na União Soviética para aprovar a compra de máquinas de certas fábricas no estrangeiro. Os produtos aprovados eram de uma qualidade muito baixa, mas eram pagos pelo governo soviético ao preço mais alto. As fábricas estrangeiras davam à organização de Trotsky no estrangeiro o ganho econômico de tais transações, em troca do qual Trotsky e os seus conjurados na União Soviética continuavam a fazer mais compras dessas fábricas.

  • Além de Little Page, em abril de 1934, o engenheiro soviético Boyarchinov seguiu-se ao escritório do superior em construção nas minas vitais de carvão em Kuznetsk, afim de avisar que algo de errado havia no seu setor. Aconteceram diversos incidentes: explosões subterrâneas, destruição de maquinas.

  • Boyarchinov suspeitava que houvesse sabotagem. O chefe de construção agradeceu a informação. "Comunicarei a quem me reporto" disse. "Enquanto isso, não diga nada a ninguém sobre o fato".

  • O chefe de construção Alexei Chestov, espião germânico e organizador principal da sabotagem trotskysta na Sibéria.

  • Infelizmente, pouco tempo após o incidente Boyarchinov foi encontrado morto em uma vala. Um caminhão, correndo a toda, matara-o na estrada em que ele voltava do trabalho para casa. O condutor do caminhão era o terrorista profissional Tcherepukhin[48].

3. Por que os arquivos de Moscou e de Trotsky são evitados pelos antistalinistas?


  • É evidente como a luz solar que os arquivos de moscou e de Trotsky são evitados justamente pelo conteúdo desfavorável aos oportunistas de “esquerda” e de direita, embora haja exceções. Para fins dessa investigação, demonstraremos isso partindo ainda da análise do assassinato de Kirov. A comparação do que diz parte dos antistalinistas com o que reside nos arquivos é discrepante. Das alegações de Trotsky, as informações do relatório Kruschev, não encontramos qualquer avaliação empírica dos fatos que nos permita dizer que Stalin matou Kirov.

  • O relatório Kruschev possui grande contributo para anticomunismo também no caso Kirov. Na atualidade o oportunismo de esquerda e toda a direita o usam acriticamente, como já era de se esperar, os efeitos ainda expansivos do relatório Kruschev ainda possuem grande alcance. Mesmo no Brasil, esse relatório foi recebido por boa parte dos comunistas sem qualquer questionamento prévio e mínimo de que não havia provas que sustentasse as afirmações realizadas no relatório “secreto”. Como se não bastasse a falta de provas, o tal relatório rapidamente foi recebido pelo diretor da CIA.

  • O relatório secreto foi transmitido a um jornalista da agência Reuters (aquela mesma que ais tarde viria a se Fundir com as redes de tv) John Rettie. Pouco antes de viajar para Estocolmo, Rettie foi instruído sobre o relatório secreto pelo representante de Kruschev, Kostya Orlov. Assim, a mídia no ocidente soube do discurso já no início de Março de 1956. Rettie, por sua parte, acreditava que a informação fora propositalmente passada pelo próprio Khrushchov.[49] Em 5 de Março de 1956, o Presidium do Partido Comunista da União Soviética solicitou, as organizações comunistas, e aos membros do Komsomol, que o informe de Khrushchov fosse estudado em todas as reuniões, tanto em presença dos militantes como dos não militantes.[50]